Cachoeira recebe visitas e ganha da mulher cesta de café da manhã


Após 266 dias na prisão, contraventor chegou em casa de madrugada e ficou ao lado de Andressa e dos três filhos menores
Era um dia de folga, mas bem movimentado. Carlos Cachoeira, o contraventor, chegou por volta de 2h30 da manhã ao condomínio Alphaville Cruzeiro do Sul, em Goiânia, para dormir a primeira noite fora da cadeia após 266 dias dentro dela. Conversou com a família e foi descansar. Pela manhã, já era grande a movimentação em frente à luxuosa casa de esquina na Rua Lúpus. Ao menos uma dezena de veículos, com chapas de Goiânia e de Anápolis, alguns com propagandas da eleição da OAB local, estacionaram em frente, num grande entra e sai. Um homem foi chamado para mexer na tubulação de gás. Diversas entregas foram enviadas, entre flores, presentes e outros pacotes, segundo vizinhos.


Da mulher, Andressa, ganhou uma cesta de café da manhã. Fez o desjejum acompanhado dela e dos três filhos menores, que moram com a mãe, Andréa Aprígio, em Anápolis (GO). "A cesta foi pedida pela mulher dele, a Andressa", confirmou o entregador. Na cesta, além de pães e biscoitos, Cachoeira tinha à disposição morangos, chá, geleia, bolo de rolo e manteiga.
Presença certa na casa, além de Andressa e dos filhos dele, era a de alguns dos 11 irmãos de "Carlinhos", como a família o chama, e de parentes da atual mulher, que mais tarde, repetiu brevemente o mantra, de que o contraventor estava "tranquilo" e "feliz".
Andressa, aliás, causou perplexidade anteontem no shopping onde tem uma loja de lingeries em Goiânia. Quando foi informada sobre a expedição do alvará de soltura, saiu pelo shopping aos gritos. "O meu marido foi solto! O meu marido foi solto!"
Se gerou a felicidade da mulher, da família e amigos, a chegada de Cachoeira repercutiu mal entre os vizinhos. "É um absurdo! Como conviver com uma coisa dessas? Que tipos de pessoa vão entrar no condomínio?", indagou um morador, que não quis se identificar.
Sobre a possibilidade de fazer uma festa para a volta de Cachoeira, o sobrinho Fernando Cunha Neto foi taxativo: "Não tem clima para isso! A mãe dele faleceu este ano, o pai está doente." Segundo o advogado do contraventor, Nabor Bulhões, o dia ontem era mesmo de "folga". "Não vamos tratar de nenhum processo, só amanhã (hoje)", disse ao Estado. Foi dia de folga, mas que seguiu movimentada até o fechamento desta edição. / COLABOROU RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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