Sob ‘fogo amigo’, Dilma e Lula avaliam candidatura para 2014


No encontro realizado entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira (25), em São Paulo, segundo interlocutor privilegiado de ambos, em conversa reservada com o Correio do Brasil, o assunto principal foi mesmo a política e a corrida para a sucessão, no ano que vem, com um dado a mais que tanto Dilma quanto Lula e alguns dos principais líderes do PT passaram a avaliar com mais cuidado: o ‘fogo amigo’. Pessoas com influência tanto na direção do partido quanto no Palácio do Planalto estariam manobrando o noticiário na mídia conservadora na tentativa de “causar o maior estrago possível no relacionamento entre Dilma e Lula”.


– Esse movimento já foi identificado e as pessoas que trabalham no sentido de embaralhar o quadro político têm razões bem definidas. Aqueles que, dentro do PT, visam desgastar a imagem da presidenta Dilma têm motivos para querer a volta do ex-presidente Lula ao Planalto. E há quem, na administração de Dilma, preferira ver Lula o mais distante possível de seu antigo gabinete – afirmou.
Os ataques que partem de dentro da própria base aliada, tanto a Dilma quanto a Lula, têm feito a alegria dos meios conservadores de comunicação. A ponto de a revista semanal de ultradireita Veja, nesta sexta-feira, afirmar que a reunião entre o ex e a atual chefe do Estado brasileiro seria “inconveniente”.
Embora o compromisso não constasse na agenda oficial da presidenta, nem do ex-presidente, a publicação afirma que Dilma “irá se reunir com o antecessor no cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, em horário e local não divulgados – provavelmente, no escritório da Presidência da República na capital paulista”, em uma clara alfinetada devido ao rumoroso escândalo que envolveu o ex-presidente e a representante oficial do Planalto na capital paulista, Rosemary Novoa Noronha. A reunião ocorreu, sim, e o Instituto Lula chegou a divulgar uma foto. Sem dizer, no entanto, o local exato do encontro, era possível perceber que o cenário não foi aquele indicado pela revista.
Lula e Dilma, em encontro pela manhã, em São Paulo
Lula e Dilma, em encontro pela manhã, em São Paulo
Não é preciso utilizar a tese do ‘Domínio do fato’, aplicada pela Suprema Corte contra os acusados na Ação Penal 470, para afirmar que a revista tinha conhecimento do feriado desta sexta-feira, na capital paulista, e que nenhuma repartição pública estava funcionando. Logo, se afirmou que haveria no local citado um encontro pessoal entre os dois principais líderes da nação, o motivo foi, mais uma vez, difamar e denegrir aquelas figuras públicas.
– Não estão de brincadeira. O jogo é pesado e conta com o apoio de gente de dentro do PT e da máquina pública – assegurou aquele interlocutor.
A própria revista, com o mesmo caráter dúbio com o qual cita o gabinete da Presidência da República, em São Paulo, usa declarações do deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) e do senador Paulo Paim (PT-RS). Ambos, por meio de seus assessores, negaram ao CdB qualquer intenção de repreender a atual ou o ex-presidente da República por conversar reservadamente, quando e onde quiserem.
– Quem está interessado em prejudicar o desenvolvimento da campanha de Dilma, que será a candidata do PT à reeleição, no ano que vem, com a campanha coordenada pelo próprio ex-presidente Lula, essas pessoas não costumam falar abertamente. Articulam com a imprensa conservadora que, por trabalhar sempre na oposição, aproveita para usar qualquer informação, ainda que sem o menor fundamento, em favor dos interesses muitas vezes inomináveis que move os maiores veículos de comunicação do país. Não é preciso ir muito longe para saber da ligação entre o marginal Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e a revista Veja. A mesma que, agora, capitaneia essa campanha contra os líderes petistas – disse a fonte.
Dilma candidata
A pessoas próximas, a presidenta Dilma Rousseff não esconde mais sua disposição de permanecer no cargo após 2014. Em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele reafirma a sua disposição de permanecer fora da disputa ao Palácio do Planalto e de apoiar sua sucessora. O ponto central da conversa entre eles, em ocasiões diversas, tem sido a questão estratégica para 2014 e um balanço do quadro político-eleitoral resultante da vitória do PT, nas urnas, em um número cada vez maior de prefeituras no país.
A diálogo entre Dilma e Lula também serve, segundo o entrevistado, para alinhavar os detalhes da ação política de Lula em manter, e ampliar, a aliança entre o PMDB e o PSB, além de assegurar a continuidade do arco de sustentação nas esquerdas, em um momento delicado da economia mundial que, “de alguma forma, sempre impacta no cenário interno”.
Lula trabalha no sentido de oferecer um quadro político estável para que a presidente realize, em seus dois últimos anos deste mandato, uma gestão mais eficiente do ponto de vista técnico, mas sem perder de vista o campo político. Neste momento, segundo afirmou o integrante da base aliada ao Correio do Brasil, manter o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como aliado e atuando como um dos pilares da gestão de Dilma, é um dos principais focos do ex-presidente.
Nessa mesma linha, em recente entrevista coletiva, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também avaliou que o articulador natural da base aliada para a eleição presidencial e para as disputas estaduais é o ex-presidente Lula.
– O presidente Lula tem de ser sempre considerado. Quando ele dizia que o Haddad era uma opção em São Paulo, a imensa maioria dos atores políticos afirmava que isso era um absurdo – lembrou o ministro.
Agenda oficial
Nesta sexta-feira, para o encontro entre Dilma e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o governo federal cumpriu uma agenda positiva, com a entrega de unidades habitacionais e ambulâncias, além das assinaturas de protocolos de parcerias nas áreas de Educação e Saúde. A Dilma também anunciou a construção de um câmpus da Universidade Federal de São Paulo e de uma nova sede para o Instituto Federal de Ensino.
Dilma também reforçou a intenção de o governo federal repassar R$ 200 milhões à capital paulista para a construção de 172 creches. A verba está liberada e depende apenas da indicação das áreas pela Secretaria Municipal da Educação. A fase atual é a de buscar terrenos adequados para o início das obras, que são uma das prioridades da gestão Haddad.

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