O voto obrigatório e o fracasso da política


Quem é consciente não pode ser a favor do voto obrigatório.
Quem tem consciência crítica não deveria ser a favor da política. Um é fruto da lei. A outra, de uma concepção transhistórica. A Justiça Eleitoral prevê a possibilidade da abstenção na eleição. Muitos de nós não votamos há vários anos e nem por isso estamos impedidos de exercer nossos direitos. 



A política sempre foi considerada inerente à pessoa humana. Era adequada para regular o funcionamento da sociedade. Por isso, a política ganhou destaque na modernização do capitalismo. Os eleitores escolhiam políticas diferenciadas. As disputas políticas apaixonavam as pessoas. A obrigatoriedade do voto passou despercebida. 

Essa situação mudou completamente com a crise de 2008. A política e seu sistema ficaram atônitos. O Estado socorreu o mercado. Depois o Estado entrou em bancarrota. As dobradinhas ‘Estado e mercado’ e ‘política e economia’ já não funcionam mais. A política começou a girar em falso porque girava em falso a economia. As tentativas de debelar a crise através da política fracassam. Amadureceram as condições para a superação da política. No entanto, não existia nenhuma proposta para isto.

Isso fica evidenciado no atual processo eleitoral. Inexiste qualquer proposta de partido ou candidato que aponte para uma nova sociedade. O socialismo tornou-se retrógrado. Não deveríamos ficar presos à obrigatoriedade do voto. Nem interpretar a política como natural, como instrumento para realizar mudanças. A política está impotente. Tornou-se evidente que a política é uma construção histórica. Nós a inventamos, podemos desinventá-la. 

Não se trata de substituir uma política por outra, mas de superá-la e ao seu sistema, o capitalismo. O fracasso da política está à mostra, o projeto alternativo é a nossa resposta. Por isso convocamos a população para, hoje, às 9 horas, na Praça do Ferreira, vaiar a política e construir a alternativa.

Rosa da Fonseca
rosaradical@uol.com.br
Socióloga e integrante do grupo Crítica Radical

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