Em Búzios: coragem a toda prova


924530
André Granado, médico, 48 anos, é o novo prefeito eleito de Búzios. Sua caminhada até ocupar o posto máximo do Executivo não foi fácil; não seria para ninguém que tivesse pela frente a tarefa de derrotar nas urnas um nome como Mirinho Braga, prefeito de três mandatos na Cidade. 
Com capacidade mental altamente desenvolvida André dedicou sua vida a ciência da medicina; a curar e salvar vidas. Sua personalidade é descrita por alguns como não sendo das mais diplomáticas, o que a principio poderia ser considerado um problema, mas que, para o cargo que irá ocupar, pode ser fonte da coragem necessária para tomar decisões importantes para o bom andamento de seus projetos, para o pleno desenvolvimento de Búzios, e sua população, mesmo que contrarie interesses. Alias coragem é o que não lhe falta, e parece que o povo soube perceber esta característica em André, confiando seu futuro a ele, acreditando que a combinação deste elemento (coragem ) com seu elevado senso de responsabilidade, característica que se acentua em situações de adversidades, levará a todos a um futuro muito melhor do que o até então experimentado. 


Com uma Cidade que enfrenta diversos problemas, pareceu ao eleitor que André é a pessoa certa neste momento. As inúmeras e crescentes exigências de uma Cidade que pretende estar no topo da lista dos destinos turísticos do pais, poderão fazer com que seu nível de estresse chegue, em algumas ocasiões, a patamares altíssimos. Mas, novamente, o que poderia ser ruim, para ele muito possivelmente será encarado como uma maneira de elevar sua capacidade e desempenho em busca de um alto grau de eficiência que lhe permita olhar para trás, a cada passo dado adiante, com um profundo sentimento de felicidade estampado em seu rosto e ardente senso de dever cumprido para com a população.      
A seguir, o Jornal Primeira Hora publica uma reportagem a respeito deste primeiro momento da vida de Dr. André, como prefeito eleito de Búzios.  Sua equipe aguarda a homologação dos resultados pela Justiça Eleitoral, para poder dar curso ao oficio que deverá ser endereçado ao chefe de gabinete do atual prefeito, para que se iniciem os trabalhos do ‘Gabinete de Transição’, dispositivo legal criado pela lei  708/2009, artigo 240, que prevê que uma equipe composta por cinco membros do governo que está saindo transfira informações a cinco membros do governo que está entrando. Se tivermos sorte, iremos assistir uma transição de poder, sem sobressaltos, e principalmente, sem prejuízo a população de Búzios, todos os seus turistas, veranistas e admiradores.       


PH – Quando e por que o senhor decidiu que queria ser o prefeito de Búzios?
- Há tempos, avaliando as diversas propostas dos grupos políticos dessa cidade, decidi me alinhar com o projeto de cidade elaborado pelo Partido Social Cristão (PSC), que vinha sendo difundido havia alguns meses. Não foi sem muito meditar que resolvi acreditar e abraçar os ideais desse grupo, que colocando o poder em plano secundário, priorizava a discussão das prioridades e das alternativas que pudessem devolver a Búzios o charme e encanto que estavam se perdendo. Nesse momento, me envolvi como soldado à disposição desse grupo para disputar o cargo que fosse de consenso caber a mim. Houve o destino por bem, escolher o meu nome para representar aquele grupo e suas ideias, o que muito me honrou. No subconsciente eu queria, mas em momento algum impus o meu nome. Esse processo decisório foi uma bela obra de democracia. Todo mérito para a direção do Partido Social Cristão (PSC).

PH – Como avalia a campanha eleitoral e a vitoria sobre um candidato, historicamente imbatível, e que estava em pleno gozo de seu mandato?
- A campanha eleitoral foi uma verdadeira Cruzada, uma batalha diária da apresentação de nossas propostas e da avaliação da reação popular em torno delas. Nosso projeto ganhou acabamento e se enriqueceu com o contato popular. Uma campanha vitoriosa sempre é recoberta de virtudes que, sem dúvida, superaram eventuais deficiências. 
Credito a vitória sobre um candidato competitivo, três vezes vencedor, ao empenho do nosso grupo, às qualidades de nosso projeto de cidade e fundamentalmente, por representar o novo; a mudança. Essa mudança se materializa pela ausência de influências de grupos políticos ou econômicos, característica que diferenciava nossa trajetória das demais. O processo eleitoral é político em essência, mas exercitamos uma nova maneira de unir pessoas, priorizamos sempre os ideais que se constituíam na espinha dorsal do projeto de cidade. Isso foi o grande diferencial. Me parece residir aí o segredo de nosso sucesso.

