O Jornalista é um Herói ou uma prostituta? Nem tanto nem tão pouco.



Por Victor Viana

 Perseguindo a utopia da imparcialidade jornalística 
 Há os que superestimam a profissão de jornalista, talvez iludidos pela Mídia de fofocas que deu um Upgrade na imagem de alguns coleguinhas, fazendo com que o leitor – na maioria das vezes apenas telespectador superficial de telejornais - passasse a ver e crer na função como algo glamoroso.
 Inspirados muitas vezes em personagens de telenovelas, vê o jornalista como um herói acima do bem e do mal. Na outra ponta da corda estão os que – incluso jornalistas - consideram-nos como prostitutas, afinal escrevemos para quem nos paga. Salvo o exagero, o certo é que jornalismo é uma profissão como outra qualquer, e como em qualquer profissão trabalhamos para comprar pão e leite, pagar conta de luz e água, coisas comuns de pessoas comuns.

Gay Talese, pai do New journalism
 Se grandes jornalistas como o veterano Gay Talese decretam a morte do chamado “Repórter Herói” – aquele que antes da TV cobria as guerras e passava informações que muitas vezes contrariavam as dos governos - não se pode confundir em nenhum momento com tal jornalismo “bom mocismo” que é bem comum na imprensa de interior, onde o “ficar em cima do muro” é vendido com a intenção de fazer a população crer que isso seja a tal imparcialidade jornalística.
 É fato e é regra que uma reportagem ou notícia ouça todos os lados envolvidos, isso é o que dará um considerável grau de “imparcialidade” a essa produção, minha humilde opinião, mas que é parecida com a de alguns acadêmicos de nosso oficio, como Nilson Lage e Fernanda Schneider. O jornalista é antes de tudo um ser humano, tem suas convicções e seus signos pessoais que sempre irão influenciar sua visão do fato, é também funcionário ou autor de um veiculo – se freelancer produz já pensando a que veiculo enviará sua produção - e cada veiculo tem sua “Linha editorial” ou sua orientação bem definida do que quer “vender”.
Apurar um fato já conta como um ato de parcialidade. Escolhemos a fonte que acreditamos serem as melhores, os ângulos que pensamos serem os mais próprios, a pauta que imaginamos interessar o leitor ou - quem tem coragem de assumir que assuma – o editor. Quando escrevemos colocamos em colunas encabeçadas por leads o que achamos mais importante ou interessante, a decisão é do jornalista e não do fato. Assumir-se neutro já consta como um ato não parcial, visto que declarar-se assim já é uma posição que se toma diante de alguma coisa.
 O certo é que devamos buscar a tal “Imparcialidade” como uma utopia a ser perseguida de forma a sermos o mais justos possível, sem nos perdemos em ilusões. Quando me perguntam sobre ética jornalística repondo o que li ou ouvi – e não me recordo de quem- que se como jornalista tiver de prejudicar alguém importante pense duas vezes e se for prejudicar alguém que não terá condições de se defender depois, não o faça.
 Aos amigos que estão e estiveram na tarimba concordamos, acredito, que essa é uma profissão maravilhosa, porem espinhosa e que não paga toda nossa dedicação e trabalho, bem diferente do que alguns pensam ser ao ver e confundir o apresentador de Reality show com o repórter, quando ali o mesmo interpreta papéis bem distintos.
 Victor Viana é jornalista, escritor, Assessor de Imprensa, Blogueiro e, antes que alguém o trucide, assiste e gosta do BBB da Globo como qualquer pessoa comum.
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