Leitores de jornais não estão envelhecendo


Segundo análise de Alan Mutter, no blog Reflections of a Newsosaur, leitores de jornais envelheceram drasticamente nos últimos três anos: três quartos deles têm agora mais de 45 anos. Um grande avanço, quando comparado aos dados de 2010 – um envelhecimento de 50% em dois anos. Mutter teve como base as informações do Pew Research Center que Tom Rosenstiel levantou de 2010 a 2012. A questão é que a análise não reflete a realidade, revela Rosenstiel em artigo no Poynter [17/1/13].


Primeiramente, os números não batem com nenhuma queda significativa proporcional na leitura de jornais, de acordo com o banco de dados da Pew. Na pesquisa realizada em junho de 2012, 49% dos adultos disseram que leem jornais “regularmente”, a mesma porcentagem de 2010. A porcentagem de adultos que leram o jornal “ontem” teve uma queda sutil, de 31% em 2010 para 29% em 2012, mas nada que reforçaria o tipo de mudança estrutural dramática estimada por Mutter. Dados recentes de tiragem tampouco mostram isso.
Mutter tenta estimar a porcentagem de leitores de edições impressas por faixa etária, comparando com os dados do Pew Research e do Censo. Mas os do Pew são uma amostra de adultos. Ele comparou isso com os dados da população de modo geral, incluindo crianças. Portanto, não está comparando as mesmas populações.
A empresa de pesquisa Scarborough Research produz análises que cobre o caminho por onde Mutter queria percorrer – a porcentagem de leitores de jornais por faixa etária. Os dados da Scarborough, que são baseados em uma amostra de 200 mil pessoas, também mostram, como os da Pew Research, um mudança relativamente menor nos dois anos. Segundo a empresa, 68% das pessoas que disseram terem lido um jornal impresso “ontem” tinham mais de 45 anos, comparado aos 66% em 2010, um queda pequena, mas também não irrelevante, considerando as tendências de longo prazo.
Modelo comprometido
Todos esses números referem-se, no entanto, à leitura das edições impressas. Se for analisado um número mais amplo, a porcentagem das pessoas que leram jornais de algum modo – digitalmente ou no impresso – nos últimos sete dias, a audiência, como um todo, é bem mais jovem. Os números também mudaram relativamente pouco em dois anos: 58% da leitura de jornal foi acima de 45 anos em 2012, comparado a 57% em 2010 – mudança que pode ser explicada mais por variações demográficas do que comportamentais.
De um ponto de vista financeiro, quem leu jornal “ontem” importa bastante. Essa métrica é também a mais precisa, porque é mais fácil lembrar de um dia do que de uma semana. De uma perspectiva sociológica, Rosenstiel também está interessado no uso “regular” e o “semanal”. Um número crescente de americanos não têm uma fonte “primária” para todas as suas notícias. Tampouco o consumo de mídia está numa rotina em padrões diários, como era antigamente quando os jornais chegavam pela manhã e os noticiários na TV eram exibidos apenas em determinados horários específicos. No ambiente social e digital, o consumo é ajustado para enquadrar nosso comportamento – e não o contrário.
A amplitude desses números sugere que o acesso digital está ampliando o alcance da audiência. Os dados da Pew Research sugerem, por exemplo, que a audiência do New York Times está maior, mais jovem e mais diversa devido ao digital. Nem todas as marcas estão crescendo desse modo, mas há dados que sugerem que estamos vendo mais uma migração para novas plataformas do que um abandono de fontes tradicionais.
Por exemplo, em 2012, segundo dados da Scarborough, 68% dos adultos disseram qter consumido conteúdo de jornal nos últimos sete dias, digitalmente ou no impresso. É a mesma porcentagem do que em 2000. Agora, diversos dados – da Reynolds, Pew e outros - sugerem que o rápido crescimento de tablets e smartphones podem ajudar marcas de notícias conhecidas. Com o acesso facilitado à web, por meio de smartphones, as pessoas estão consumindo em formato móvel conteúdo mais aprofundados.
Há poucos dados sobre o impacto das mídias sociais nas notícias. Segundo os da Pew Research, 20% dos adultos americanos regularmente obtiveram notícias regularmente de mídias sociais no ano passado. A web devastou o modelo econômico para produtores de conteúdo e há questões críticas sobre como monetizar a produção de notícias. O comportamento da audiência está mudando rapidamente, com a criação de novas plataformas. Entretanto, frequentemente a discussão sobre o futuro das notícias é mais tecnológica do que empírica.
Tradução e edição: Larriza Thurler

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