Opinião de Chicão: O grande inimigo



A questão da impugnação de Alair é uma questão menor perto da questão central que se coloca hoje na agenda das pessoas de bem, que deve ser o combate sistemático a um governador que destruiu o equilíbrio entre os três poderes no estado do Rio de uma forma que nem mesmo a ditadura militar fez
Cabral tem o domínio do poder legislativo, onde tem ampla maioria cooptada por benefícios e, dizem, até por propinas mensais dadas aos deputados para cada projeto votado de seu interesse. Cabral, com a substancial ajuda de Paulo Mello, também destruiu a independência do judiciário, vital em uma sociedade que se pensa civilizada. O pilar sobre o qual se ancora a democracia representativa burguesa, qual seja, o equilíbrio entre executivo, legislativo e judiciário, não mais existe no Rio há pelo menos seis anos. 
Afora isso, Cabral conseguiu algo que nem os governadores do antigo estado do Rio sob a ditadura conseguiram: aniquilar a oposição no interior do Estado, cooptando os prefeitos de diferentes partidos, inclusive os de oposição, através de obras, dinheiro sujo para campanha e impunidade para os crimes cometidos. São 91 dos 92 municípios que seguem sua cartilha. Em Campos, o único bastião da oposição, a prefeita está impedida de se candidatar
O modelo autoritário cabralino não se restringe à esfera política e atingiu os próprios movimentos sociais do estado. Bombeiros, PMs, professores, médicos e servidores públicos já experimentaram o amargo gosto resultante do enfrentamento com o governador. Foram ´prisões, espancamentos, demissões em grande escala, sempre norteadas por ofensas aos profissionais dessas categorias, chamados de vândalos, vagabundos e preguiçosos pelo destemperado
Como exemplo emblemático desta era de trevas em que vivemos no Rio, Cabral conseguiu, de forma quase inacreditável, que sua PM invadisse com helicópteros uma universidade federal – o que só pode ser feito com autorização federal - para atacar somente centros acadêmicos dominados por alunos do PSOL, que foram espancados, colocados deitados no chão e revistados como se fossem bandidos. O “crime” dos alunos do PSOL foi organizar movimentos de protestos contra o aumento das barcas, aumento este que era de vital interesse para o governador. 
Blindado pelo PT no Congresso, Cabral tem conseguido ficar à margem do julgamento do escândalo Delta- Cachoeira, escândalo este que tem, não só Goiânia, como o Rio como seus centros nevrálgicos. Com a popularidade em baixa na capital, mas ainda de olho nos bilhões das obras da Copa e das Olimpíadas, seu governo estadual consegue ter ainda uma forte presença no interior, onde pretende manter sua influência à custa de travar sua guerra particular com Garotinho e seus candidatos, e com as demais vozes que ousam se levantar contra seus aliados, como a do PV em Macaé, a de Zito em Caxias e a do PSOL em Itaocara.
Choca, nisso tudo, ver pessoas reconhecidamente de bem caladas e assistindo impávidas a tantas injustiças, tantas negociatas com dinheiro público e tanto arbítrio, uns pensando em seus interesses próprios, outros alienados da situação de verdadeira bandidagem política existente em nosso estado.   


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