Os Tiriricas da Ásia


Políticos novatos desafiam as elites asiáticas tradicionais

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Uma nova força está emergindo na política asiática: o não político – ou pelo menos um político que se passa por tal.
Na Coreia do Sul, a campanha para a eleição presidencial de dezembro foi convulsionada pela candidatura de um independente, Ahn Chul-soo, médico que se tornou um magnata dos softwares antivírus.


O médico e magnata Ahn Chul-soo, candidato à presidência da Coreia do Sul
No Japão, o novo Partido da Restauração do Japão, fundado por Toru Hashimoto, o filho de 43 anos de um chefe do crime organizado que se tornou prefeito de Osaka, tem mais intenções de voto em algumas pesquisas de opinião do que o Partido Democrático do Japão, que está no poder.
Em Jacarta, Joko Widodo (conhecido como Jokowi), que costumava administrar uma empresa de móveis antes de se tornar o prefeito de Solo (Java central), está na dianteira e deve derrotar o partido governante na eleição que aconteceu em 20 de setembro para governador de Jacarta. Os resultados oficiais devem ser divulgados em breve.
O ex-jogador de críquete Imran Khan, que se arrisca como político no Paquistão
No Paquistão, o candidato mais badalado das eleições parlamentares que acontecerá em algum momento dos próximos seis meses é Imran Khan, um ex-jogador de críquete. O sul da Ásia já viu muitas estrelas do cinema e esportistas trocarem sua popularidade por votos. Mas Khan, diferentemente dessas celebridades e assim como Ahn, Hashimoto e Jokowi, se apresenta como um novato em defesa de um novo tipo de política.

Em outros lugares, alguns novatos estão transformando a política sem concorrer a nenhum cargo.
Na Índia, as manifestações anti-corrupção e greves de fome lideradas por Anna Hazare chegaram a ditar os termos do debate político nacional. Na Malásia, de modo semelhante, o governo por vezes pareceu estar mais preocupado com a Bersih, uma campanha em defesa de reformas eleitores liderada por Ambiga Sreenevasan, um advogado, do que com a oposição formal.
Três fatores unem esses três fenômenos bastante diferentes entre si. O primeiro é o fracasso das lideranças políticas fechadas, e em geral dinásticas, em se renovar. Um segundo fator comum é a ira contra a corrupção. Terceiro, o aparecimento dessas figuras acontece na geração acostumada às mídias sociais. O ativista típico desta era é jovem, urbano com educação formal e centenas de amigos de Facebook. A internet e a tecnologia móvel permitem que não políticos consigam aparecer sem o auxílio da máquina de grandes partidos. E, na internet, assim como vídeos engraçados, novos entusiasmos se espalham muito rapidamente.

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