No Rio, temporal deixa um morto e mil desalojados


Temporal no RJ deixa um morto e mil desalojados

Em Xerém, distrito de Duque de Caixas, ruas e casas foram destruídas; chuva causou tensão na região serrana e em Angra

Um temporal na madrugada de ontem inundou Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, causando uma morte. Casas e ruas foram destruídas.
Havia trechos com até três metros de barro, trazido pela inundação. A situação foi agravada pela grande quantidade de lixo nas ruas.
A chuva provocou ainda tensão em áreas afetadas por tragédias nos últimos três anos, como região serrana e Angra dos Reis. Em Teresópolis e Petrópolis, sirenes foram acionadas para a retirada de moradores de áreas de risco.
No Estado, mais de 39 mil pessoas foram afetadas pelo transbordamento de seis rios.


Em Duque de Caxias, onde mil pessoas ficaram desalojadas (tiveram de sair de casa) e 250 ficaram desabrigadas (suas casas foram destruídas), a chuva no início da serra, perto da divisa com Petrópolis, ganhou força por volta das 2h30.
O rio Capivari arrastou árvores e terra, formando a tromba-d'água que invadiu Xerém.
Segundo a Defesa Civil estadual, um homem morreu e uma pessoa estava desaparecida. Mas, de acordo com a prefeitura, oito pessoas não haviam sido encontradas.
As cenas de destruição impressionavam, levando a crer que pode haver mais vítimas.
Dilcéia, 42, e Ademir Moraes, 52, ajudaram moradores de casas na beira do rio. "Vimos três carros sendo carregados pelo rio. Muita gente deve ter sido levada pela lama", disse Ademir. Após ajudar vizinhos, o casal voltou para buscar o filho de 17 anos.
Com água no pescoço, Ademir conseguiu fazer mulher e filho escalarem um muro até a casa da cunhada, no segundo andar do terreno ao lado.
"Minha mulher até tentou salvar alguns móveis, mas eu disse: 'Deixa tudo aí e vamos salvar as nossas vidas'."
A aposentada Lair Silveira de Moraes, 65, estava inconsolável. Chorando, explicava que é diabética e hipertensa e seus remédios, assim como todos os seus móveis, foram levados pela enchente. "Moro há 38 anos em Xerém. Nunca vi nada parecido. Perdi tudo."
Segundo o prefeito Alexandre Cardoso (PSB), o acúmulo de lixo nas ruas agravou a enchente. A cidade ficou mais de três meses sem coleta após a derrota de José Camilo Zito (PP), que tentava a reeleição.
Ficaram acumuladas, disse Cardoso, 50 mil toneladas -das quais 3.000 já foram retiradas. "Canais e ralos entupiram."
SERRA E ANGRA
Sirenes foram acionadas pela Defesa Civil em Petrópolis e Teresópolis -duas das cidades afetadas pelos temporais que deixaram mais de 900 mortos em janeiro de 2011. Cerca de 80 pessoas ficaram desalojadas.
Em Angra dos Reis, 2.000 pessoas foram retiradas de casa pelo sistema de alerta dos bombeiros -em 2010, a cidade teve 53 mortes pelas chuvas. Nove casas foram destruídas e 38 interditadas.

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