'Fim do mundo' vai ter festa e meditação pelo país



A cinco dias do 'fim do mundo' --pelo menos é o que dizem por aí-- enquanto alguns se dedicam à meditação e à elevação espiritual, outros tantos querem mesmo é festa.
O tempo de oração para uns e baladas para outros se deve aos boatos de que tudo vai acabar no dia 21 de dezembro, ideia baseada principalmente no calendário maia.
A 'folhinha' desse povo, originário da região onde hoje estão México, Guatemala e El Salvador, acaba justamente na próxima sexta-feira. Para alguns, é o prenúncio do fim. Para especialistas, porém, é só o fim de um calendário.


MARIANA DESIDÉRIO
DE SÃO PAULO
AMANDA KAMANCHEK
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para os adeptos da segunda explicação, opções não vão faltar. Quem quiser passar um fim do mundo "de gala", por exemplo, pode optar pela festa do hotel Grand Hyatt (no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo). O ingresso custa a partir de R$ 90, com direito a open bar de espumante, cerveja e comidinhas.
No Rio, vai ter até gente fantasiada. A festa "Tekiller", no teatro Odisseia (Lapa), vai premiar as melhores roupas em estilo mexicano, em homenagem aos maias.
"A ideia é ironizar a crença de que o fim do mundo é agora", afirma Fernando Borges, 30, organizador de um evento em Brasília, no clube Orla.
Para os que ainda têm uma pontinha de dúvida sobre a profecia do fim dos tempos, os especialistas garantem: o tal do calendário maia não diz que o mundo vai acabar.
"Os maias não disseram nada disso. No dia seguinte [ao fim do calendário], começa tudo de novo", afirma Alberto Beuttenmüller, autor de "2012 - A Profecia Maia" (ed. Ground).
Acontece que, assim como o nosso calendário termina em 31 de dezembro e começa de novo em 1º de janeiro, o dos maias começou há 5.125 anos e termina em 21 de dezembro de 2012, diz Beuttenmüller.
Também não há o que temer quanto a outros boatos, como o de que o alinhamento de planetas vai causar uma catástrofe. A Nasa fez até um site para responder a perguntas sobre essas teorias e garante que não há nada do tipo previsto pelos cientistas (tinyurl.com/nasafimdomundo).
Mas se mesmo assim você não ficou convencido, não tem problema. A Terra Vivos, empresa dos EUA que constrói bunkers, diz que existem abrigos na América Latina à disposição de quem quer se proteger do Apocalipse. Segundo a empresa, é possível viver nesses locais por mais de 30 dias, com água e comida estocada.
Um refúgio como este pode até ser útil algum dia. O físico Hiure Queiroz, doutorando do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), diz que a ciência tem, sim, teorias para o fim do mundo, mas para daqui muito tempo. "Temos previsões como a da explosão do sol, mas isso vai demorar bilhões de anos." Até lá, podemos festejar à vontade.
Colaborou LÍVIA SCATENA

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