Para fortalecer a luta no campo, CTB dá início ao 3º Encontro de Trabalhadores Rurais


Começou na quarta-feira (12), em São Paulo, o 3 º Encontro Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da CTB, com o propósito de discutir a atual realidade do setor no país e fortalecer a luta dos sindicalistas ligados ao campo.
Durante dois dias, cerca de 80 lideranças do sindicalismo rural de todo o país vão discutir temas como a contribuição sindical, a unicidade sindical, a reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar, a partir de um ponto de vista classista, visando ao fortalecimento de suas entidades.
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O início dos trabalhos teve a coordenação de Sergio de Miranda, secretário de Política Agrícola e Agrária da CTB, que destacou a importância das discussões e o papel da agricultura familiar para o país.


Por sua vez, Wagner Gomes, presidente da CTB, lembrou a valiosa ajuda dos trabalhadores rurais para a fundação da Central e destacou o papel que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) exerce atualmente no meio sindical e na política nacional. “Estar sem filiação a nenhuma central sindical foi fundamental para que a Contag tivesse um protagonismo maior”, afirmou, referindo-se à desfiliação em relação à CUT, decidida em seu último Congresso.
O presidente da CTB afirmou ainda que o momento, dentro da CTB, é de aprender com a experiência dos trabalhadores rurais, para que toda a classe trabalhadora obtenha mais conquistas. “Ainda temos que caminhar muito para poder ter um conhecimento dos trabalhadores rurais, mas temos trabalhado para que estejamos cada vez mais juntos”, disse.
50 anos
Alberto Broch, presidente da Contag, destacou em sua saudação a iminência dos 50 anos da entidade que preside (a data será completada em dezembro de 2013). Perto desse marco, o dirigente afirmou a importância de se continuar construindo uma história de lutas. “Nesse tempo, tivemos a capacidade política de avançar, mesmo diante da diversidade existente em cada região, em cada estado brasileiro. A Contag participou de todos os momentos da vida nacional. Nosso desafio é continuar construindo essa história”, afirmou.
Para dar continuidade a esse processo, Broch destacou a necessidade de uma participação ampla dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no 11º Congresso da Contag, marcado para o primeiro semestre de 2013. “É o Congresso que dá rumo, que define nossas políticas e bandeiras de luta, de forma democrática”, ressaltou, para em seguida elogiar a postura da CTB junto ao sindicalismo do campo. “ACTB é a central que mais se parece com os trabalhadores do Brasil. Temos um projeto definido, o qual queremos fortalecer juntos”.
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Papel feminino e crescimento da CTB
Coube à secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB, Raimunda Gomes, a Doquinha, destacar o papel das trabalhadoras rurais para o fortalecimento do sindicalismo no campo. “Nossa Secretaria tem aprendido muito com as companheiras trabalhadoras rurais. Isso tem feito com que a CTB cresça e aprenda muito. O exemplo maior disso tem sido a Marcha das Margaridas. Tive o orgulho de participar de sua organização, construindo um documento e levando uma pauta à presidenta Dilma. Nossas companheiras têm demonstrado que se posicionam, têm argumento e enriquecem o processo”, salientou.
O secretário de Finanças da CTB, Vilson Luiz da Silva, se mostrou satisfeito pela dimensão alcançada pelo 3º Encontro e, na condição de presidente de uma das principais entidades de trabalhadores rurais do país (a Fetaemg), destacou o papel da Central junto às reivindicações que vêm do interior do país. Nesse sentido, afirmou que é possível ampliar seu protagonismo. “Não fico contente em ver a CTB como a quarta central em número de filiados. Temos condições de levá-la para o terceiro posto em um curto prazo – e para isso os rurais podem dar uma grande contribuição. E isso por ser feito com clareza, demonstrando por que é importante para cada sindicato fazer parte da CTB, a partir de assembléias amplas. Somente a CTB tem feito isso no movimento sindical do país. É por isso que sairemos deste Encontro com a Contag e com a CTB fortalecidas”.
O vice-presidente da CTB e secretário-geral da Contag, David Wylkerson de Souza, concordou com o secretário de Finanças da entidade e disse ter a convicção de que o Encontro trará consequências políticas importantes para o projeto da CTB. “Temos crescido e vamos avançar mais ainda para fortalecer nosso projeto político, já que a CTB é a central que mais se aproxima das demandas do movimento sindical camponês”.

Conjuntura
A abertura dos trabalhos do Encontro foi complementada por uma exposição sobre a atual conjuntura política do país. Clemente Ganz Lúcio, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), fez um paralelo entre a situação vivida pelo Brasil e pelos países desenvolvidos neste começo de século, comparando esse cenário com o da década de 1990.
“Quem imaginaria, dez anos atrás, que a Europa viveria a situação atual? Uma situação semelhante à que vivemos no Brasil durante os anos 90. A Europa revive algo que não imaginava: ficar de joelhos aceitando ordens da Alemanha, pois é ela quem diz para o FMI e o BCE o que cada nação deve fazer”, comentou.
O palestrante disse que a crise financeira internacional é complicada e procurou dar exemplos sobre a realidade brasileira, lembrando que o receituário neoliberal dos anos 1990 foi prejudicial ao Brasil. “A verdade dos anos 1990 não nos serviu nos últimos dez anos, Diziam que a valorização do salário mínimo traria inflação, desemprego e aumento da informalidade, mas houve exatamente o contrário”.
Papel do movimento sindical
Clemente defende que o Brasil colocou em prática algo inédito na história recente do planeta, ao eleger um presidente que veio do movimento sindical e terminou o governo com alta popularidade. “Não é pouco o que fizemos”, disse, destacando o papel da classe trabalhadora e do sindicalismo organizado para as recentes mudanças colocadas em prática no país.
A partir dessa constatação, o representante do Dieese afirmou que, diante do novo papel desempenhado pelo Brasil na geopolítica mundial, o movimento sindical precisa se adaptar a uma nova realidade. “O mercado interno continua como dinamizador da nossa economia e o Estado é o elemento fundamental para essa perspectiva. Podemos ser a quinta economia do planeta – e temos que ser o movimento sindical dessa quinta economia. Para isso, temos uma dupla tarefa: nosso desenvolvimento tem que servir para superar a desigualdade, sem deixar de lado a sustentabilidade”.
Ao se referir especificamente ao papel dos trabalhadores rurais nesse processo, Clemente destacou sua importância para a sociedade brasileira. “Os rurais estão em um setor estratégico. São responsáveis pela produção de alimentos para todos, sendo que ainda há milhões sem acesso a essa produção”. Em seguida, deixou uma pergunta aos participantes do Encontro: “O país está se desenvolvendo e isso trará mudanças para toda a sociedade. Que tipo de desenvolvimento o campo vai defender?”.
Fernando Damasceno – Portal CTB
Fotos: Cinthia Ribas

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