Em Campos, polícia apresenta suspeito de matar líder do MST


Motivo do crime seria disputa por liderança do Movimento.
MST divulgou nota e negou que suspeito fosse militante do grupo.

Priscilla AlvesDo G1 Norte Fluminense
1 José Renato Gomes foi apresentado na manhã desta sexta (01) em Campos (Foto: Priscilla Alves/ G1)José Renato Gomes foi apresentado na manhã desta sexta (01) em Campos (Foto: Priscilla Alves/ G1)

Depois de uma semana de investigações, a Polícia Civil de Campos apresentou o principal suspeito de ter encomendado a morte do líder do MST (Movimento dos Sem Terra), Cícero Guedes dos Santos. O homem, identificado como José Renato Gomes, de 44 anos, foi detido na última quinta-feira (31) e apresentado à imprensa nesta sexta-feira (1).
Segundo o delegado Geraldo Assed, titular da 134ª Delegacia de Campos, o crime foi motivado por ambição já que José Renato queria tomar o lugar de Cícero na liderança do grupo. Ele foi detido no acampamento dos sem-terra e foi levado para a delegacia sem resistir.​

“Desde sábado, quando o corpo foi encontrado, já tínhamos informações sobre o suspeito. No decorrer da semana, conseguimos provas de que Renato tramou a morte do Cícero. Sabemos que a vítima foi executada por três pessoas, a mando do Renato. Já identificamos duas e estamos em busca dessa terceira pessoa. A qualquer momento podemos ter novas prisões”, disse o delegado Geraldo Assed.Ainda segundo Assed, as investigações apontaram que o suspeito andava armado no acampamento e ainda tinha uma espécie de 'parceria' com integrantes do tráfico de drogas da comunidade da Tira Gosto. O delegado ainda afirmou que três homens costumavam fazer escolta de Renato e usavam armas para ameaçar integrantes do movimento. Esses três são os suspeitos de ter executado Cícero com mais de dez tiros.

Delegado Geraldo Assed, da 134ª DP, apresentou suspeito (Foto: Priscilla Alves/ G1)
Delegado Geraldo Assed apresentou suspeito
(Foto: Priscilla Alves/ G1)
“Descobrimos que ele (Renato) estava ameaçando alguns integrantes do MST. O Renato chegou a vir na 134ª DP para acusar essa outra pessoa, mas descobrimos que o Cícero nunca teve problema com essa pessoa que ele tinha apontado. Então percebemos que o Renato queria confundir a investigação e isso colaborou ainda mais para as suspeitas sobre ele. O Renato queria a liderança a todo custo”, concluiu o delegado.
O delegado Geraldo Assed não quis dar informações sobre as provas que a polícia tem, mas assegurou que são 'firmes'.
Suspeito nega crime e diz que era amigo da vítima
Durante a apresentação à imprensa, o suspeito José Renato Gomes negou a participação no crime e disse que espera justiça.
“Desejo que a polícia, que teve competência para me prender, também tenha competência para descobrir que eu sou inocente. Eu era amigo do Cícero e não tinha motivo para matá-lo. O Cícero sempre passava as coisas boas pra gente. Desejo que a justiça seja feita e que o verdadeiro culpado pague para que eu seja inocentado,” disse José Renato Gomes, 44 anos, suspeito do crime.
MST divulga nota e nega que suspeito faz parte do movimento
Logo após a apresentação de José Renato Gomes como mandante do crime, integrantes do Movimento dos Sem Terra também falaram sobre o caso em uma coletiva de imprensa na sede do Sindipetro. Representantes do grupo elogiaram a eficiência das investigações e negaram que José Renato fazia parte da militância.
“A eficiência da Polícia nesse caso vem aliviar um pouco a tensão permanente em que vivem os acampados, assentados, militantes e apoiadores do MST. (…) Gostaríamos de afirmar, que o acusado não possui, nem nunca possuiu nenhum tipo de vínculo com o MST, não participa de nenhuma de nossas instâncias. O acusado, ao contrário, representava interesses criminosos que, pela força, tentaram dominar o acampamento”, disse um trecho da nota enviada pelo Movimento do Sem Terra.

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