Após ‘Adeus, Lenin!’ e ‘A vida dos outros’, o premiado filme ‘Barbara’ estreia no Brasil

Onda de resgate cultural da antiga RDA ganha mais um longa

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Nina Hoss é uma médica punida pelo governo comunista da Alemanha Oriental no longa de Christian Petzold
Foto: Divulgação

    Nina Hoss é uma médica punida pelo governo comunista da Alemanha Oriental no longa de Christian PetzoldDIVULGAÇÃO
    Na teoria, a reunificação da Alemanha começou com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Mas, na prática, ela só se consolidou no nível geopolítico, pois os alemães ocidentais ainda pouco sabem sobre o legado cultural e comportamental de seus compatriotas orientais nas décadas de reclusão impostas pelo regime comunista da antiga República Democrática Alemã (RDA), criada em 1949.


    — O país esteve dividido por muito tempo e, quando o muro veio abaixo, ficou claro para nós que havia um povo completamente diferente do lado oriental da Alemanha, com estilo de vida e cultura próprios, que só agora começa a ser recuperado por livros, reportagens e filmes — conta, por telefone, o diretor alemão Christian Petzold, um dos mais prestigiados cineastas do novíssimo cinema alemão, autor de “Barbara”, que chega aos cinemas brasileiros no dia 11.
    Premiado com o Urso de Prata de direção no Festival de Berlim de 2012 e indicado pelo governo alemão para representar o país no Oscar de produção estrangeira de 2013, o filme é uma das iniciativas do cinema alemão recente de resgatar a memória da vida na Alemanha Oriental — os outros de carreiras mais proeminentes são “Adeus, Lenin!” (2003) e “A vida dos outros” (2006). Entendemos um pouco do que foi viver sob a ideologia do sistema comunista soviético ao acompanhar o drama da personagem-título (Nina Hoss, atriz-fetiche do diretor), uma médica de Berlim Oriental que, em 1980, é punida com a transferência para um hospital de um vilarejo do interior por ter entrado com um pedido de visto de saída do país.
    — “Barbara” foi alimentado por dois livros que li uns dez anos atrás, quando preparava um projeto sobre como era viver na obscuridade. Um deles é “Barbara”, de Herman Broch, ambientado nos anos 1930, sobre uma médica comunista que lutava contra o fascismo; o outro é “Rummerplatz”, de Werner Brauning, que descreve os primeiros anos da RDA, entre 1949 e 1952, e os sonhos daquela geração, que se transformaram em pesadelo — explica Petzold. — O filme fala sobre esse povo, forçado a viver escondido, desconfiando de tudo e de todos à sua volta. E o cinema é o melhor lugar para se falar sobre segredos e opressão.
    Autor de filmes como “Controle de identidade” (2000) e “Yella” (2006), ganhador do Urso de Prata de melhor atriz em Berlim (para Nina), Petzold nasceu numa família de refugiados da antiga RDA. Em sua juventude, o diretor de 52 anos passou vários verões nos gelados balneários do Norte do país, onde viviam tios e primos, enquanto os amigos de colégio iam para as praias da Espanha. Depois da queda do muro, seus pais nunca voltaram a visitar as terras onde nasceram e viveram.
    — Eles jamais conversaram sobre a juventude deles, o que faziam, como viviam, porque eram considerados fugitivos. Acho que, quando eles voltavam à Alemanha Oriental, estavam, na verdade, visitando o passado comunista, que não fazia mais sentido com o fim do muro — teoriza o diretor. — Os alemães orientais viviam em bolhas e, só agora, tanto tempo depois, os alemães ocidentais lançam olhares curiosos e mais sensibilidade sobre a vida deles.


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