“Tive tudo para morrer”, diz jornalista que cobriu o maior acidente radioativo do Brasil


À época repórter da TV Anhanguera, afiliada da TV Globo, Mirian Alves Tomé Resende, estava preparada para entrevistar o então - e atual - secretário de Saúde, Antônio Faleiros naquele 13 de setembro de 1987. Sem saber que a data ficaria marcada pelo maior acidente radioativo do Brasil, a jornalista foi a primeira profissional a cobrir o Césio 137, que completa 25 anos.

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Atualmente a jornalista é dona de uma editora 
(Imagem: Reprodução/Terra)
Em entrevista ao portal Terra, Mirian conta que, ao chegar para entrevistar o secretário, o encontrou muito nervoso. "Ele disse que não teria condições de me atender porque tinha um problema muito sério. Eu quis saber o que era e ele falou que havia uma suspeita de contaminação, a princípio um vazamento de gás. O secretário contou que pessoas estavam passando mal em um ferro-velho, e nós fomos para lá", relembra.

Junto do cinegrafista Valdir Pereira, a repórter diz que chegou ao local, onde pessoas relataram estar passando mal - algumas morreram dias depois, entre elas Maria Gabriela, cunhada de Devair Ferreira, dono do ferro-velho contaminado. A moça chegou a conceder entrevista à jornalista. "Ela falou para mim: 'eu sinto dor de cabeça forte, fraqueza, a Leide também brincou com o material, era um pó azul brilhoso, muito bonito'", conta a jornalista.



Com as informações, Mirian colheu depoimento da Secretaria Estadual de Saúde, que adiantou suspeitar que o material era radioativo, e a reportagem foi ao ar na mesma noite. Logo depois, a profissional foi alertada pelo então diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Júlio Rosenthal, que ela poderia estar contaminada. "Trata-se de um acidente radiológico, e você correu um grande risco e pode estar contaminada. Você e o cinegrafista", disse o diretor à repórter. Mesmo com o alerta, Mirian conta que se sentia responsável pelo assunto e preferiu continuar a pauta.

Mais tarde a dupla da TV Anhanguera realizou o exame e descobriu que não estava contaminada. Mesmo com o resultado em mãos, Mirian ficou com medo e precisou fazer tratamento psicológico. Ela acredita que teve uma "proteção divina, e nada me afasta dessa certeza porque eu tive tudo para morrer contaminada".


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