Página demonstra voyeurismo

Enquanto no Egito e em outros países árabes as redes sociais foram utilizadas com uma função social para articular a população, aqui no Brasil ainda se veem muitos casos como o da página Bom dia Metrô, no Facebook. A página demonstra voyeurismo, buscando uma forma de exploração sexual através do olhar mal-intencionado e da publicação de imagens constrangedoras sem o conhecimento das mulheres fotografadas.

A lógica da internet, em que qualquer um pode divulgar informações sem se revelar, abre espaço para os mais variados tipos de comportamento. As mulheres, que sabem o tipo de constrangimento a que podem passar nos ônibus e metrôs das grandes cidades, agora ainda têm suas imagens expostas e compartilhadas por várias pessoas na rede.
Mais do que penalizar adequadamente determinados tipos de comportamento que podem ser enquadrados como pervertidos, falta um aperfeiçoamento da internet para evitar que esse tipo de conteúdo circule tão facilmente. Se por um lado, pessoas que compartilham desse voyerismo necessitam olhar mais para si mesmas e refletir, por outro, cabe à nossa sociedade e, sobretudo aos especialistas da web, saber explorar melhor o potencial construtivo e útil da internet.
Enquanto existir esse risco da internet se tornar uma "rede de perversões", que servem para expor e denegrir pessoas, nossa sociedade ainda estará longe de se livrar da "barbárie" de quem se esconde no anonimato. A internet poderia, e deveria, dar lugar a ações mais construtivas, buscando comportamentos mais humanos e éticos.
* Sueli Damergian é professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Psicologia das Relações Humanas

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