Cabo Frio: 4ª maior cidade com homicídios de jovens negros


Recorte do jornal Notociário dos Lagos - Matéria de Victor Viana 
Segundo a pesquisa, “Índice de Homicídios na Adolescência” (IHA), Cabo Frio é a quarta cidade mais perigosa do Estado do Rio de Janeiro quando se trata de homicídio entre jovens, Perde apenas para Itaguaí, Duque de Caxias e Niterói. A pesquisa afirma que 133 mil jovens, de 12 a 18 anos, correm risco de serem assassinados até 2016 no município. Os números das mortes são baseados em dados do Sistema Único de Saúde (SUS).  Essas mortes, segundo estudo, estão sempre acompanhadas de um histórico de desigualdades sociais gritantes e apontam uma espécie de grupo de risco, jovens do sexo masculino, negros e moradores de comunidades das periferias da cidade.  


O professor, escritor e artista, Fábio Emecê, que está a frente do grupo de ação social “Faixa e Gazah”, atuando nas comunidades da Região dos lagos, comenta a afirmação feita pela pesquisa: “ Existe uma vulnerabilidade latente diante de fatores como a cor da pele e local de morada. E muitas dessas mortes são causadas por agentes do Estado. É preciso  se discutir e combater isso como uma obrigação,  promovendo  em Cabo Frio uma campanha contra o extermínio da juventude negra. Pois nem todos que são mortos nas operações desses agentes contra o tráfico nas comunidades  são traficantes,  muitos são meros suspeitos, transeuntes”. No livro “Mapa da Violência 2012 – a cor dos homicídios no Brasil”, de Júlio Jacobo Waiselfiz, mostra-se os parâmetros de que em nenhum dos 100 municípios com mais de 50 mil habitantes (o caso de Cabo Frio) os numero de jovens mortos  foi inferior a 100, o que é considerado pelo autor um caso alarmante e lembra que desses índices o numero de negros é sempre maior que o de brancos. As regiões “periféricas” de Cabo Frio vêm sofrendo há anos com o crescimento da violência, ocasionada além de outros fatores, pelo forte crescimento populacional iniciado há quase três décadas e que não foi acompanhado na mesma proporção por infraestrutura, educação, cultura, capacitação profissional e oportunidades de emprego.  Já em 2009, Cabo Frio foi apontada como a 16ª cidade com maior índice de violência contra jovens do Brasil. 
Desde então uma serie de ações foram implantadas para diminuir os riscos de homicídio juvenis no município, mas diante da constatação de 2012,  mostram que essas ações precisam ser reforçadas e ampliadas como também afirma o Professor Fábio Emecê: “as comunidades carentes precisam de referências como o curso de formação de jovens lideranças negras. Além das ações efetivas proporcionadas pela prefeitura, também atuações que fortaleçam as expressões culturais negras oriundas das comunidades”.  O “IHA” (Índice de Homicídios na Adolescência)publicada no dia 13 de Dezembro do ano passado em uma parceria entre Secretaria Nacional de Direitos Humanos (Unicef), Observatórios de Favelas e Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro ( Uerj). 

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