"A impunidade é muito grande", diz presidente de entidade sobre assassinato de jornalistas


Os assassinatos por encomenda se tornaram uma ameaça maior à vida de jornalistas do que as guerras, segundo Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês), informou o jornal Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (10). "É muito barato matar um jornalista. A impunidade é muito grande", afirmou.
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Presidente da Federação Internacional dos Jornalistas comenta impunidade na morte de jornalistas




"As pessoas acham que a maioria das mortes acontece nas coberturas de guerra, mas isso não é verdade. A maior parte dos assassinatos que nós temos registrado é fruto de perseguição a profissionais que estão fazendo reportagens nos lugares em que costumam trabalhar no seu dia a dia", disse.

Segundo Boumelha, em vários países, matar repórteres tem sido a melhor forma de silenciar um jornal ou interromper uma série de reportagens investigativas. "Na maior parte das vezes, os alvos desses assassinatos por encomenda são jornalistas que não são famosos. Por isso, os crimes acontecem e muita gente nem se lembra dos nomes das vítimas", explicou.
Relatório divulgado pela IFJ no último dia 31 de dezembro de 2012 informa que 121 jornalistas foram assassinados no ano passado durante o exercício da profissão ou em represália por seu trabalho. Síria lidera o ranking com 35 casos, seguindo por Somália com 18.

Em quinto lugar, o Brasil segue à frente de países que passaram por guerras como Iraque e Afeganistão. Foram mortos Eduardo Carvalho, do portal Última Hora News (MS); Valério Luiz, da rádio Jornal 820 (GO); o blogueiro Décio Sá (MA); Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, do Jornal da Praça (MS); Mário Randolfo Marques Lopes, do Vassouras na Net (RJ); e Laécio de Souza, da Sucesso FM (BA).

Ele cobrou ações dos governos para frear as mortes e acusa as Nações Unidas de não tomarem medidas práticas para reforçar a segurança dos repórteres que cobrem conflitos.

As famílias dessas vítimas deveriam se unir para forçar o governo a fazer alguma coisa. Não há nada mais forte para pressionar políticos do que as vozes de viúvas e órfãos.

Sobre a "omissão" da ONU, Boumelha comentou que as posições da organização são muito boas no papel. "O Conselho de Segurança já manifestou preocupação com o assunto, chegou a editar uma resolução para frear as mortes, mas nada aconteceu. Desde que essa resolução foi aprovada, em 2006, já morreram mais de 600 jornalistas", disse.

"O fato é que os assassinatos continuam ocorrendo e a ONU não tem feito pressão política sobre os países para reverter o quadro. Assim que um ano termina, como agora, nós fechamos o relatório de mortes e já temos que começar a contar os novos casos do ano seguinte. O ciclo de violência não termina, permanece constante", finalizou.
do Portal Imprensa

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