Candidatos adotam tom emotivo no último dia do horário eleitoral na TV


Políticos que concorrem à Prefeitura de SP decidiram usar espaço para agradecer a população, falar da própria trajetória ou divulgar depoimentos de apoiadores e familiares

Daiene Cardoso - Agência Estado
No último dia de horário eleitoral na TV, os candidatos a prefeito de São Paulo apelaram para a emoção na tentativa de conquistar o eleitorado paulistano. Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas de intenção de voto, agradeceu pelo "carinho" da população, enquanto o petista Fernando Haddad mostrou cenas do comício da última segunda, 1, ao lado da presidente Dilma Rousseff, quando ela chamou o candidato de "realizador de sonhos". José Serra (PSDB) resumiu sua trajetória política e trouxe para seu programa depoimentos da família, de amigos e de apoiadores.


No programa do PRB, os marqueteiros da campanha procuraram mostrar "a história de um homem determinado" que, como jornalista, produziu "mais de 5 mil reportagens para defender os seus direitos". Se eleito, Russomanno prometeu implantar uma "educação de primeiro mundo" e defender a população do "mau serviço público". "Pode ter certeza, não vou te decepcionar", afirmou o candidato, enfatizando que é possível vencer a eleição "sem atacar ninguém".
Haddad destacou em seu programa que foi o único candidato a apresentar propostas "à altura dos desafios de São Paulo" para todas as regiões e disse que o maior desafio da cidade é mais social que econômico. "São Paulo cansou de prefeitos de meio expediente e de prefeitos de meio mandato", disse o candidato em cena gravada no pré-lançamento de sua campanha. O programa ainda reprisou os depoimentos de eleitores que participaram dos programas ao longo das últimas semanas, inclusive do caminhoneiro José Machado, que reclamou do atendimento no serviço público de saúde.
O petista ainda atacou seus principais adversários e disse que eles passaram "boa parte do tempo com agressões e promessas vãs", o que chamou de "mundo da propaganda enganosa do Serra" e da "ilusão do Russomanno". "Serra passou a propaganda inteira vendendo linhas de metrô imaginárias e hospitais de luxo, enquanto o povo vive espremido em ônibus e esmagado em vagões de um dos mais superlotados sistemas de metrô do mundo", criticou. "E Russomanno pensando que sorrisos substituem propostas e que falso carinho substitui os problemas angustiantes do povo de São Paulo", completou.
Haddad disse ainda ter orgulho de contar com o apoio do governo federal e de lideranças políticas do País. "Fernando Haddad é um homem decente, é um homem honesto, é um homem trabalhador", disse Dilma. "O Fernando faz a diferença. Votem em quem faz a diferença", declarou Dilma no comício. "Só quero que vocês deem uma chance a esse companheiro", insistiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral da campanha.
No final, o petista fez o discurso da honestidade. "Quero estar vestido sempre com a camisa limpa da honestidade, do trabalho diário. Uma camisa que nunca deixarei sujar, por nada e nem por ninguém", disse, ao pedir o voto do eleitor e pedir o esforço da militância na reta final da campanha.
Serra preferiu trazer para o último dia de campanha na TV cenas da convivência familiar, com depoimentos da esposa Mônica e da filha Verônica. Serra apareceu visitando a Mooca, zona leste, onde nasceu e foi criado e se emocionou ao falar do pai Francesco. "Serra vem de família humilde", enfatizou o narrador. Falaram a favor de Serra a atriz Beatriz Segall, o cientista político Bolívar Lamounier, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e o jurista e ex-petista Hélio Bicudo.
"Sempre me esforcei para fazer o melhor", acrescentou Serra, dizendo que acredita no "esforço, no trabalho e no mérito". Ao final, a campanha mostrou cenas do candidato na rua, entre elas a do dia em que ele perdeu o sapato ao chutar bola num campo de futebol de várzea. "Ele perde o sapato, mas não perde a pose", brincou o narrador. Também apareceu na propaganda cenas de Serra "derretendo corações", com destaque para o beijo dado por uma vendedora.
Gabriel Chalita (PMDB) também adotou um tom emocional no programa de TV, fez um balanço dos projetos apresentados e agradeceu pelos apoios recebidos nos últimos dias. "Você tem de votar em quem você acredita", defendeu. O peemedebista voltou a criticar os adversários, dizendo que Serra "abandonou" a Prefeitura e o governo do Estado. "Todo mundo sabe que ele quer ser presidente", afirmou. Segundo Chalita, Haddad teria dificuldades em fazer parcerias com o governo estadual e Russomanno seria um "aventureiro".
Carlos Giannazi (PSOL) fez um resumo de suas atuações nos debates entre os candidatos. Soninha Francine (PPS) disse que continuará conversando com os eleitores pela internet sobre os assuntos que não conseguiu abordar na TV. Ana Luiza Figueiredo (PSTU) disse que mostrou em seus programas "a vida como ela é". Levy Fidelix (PRTB) prometeu cuidar da cidade e pediu voto para os vereadores de seu partido. Miguel Manso (PPL) mostrou sua biografia. José Maria Eymael (PSDC) mostrou cenas de campanha nas ruas. Paulo Pereira da Silva (PDT) e Anaí Caproni (PCO) repetiram programas transmitidos anteriormente.

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