PH – Ao longo da campanha o senhor esteve em todos os bairros da Cidade; quais pontos  positivos identificou ao longo destas andanças?
- Realmente caminhei esta cidade de norte a sul, leste a oeste. Pude verificar a descrença e a desesperança no semblante de cada um dos buzianos. Pareciam não acreditar que sonhar era possível. Pouco a pouco, com a continuidade da campanha, fui percebendo que nossa proposta ia sendo absorvida e entendida pela população e foi nítida a mudança de atitude. Acreditaram que Búzios tinha tudo para ser muito melhor, só faltava coragem para mudar. Pude notar que tal qual uma onda que vai crescendo, essa coragem foi ganhando corpo até arrebentar no dia da eleição como uma realidade inquestionável. Foi emocionante.

PH – E os negativos?    
O abandono e exclusão de grande parte da população dos cuidados essenciais do Estado, que se mostrava um paquiderme pesado e inerte diante dos enormes desafios representados por uma estrutura de ensino ultrapassado, Saúde extremamente deficiente e sem nenhuma ação preventiva. Impossível deixar de citar a questão do saneamento básico, fator comprometedor da imagem da Cidade e da saúde da população. Percebemos uma total ausência de participação das autoridades na discussão desses importantes temas com a sociedade. O Governo se fechava em si mesmo e se negava a escutar as reclamações e queixas do povo que não suportava mais ser tratado com indiferença. Pude sentir que esse abandono se transformara em humilhação e que o buziano não acreditava mais nas autoridades constituídas. Foi esse vácuo de autoridade deixado pelo atual governo que utilizamos para ultrapassa-lo. 

PH – O que sentiu assim que a vitória foi confirmada pelos boletins de urna?
- Esta resposta estou procurando dentro de mim até agora. É um misto de euforia e êxtase que  quero dividir, compartilhar com cada um dos buzianos, porque a vitória é de todos. Ao mesmo tempo que essa euforia toma conta de mim, uma responsabilidade do mesmo tamanho e intensidade, me lembra que tenho que pagar o preço. Essa responsabilidade não me incomoda, ao contrário, me estimula e nela buscarei forças desde já, pois a celebração termina amanhã quinta-feira (11) e o trabalho começa na sexta-feira (12), Dia da Criança e usarei este simbolismo para orientar minhas ações. Búzios tem que aprender a dar os primeiros passos. Vamos tratá-la com carinho que dedicamos a uma criança da mais tenra idade.

PH - Depois das primeiras comemorações e a caminhada até o Centro da Cidade o senhor fez questão de ir agradecer os moradores de outros bairros, como foi o caso da Rasa. Que motivo levou-o a tal demonstração de atenção e cuidado? 
- A gratidão em primeiro lugar e evidentemente a consciência absoluta de que Búzios é uma só. Esta imagem da Búzios unida foi se cristalizando dentro de mim desde os primórdios da minha atividade como médico e se consolidou durante a minha passagem como Secretário de Saúde. A liberdade e a ausência de preconceitos vão ser semeadas por nós nos quatro cantos dessa cidade. Não existirão mais privilegiados e esquecidos. Serão todos iguais.
Dia onze, quinta-feira, (a entrevista foi realizada na noite de quarta-feira, 9) estamos realizando uma festa de comemoração, de louvação à vitória, que será realizada no Campo da Rasa. O local  nos pareceu ser equidistante ao acesso de todos. Será sempre assim. Acabou o estigma do Pórtico; ele permanecerá lá como um símbolo do passado de Búzios. Os tempos do Pórtico marcando o início de Búzios é coisa do passado.

PH - O senhor pretende seguir com a proposta do governo do Estado de implantar uma UPA 24hrs lá?
 -Evidentemente que sim, esta 
oferta foi feita pelo Governador e demais autoridades do Estado à cidade de Búzios, em palanque. Imediatamente após a formação do governo de transição, estaremos negociando com essas autoridades para que a promessa se concretize.

PH – E em relação ao ensino integral, programa que no governo atual recebeu o nome de ‘Educação pra Toda Vida’, mas que ocorre, de forma tímida se comparada à proposta original, apenas no âmbito do CEMEI, entidade que faz uso das instalações da Fundação Bem te Vi; pretende continuar com o modelo atual ou existem planos de reinventar esta, que poderia ser uma boa ideia, se levada a todas as unidades educacionais do município?  
- Nosso grupo entende que não faz sentido reinventar a roda. Existem pelo Brasil afora, vários modelos alternativos de metodologia educacional, modelos estes responsáveis pela existência de IDEBs acima de 8,0 (o de Búzios é próximo de 4,0), em regiões de extrema pobreza. A ‘Prova Brasil’ comprova essa realidade. Por outro lado, existem CIEPs no próprio Estado do Rio de Janeiro, também com IDEBs acima de 8,0 e outros, no mesmo Estado, abaixo de 4,0. Os estudiosos da complexidade educacional concluíram que o êxito ou o fracasso estão atrelados à qualidade da gestão, dependem mais dela do que da quantidade de recursos colocados à disposição. Em suma depende mais de gestão do que de dinheiro. Os modelos mais exitosos, indicam que o tempo suplementar num ambiente escolar é fator de ajuste das diferenças de aproveitamento individual, motivo pelo qual, há que se estudar melhor qual modelo adotar. O certo é que a realidade existente será profundamente alterada e que professores e alunos serão inseridos em um ambiente competitivo, no qual, ambos serão premiados pelo mérito verificado. Quem trabalha mais e melhor, ganha mais.

