Motoristas de vans da Rocinha pagam R$ 70 mil por mês a cooperativa, diz polícia após investigar assassinato

Disputa pelo controle das linhas foi o motivo da morte de um motorista em abril passado

Marcelo Bastos/R7
presos
Entre os presos estão mãe, filha, que está grávida, e o marido dela

Investigações da DH (Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro) apontam que a morte do motorista de van Marcelo de Souza Lima, de 28 anos, ocorrida em abril passado, tem relação com disputa entre cooperativas que operam linhas entre a Rocinha, em São Conrado, e outros bairros do Rio. Por trás da disputa, o lucro obtido com a circulação entre kombis e vans. A polícia estima que, apenas com o pagamento semanal de taxas, a Coop Amigos faturava até R$ 70 mil por mês.
Segundo o delegado Henrique Damasceno, cada motorista de van ligado à cooperativa tem que pagar uma taxa que varia entre R$ 200 e R$ 250 por semana para poder trabalhar. A DH estima que a Coop Amigos tenha cerca de 70 motoristas. Ou seja, a cada semana, o faturamento girava em torno de R$ 17,5 mil.


A cooperativa para a qual Marcelo trabalhava também tinha cerca de 70 cooperados, mas o valor pago pelos motoristas não foi revelado pela polícia. Ele foi um dos fundadores e tinha influência sobre a presidência da organização. Como as duas cooperativas operavam as mesmas linhas, surgiu uma rivalidade, com casos de ameaças entre seus integrantes.
Uma das linhas mais disputadas era a Rocinha-Central do Brasil, uma das poucas que circulava 24 horas por dias na cidade. Na última sexta-feira (31), a DH prendeu quatro suspeitos de envolvimento na morte de Marcelo, entre elas um PM.

Segundo o delegado Henrique Damasceno, o subtenente trabalhava para a cooperativa de vans Coop Amigos enquanto estava de serviço na corporação, fardado, e pressionava os motoristas a pagarem em dia taxas à organização. A polícia ainda investiga a participação de outros PMs no esquema.

—  Verificamos que ele recebia informações da cooperativa sobre os motoristas que estavam inadimplentes com o pagamento das taxas. Sabendo quais eram os veículos, ele aumentava a fiscalização sobre esses motoristas.

Além do PM, outros três suspeitos foram presos na manhã de sexta, todos da mesma família. Segundo a polícia, Ricardo Martins de Oliveira foi quem matou Marcelo a tiros, em abril passado, no centro do Rio. A mulher de Ricardo, Jaqueline Luciana de Lisboa Barbosa, que está grávida, e a mãe dela, apontada como presidente da Coop Amigos, Maria Lúcia de Lisboa Campos, também foram presas.



Ricardo e Jaqueline foram capturados no apartamento onde viviam em Rio das Pedras, zona oeste. Já Maria Lúcia foi presa em uma casa de classe média alta no Itanhangá, também na zona oeste. A polícia cumpriu mandado de prisão contra o filho dela, Jackson Albert de Lisboa Barbosa, que já estava preso por roubo. Ele era um dos responsáveis pela Coop Amigos.

A polícia investiga se ele pilotava a moto usada por Ricardo para matar Marcelo. Além da moto, capacetes e roupas usadas pelo assassino no dia do crime foram apreendidos pela polícia. Elas foram descritas por testemunhas à polícia.

— A motivação para este homicídio foi o dinheiro. Essas cooperativas são muito lucrativas. O Marcelo era uma pessoa muito influente na outra cooperativa, que disputava linhas com a cooperativa dos presos. Eles tinham motivo para matar Marcelo, porque não queriam dividir os lucros.

Os presos vão responder por homicídio duplamente qualificado, quadrilha armada e extorsão.
material
Entre o material apreendido havia duas armas, dinheiro e documentos com a contabilidade da cooperativa

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