ONU pede o fim dos ‘horrores’ na Síria


Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon (E), prepara-se para discurso na abertura da conferência de doadores no Kuweit, organizada para financiar as ações de ajuda humanitária da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon denunciou, na quarta-feira (30), os “horrores” incessantes na Síria, pediu o fim da violência e mais ajuda para a região que vive uma situação catastrófica que se deteriora a cada dia.
– Eu faço um apelo a todos os lados e particularmente ao governo da Síria para que parem de matar … em nome da humanidade, parem a matança, parem com a violência. Quantas pessoas serão mortas se esta situação continua? – questionou Ban, durante um conferência de doadores no Kuweit, organizada para financiar as ações de ajuda humanitária da ONU. Mais de 60 mil foram mortas desde que começou o conflito há 22 meses, afirmou a Organização das Nações Unidas (ONU).

Na noite passada, o enviado especial da Organização das Nações Unidas e da Liga Árabe para a crise na Síria, Lakhdar Brahimi, disse ao Conselho de Segurança da ONU que o presidente sírio, Bashar al Assad, poderá ser capaz de se aferrar ao poder por enquanto, mas que o país está “se dissolvendo à vista de todos”, segundo relato de diplomatas à agência inglesa de notícias Reuters.
– A legitimidade do regime sírio foi danificada de forma séria e provavelmente irreparável – disse o ex-chanceler argelino a diplomatas dos 15 países do Conselho.
Ele sugeriu que não houve progressos nos últimos dois meses nas tentativas de encerrar uma guerra civil que já dura quase dois anos e que, segundo a ONU, deixou 60 mil mortos. Segundo Brahimi, a esta altura só o Conselho de Segurança poderia fazer algo – mas Rússia e China, que têm poder de veto, se opõem a qualquer iniciativa que ameace seu aliado Assad. Diplomatas disseram que Brahimi está cada vez mais frustrado com a desunião do Conselho em torno do seu trabalho. Seu antecessor no cargo, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, manifestou a mesma frustração ao renunciar à função, em agosto. O embaixador britânico na ONU, Mark Lyall grant, disse a jornalistas que está confiante na superação do impasse.
– É uma questão agora de reconhecer o que precisa ser feito para colocar um fim ao derramamento de sangue e iniciar uma transição política legítima que tenha alguma chance de atender às aspirações do povo sírio. É horrendo que a brutalidade do regime persista, que o número de mortes esteja subindo o tempo todo, e que o Conselho de Segurança ainda não seja capaz de colocar todo o seu peso por trás dos esforços do enviado especial da ONU – disse ele.
Culpa dos rebeldes
Segundo as agências sírias de notícias alinhadas ao governo do presidente Bashar Al-Assad, os rebeldes islâmicos da Frente Nusra foram os responsáveis pela morte de dezenas de pessoas na cidade de Aleppo (norte), contradizendo relatos de ativistas que atribuíram o massacre às forças leais ao governo. As famílias das vítimas “identificaram vários dos mortos, salientando que a Frente Nusra os sequestrou devido à sua recusa em cooperar com esse grupo terrorista”, disse a agência síria de notícias Sana.
Ativistas de oposição dizem que as forças de Assad cometeram o massacre da terça-feira, em que pelo menos 65 pessoas foram achadas mortas a tiros com as mãos atadas às costas, às margens do rio Queiq, no bairro de Bustan Al Qasr, dominado por rebeldes. Eles divulgaram um vídeo em que aparecem pelo menos 51 corpos masculinos enlameados. De acordo com os ativistas, os corpos foram jogados ao rio, mas boiaram e foram levados pela correnteza até o bairro rebelde. O repórter da Sana disse que o volume de água seria insuficiente para levar os corpos, num sinal de que eles teriam sido mortos na região controlada pelos insurgentes. A Síria restringe o trabalho da imprensa independente, dificultando a verificação de relatos feitos por ativistas e autoridades.
Refugiados
Mais de 700 mil refugiados sírios foram cadastrados em países vizinhos ou aguardam registro depois de fugir da violência decorrente de embates registrados no país entre rebeldes e as forças do presidente Al-Assad, afirmou nesta terça-feira a ONU.
Quando os combates entre as Forças Sírias e o ELS (Exército Livre da Síria, formado por soldados rebeldes) se intensificaram no norte do país, por volta do mês de maio de 2012, os civis foram à fronteira com a Turquia para se refugiar no país vizinho. Mas como o campo de refugiados em Kilis estava lotado, o governo turco não permitiu que eles entrassem no país. O jeito foi ficar por Azaz, dormindo embaixo de caminhões, ao relento e sem nada para comer. A situação era tão deplorável que muitos voltaram para suas casas, mesmo correndo risco de morte. Depois, tendas foram instaladas para abrigá-los e, dessa forma, o campo de refugiados de Azaz foi formado.
No campo há crianças de todas as idades, e até recém-nascidos, que passam as noites na escuridão fria das tendas, entre as mais de 5.000 pessoas que se encontram no lugar. Não há lenha para se aquecer, então os sírios usam os poucos gravetos que encontram, o que não é suficiente. O inverno rigoroso toma conta, mas o conflito não tem data para terminar. As pessoas no campo em Azaz tiveram o seu cotidiano interrompido por causa da violência da guerra. Elas se refugiaram para escapar da morte, mas agora enfrentam traumas, passam frio e sofrem com a escassez de alimentos e de produtos básicos. Além disso, não têm perspectivas de que a situação melhore em breve.
do correio do brasil

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