PH - Alguma medida a partir de 2013 para a questão do regime de concessão da Prolagos no município?
A concessão com a Prolagos 
será objeto da mais ampla discussão, quando a participação do município nesta discussão será de parceria a fim de alterar a realidade atual. Nenhuma letra do contrato pode representar uma ameaça à saúde, e ao trabalho e renda (Turismo) do meu povo. Contratos de longo termo, como é o caso, são passíveis de ajustes. O da Prolagos, em questão, tem como objetivo o saneamento, que está sendo subvertido pela realidade da poluição. Esta inversão de objetivos não será tolerada por nós. Este assunto constará em nossa pauta cotidiana até que a solução definitiva seja encontrada.

PH – Como o senhor espera que seja o diálogo com a Câmara Legislativa composta por sete nomes vindos da base do atual governo?
- Os vereadores eleitos merecem de nós todo o respeito e não acreditamos que formem grupos. Temos a certeza de que cada um agirá conforme sua consciência em busca de uma Cidade melhor para todos e assim sendo, estarão alinhados com o nossos propósitos que têm o mesmo fim. Acreditamos que realizando o nosso programa de governo, que é do conhecimento de toda a população e foi vencedor nas urnas, não existirão obstáculos corporativos que possam prejudicar a realização dos sonhos da população. Enquanto Poder Executivo, nos cabe a iniciativa de fazer, realizar o que nos propomos e fomos eleitos para tal. Se assim o fizermos, o povo estará ao nosso lado, unido conosco. Será difícil que alguém enfrente o objetivo comum. Acreditamos também, que o Legislativo é um Órgão Fiscalizador e que existe não para estabelecer confronto com o Executivo, mas para auxiliá-lo na abertura de caminhos legais, na busca de soluções para os problemas de nossa cidade. Assim sendo, o diálogo com o Legislativo será franco, constante e transparente e amplamente divulgado, como deve ser em uma verdadeira democracia.

PH – O senhor já começou a abrir dialogo com o governo do Estado, a fim de garantir novos investimentos para os próximos anos?
Sim. O deputado estadual, Ronald Ázaro, de nosso Partido, e Secretário de Turismo do Estado, já se comprometeu a ajudar. Tenho entrevista marcada com o Secretário Estadual de Saúde para a próxima semana e já estive reunido com o Sr. Alair Corrêa, cuidando de estreita colaboração para agir em benefício da região fronteiriça entre os dois municípios e do incremento do turismo regional. 
Nossa ambição é grande. Nesse particular captaremos recursos disponíveis nos âmbitos estadual e federal, de programas já existentes para a construção de creches, polos esportivos, saneamento e etc... Por oportuno, o deputado Romário, em recente visita, se prontificou a patrocinar iniciativas de mobilização de recursos para nosso município na área esportiva.

PH – A lei da reforma administrativa, 708/2009, criou o que ficou conhecido como ‘Gabinete de Transição’. Como estão as conversas entre sua equipe, e o atual governo para que a transição se dê de maneira republicana, como espera a população de Búzios?  
- Diz a Lei 708/2009, no artigo 240, que o ‘Gabinete de Transição’ será criado, tão logo homologado o resultado das eleições. Este gabinete será constituído por 10 membros; cinco  representantes de cada parte na transição. A entrega do documento, solicitando a instalação do ‘Gabinete de Transição’, será o primeiro contato oficial entre o Governo atual e o nosso grupo. Temos a certeza de que haverá cooperação e respeito `a população buziana, evitando descontinuidade de informação e procedimentos administrativos.

PH – Poderia adiantar alguns nomes para o seu Secretariado?
Evidentemente que estamos discutindo internamente a composição do Secretariado do nosso Governo, mas seria precipitado e inoportuno, citar somente alguns. Foi definido pela nossa estratégia, que tão logo, sejam definidos todos os nomes, o conjunto será revelado à toda população em uma solenidade específica para esse fim.

Comentários