Mensalão: será que é câncer?


article image
A coluna Grita Brasil é publicada às quintas-feiras

Um grave câncer estava maculando gravemente a República
por Claudio Schamis
Mensalão: será que é câncer? Sim, infelizmente é.
Quando se descobriu que o governo Lula estava com sintomas da doença, logo trataram de negar. Diziam que não tínhamos com o que se preocupar, pois tudo indicava que era só uma gripe. No máximo uma virose. Uma virose causada pela oposição que insistia em infectar um “corpo” – leia-se governo – são, enxuto e cheio de disposição.O tempo passou. Muitos enxergavam o câncer lá. Forte. Vigoroso. Comendo todas as (talvez muito poucas) boas células que lá havia. Mas o dono do “corpo” se negava a aceitar. E negava veementemente. Para ele aquilo não era câncer. Não era mensalão.


Então uma “junta médica” representada pela figura do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, resolveu pedir a instância máxima da nossa Justiça, o Supremo Tribunal Federal (STF), que acatasse a denúncia de que havia um grave câncer que estava maculando gravemente a República.
E foi assim que começou o julgamento do pior câncer na história do nosso país.
E ontem as piores células cancerígenas foram apontadas, julgadas e condenadas pelo primeiro estrago: corrupção ativa. Mas não acabou. Ainda falta julgá-los por formação de quadrilha.
Podemos considerar – apesar das manifestações contrárias, que são o cúmulo do absurdo – o dia de ontem como sendo um dos mais importantes e significativos na história da Justiça de nosso país.
Nossa esperança é que o câncer possa ser um dia extirpado e que o sistema esteja sem metástase.
Enquanto José Genoino pousa de santo com "auréola" e tudo mais, Zé Dirceu pensa onde foi que ele errou
O choro justo dos (in) justos!
O choro é até justo. Afinal, a casa rui. A máscara caiu. E a fortaleza da figura pública sucumbiu.
Acabou a mamata. Pelo menos essa.
Não poderia ser diferente, e os principais condenados que fazem parte da quadrilha que atuava dentro do governo Lula, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-presidente do PT, José Genoíno, choraram suas lágrimas de crocodilo e arrotaram sua inocência com um discurso de “homens do bem” e de simples vítimas do sistema.
E agora, Josés?
Parafraseando Drummond: “E agora, José” (Dirceu)?. E agora, José (Genoíno)?
José Genoíno em reunião do PT anunciou sua demissão do governo, onde ocupava um cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, e disse que se retira do governo com a consciência dos inocentes. E indignado, classificou isso como uma injustiça monumental. E aproveitou para acusar a Corte de ser injusta e chamou isso tudo de criminalização da política. E não é que ele está totalmente certo, pois o que fizeram foi realmente um ato criminal.
Pelo lado do outro José, o todo-poderoso, o homem mais influente no governo Lula, o Zé Dirceu, disse ainda do alto do seu salto alto que foi pré-julgado e linchado. E que vai continuar lutando para provar sua inocência. José ainda disse: “Minha sede de justiça, que não se confunde com a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim, será a minha razão de viver”. Não é fofo isso? Eu tô quase chorando. Ou melhor, me debulhando em lágrimas. Ou seria “delúbiando” em lágrimas?
Já Lula, o ex-presidente que não sabia de nada, disse que nesse momento é preciso manter a cabeça erguida. É pode ser. Mas até quando ele vai conseguir manter a dele assim?
No meio do caminho tinha um Lewandowski e um Toffoli!
Enquanto o ministro Toffoli diz que o cara foi chefe dele, Lewandowski continua não enxergando o óbvio
Desculpe Drummond, mas essas duas pedras de nada adiantaram para atrapalhar a Justiça. E como era esperado, o ministro Ricardo Lewandowski tentou levar a coisa para o lado que por muitas vezes só ele enxerga, mas acabou sendo voto vencido. Amém.
E por outro lado o que se poderia esperar do ministro Toffoli senão o de comprovar que não tinha a mínima condição de participar desse julgamento, tentando “desesperadamente” inocentar seu amigo e ex-chefe com quem trabalhou diretamente no Palácio do Planalto, o ex-ministro José Dirceu.
Mesmo assim ainda me causa espanto que o próprio ministro não tenha tido a sensatez de se declarar incapacitado de julgar pelo simples fato de ter laços afetivos com um dos réus. E isso parece que passou batido e o ministro em minha opinião não exerceu a sua função de julgador acima de qualquer suspeita. Felizmente o voto do eminente ministro não comprometeu em nada a justiça esperada e a justiça feita.
Mas que isso foi um papelão, isso foi. Algo que só aqui mesmo para acontecer.
Vale destacar o voto da ministra Carmen Lúcia que fez do seu voto a voz da sabedoria, do bom senso, da justiça e mostrou o que se espera de um ministro do STF. Disse que no caso do primeiro José, o Genoíno, não estava lá julgando o seu passado, a sua história, mas o seu presente, que foi o de atuar nos crimes relatados nos autos. Simples assim. E com relação ao segundo José, o Dirceu, a ministra registou a estupefação dela e a nossa, é claro, pela fala do advogado de defesa, que tratou a coisa como sendo apenas caixa dois eleitoral, como se isso fosse a coisa mais normal. Segundo a ministra, é um absurdo que um advogado diante da Corte diga: “Ora, não declarou porque era ilícito”. Mas na visão dela e de quem é normal, o ilícito não é normal, e caixa dois é crime, é uma agressão à sociedade. Obrigado, ministra.
As pessoas ainda não entenderam que não se está com esse julgamento perseguindo nem gregos, nem troianos, nem os petistas. Está se perseguindo a Justiça, diante da indignação de (quase) todos nós do “vale tudo (no caso) petista”. Tenho certeza de que se o partido envolvido fosse qualquer outro a indignação seria a mesma. Não está se julgando o partido, no caso o PT, mas sim a conduta de políticos que foram votados por aqueles que confiavam neles e que por acaso são do PT. As pessoas cegas confundem exatamente isso. E frente a algumas manifestações de repúdio a essa decisão histórica, fica claro que ainda temos muito que aprender. Pelo visto precisaremos ainda levar muita pancada na cara para que olhos sejam abertos e antolhos arrancados.
Volto a dizer que a fala da ministra corrobora isso. Não se está julgando o passado de ninguém. Nem do Genoino, nem do Dirceu, nem do Lula, nem do PT.
Ainda dá tempo!
As capitais que irão para o segundo turno ainda têm a chance de rever valores e promover uma mudança na história desses estados e do nosso país.
Não se ceguem. Não se omitam de votar com a alma. Votem conscientes.
Não façam como fizeram em Campos, por exemplo, onde reelegeram uma Rosinha Garotinho, depois de tudo.
Então, alô São Paulo, não se deixem levar pelo discurso cativante de Lula. Nem pelos pedidos de Dilma na tentativa de colocar na maior capital do país, um cara deles. Salvem São Paulo.
Pense que para ajudar o candidato do PT, Fernando Haddad, a subir nas pesquisas e acabar conquistando o lugar que era líquido e certo de Celso Russomano, foi preciso dar dois ministérios, visando que Marcelo Crivella que ganhou o da Pesca e Aquicultura ajudasse a pescar os votos dos fiéis da igreja e o ministério da Cultura dado a Marta Suplicy em troca de apoio ao candidato do governo.
Depois, vocês vão ter que aguentar quatro anos.  A bola está com você. Ou melhor, o voto é seu.
Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambiente fechado.

Comentários