No Rio, usuários de crack se arriscam ao atravessar Avenida Brasil


Jornal Nacional flagrou dependentes próximo ao Parque União, Zona Norte.

Jovem chega a encostar em carro e caminhão freia para mulher atravessar.



Em mais um flagrante de usuários de crack no Rio, o Jornal Nacional mostrou imagens da espécie de acampamento que os dependentes montaram na Avenida Brasil, próximo ao Parque União, na Zona Norte do Rio. Nesta sexta-feira (9), os dependentes montaram um acampamento no local e circulavam entre os carros, correndo risco de serem atropelados.
Ao atravessar a avenida, os usuários corriam, andavam e até dançavam. Do outro lado da pista fica a Favela Parque União, onde existem pontos de venda da droga. Nos horários de maior trânsito. Passam pela via 220 mil carros por dia e o limite de velocidade é de 80 km/h.
Em meio ao tráfego pesado, pedestres entorpecidos perdem a noção do perigo. Um jovem chega a encostar em um carro e um caminhão chega a parar para uma mulher atravessar. Entre os usuários, é possível ver uma mulher grávida.
No fim de 2011, o Ministério da Saúde anunciou um plano de combate ao crack que prevê a abertura de mais de 13,8 mil vagas de tratamento para dependentes químicos em todo o país até 2014. Em um ano, só foram criadas 574.
Como a grande maioria dos usuários abandona o tratamento e volta para as cracolândias, os especialistas defendem um atendimento em consultórios de rua.
“É uma ideia muito importante, mas eu acho que a gente está muito no início disso. E a gente conta com esse tipo de serviços instalados em muito poucas comunidades. Isso tem que aumentar muito”, diz o pesquisador Francisco Inácio Bastos.
A meta do Ministério da Saúde é criar mais de 300 consultórios. Atualmente, existem 78 no país. Só 3 no Rio. Em média, um consultório para cada mil viciados da cidade.
A Prefeitura do Rio quer adotar a internação involuntária para tratamento no início do ano que vem. Atualmente, no entanto, só existem 44 leitos municipais especializados.


Desde julho deste ano a Prefeitura recebeu do Ministério da Saúde R$ 19 milhões - de um total de R$ 36 milhões - para investir em programas de assistência a dependentes. O município quer usar parte da verba para criar mais 600 vagas em centros de tratamento. Essas vagas serviriam para casos de internação involuntária.
Para o Ministério Público, a legislação só permite este tipo de internação em casos extremos: quando o usuário já recebeu atendimento médico e mesmo assim não largou o vício.
O MP informou, através de nota, na noite desta quarta-feira (31), que a 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Saúde da Capital tem como objetivo a ampliação da rede de saúde mental para atendimento a usuários de "crack", inclusive quanto ao atendimento em internações psiquiátricas involuntárias, que se fizerem necessárias, nos termos da Lei 10.216/01, não tendo qualquer objetivo de imobilizar gestores públicos.
A prefeitura diz que está estudando uma forma de retirar os dependentes das ruas respeitando a lei.
do G1

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