País vive pleno emprego, diz FGV


Para comprovar a tese, economista argumenta que os salários estão crescendo acima da produtividade
Fernanda Nunes, da Agência Estado
A economia brasileira vive uma situação de pleno emprego, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Fernando Barbosa Filho. A informação contraria a interpretação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não reconhece o pleno emprego, apesar das baixas taxas registradas na Pesquisa Mensal de Emprego (PME).


Para comprovar a sua tese, o economista da FGV argumenta que os salários estão crescendo acima da produtividade. "Isso vai gerar problema para as empresas. O mercado só pode responder jogando gasolina na inflação. A tendência é que a pressão nos preços de serviços devido ao mercado de trabalho apertado continue. A indústria não deve ter refresco do mercado de trabalho neste ano", avaliou.
Em janeiro, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), tradicionalmente, é mais alto do que no mês anterior, observou Barbosa. No mês passado, o índice, que corresponde à variação das taxas de desemprego entre dois meses, avançou 2,7%. Em dezembro, a taxa foi de -2,4%. A elevação do porcentual indica mais desemprego.
Apesar deste dado relativo ao mês anterior, o economista ressalta que não foi observada nenhuma tendência de mudança no mercado de trabalho, que deve permanecer em expansão. A expectativa é que a taxa de desocupação da PME deverá se aproximar de 5% em janeiro, segundo previsão do Ibre/FGV. A avaliação é que o mercado de trabalho está, atualmente, no patamar de outubro de 2012.
Apesar da previsão de aumento do desemprego no início do ano, o esperado é uma retomada da contratação no fim do primeiro trimestre, disse Barbosa Filho. A projeção é de uma taxa de desocupação inferior aos 5,5% registrados em 2012.
"Houve uma mudança no perfil do mercado, que passou a ser puxado pelo setor de serviços. A tese de crescimento da ocupação por causa da retenção da mão de obra pela indústria não me convence. Isso pesaria no bolso do empresário. Não podemos acreditar em um otimismo infinito da indústria", argumentou.

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