Furo do IG: repórter revela como apurou repasse de R$ 160 mil para rádio de deputado

Renata Cardarelli
Responsável pela reportagem “Deputado repassa R$ 160 mil da Câmara para sua rádio em São Paulo”, publicada no IG nessa quarta-feira, 30, o jornalista Wilson Lima defende maior espaço para matérias de grande porte no online. O profissional pergunta se o foco em cobertura factual revela apenas a disputa entre sites.“Com a internet, se os veículos se focarem só no factual, qual vai ser o diferencial? Dar cinco minutos antes que o concorrente?”.
Abelardo_Camarinha
Deputado repassou dinheiro para própria rádio, informa o IG (Imagem: Reprodução/Agência Câmara)
Para apurar e fechar o texto - sobre a ligação do deputado federal Abelardo Camarinha (PSB-SP) com uma emissora em Vera Cruz (SP) -, Lima se dedicou ao assunto durante oito dias. “Material bom, queira ou não, precisa de tempo para apurar. Em dois, três dias não dá para apurar uma baita história. Melhor perder tempo com matéria boa, do que meia hora no que todo mundo vai dar”. O espaço dado a conteúdos investigativos é um ponto que o jornalista valoriza no portal onde trabalha. “O IG dá oportunidade de fazer essas matérias diferenciadas, mais parrudas e é isso que dá o diferencial”.




A matéria sobre a ligação do socialista com a rádio Vera Cruz surgiu graças ao levantamento dos gastos de parlamentares, parte mais trabalhosa da apuração. “Fizemos o levantamento de gastos com atividade parlamentar. São 513 deputados; demorou bastante”, conta  o repórter, ao revelar que descobrir o vínculo do político com o veículo foi tarefa fácil. “Quando vi a conta de destinação de verba para a Vera Cruz, acendeu uma luz. 'Dando um Google', percebi a relação dele e do filho com a rádio”.

O jornalista comenta que os leitores se revoltam com informações de gastos públicos em benefício dos próprios parlamentares. Avalia que quanto maior a produção de reportagens denunciando o mau uso da verba pública, aumenta a mobilização da sociedade. “O papel da gente é mostrar. Temos esperança de que as pessoas se mobilizem, mas sabemos e não posso ser inocente de pensar que tudo que escrevemos vai dar resultado prático. Isso no mínimo levanta a reflexão. Já fico satisfeito”.

Comentários