Os coronéis de Deus


Coube à CNBB colocar um pouco de serenidade nessa onda com toques de histeria política da busca dos votos de grupos evangélicos e até mesmo até mesmo católicos. O que a CNBB diz é: não misturem Deus com eleições e jogo partidários. Deu uma lição de respeito à democracia.


Quem quiser saber o que dá misturar Deus e política veja a fúria islâmica contra um filme. Ataca-se todo o país - e no caso, um governo - porque cidadãos, no uso da liberdade de expressão, fizeram um filme.
Esse jogo partidário de pastores nada ou quase nada tem a ver com valores morais ou religiosos, apesar das aparências. Tem apenas a ver como jogos de poder, no qual se ganha influência em governos e parlamentos, obtendo-se favores e mesmo negócios . Só isso.
Usa-se a assim a fé para iludir em nome de interesses divinos. Mas fica-se calado porque, afinal, há muitos votos em jogo, líderes religiosos são bons comunicadores, fiéis estão dispostos a ouvi-los. Numa eleição disputada, é um peso gigante.
É um tipo de coronelismo, garantido pelos púlpitos eletrônicos, em nome de Deus.
Gilberto Dimenstein
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.

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