Aeroporto de Cabo Frio é fechado por manifestantes em protesto a perda dos royalties



Fotos: Telma Flora
Reportagem: Walmor Freitas 
Aloysio Balbi
O prefeito de Búzios, André Granado



A derrubada do veto da presidente Dilma Rousseff aos royalties do petróleo pelo Congresso provoca protestos no Estado do Rio. Na Região dos Lagos, as prefeituras de Cabo Frio, Búzios, São Pedro d’Aldeia e Arraial do Cabo liberaram funcionários e convocaram uma manifestação.
O prefeito de São Pedro da Aldeia, Chumbinho

Em cima de um trio elétrico, os prefeitos Alair Corrêa (Cabo Frio) André Granado (Búzios) Claudio Chumbinho (São Pedro da Aldeia) Graziela Magalhães (Iguaba Grande) e Andinho (Arraial do Cabo) convocaram moradores e comerciantes a seguirem em carros, motos, bicicletas, caminhões para o aeroporto internacional de Cabo Frio. O aeroporto tem pista acima de 2.500 metros e mais de mil pessoas costumam usar o aeroporto por dia em função do offshore.

A prefeita de Iguaba, Graziela

— O objetivo é mostrar ao país a força da região que pode paralisar todo o sistema ligado ao petróleo. E contamos com a sensibilidade da presidente Dilma — disse o prefeito Chumbinho.
Depois de 20 minutos de reunião entre os prefeitos da Região dos Lagos e a direção do Aeroporto Internacional de Cabo Frio, o prefeito Alair Corrêa de Cabo Frio anunciou o fechamento do aeroporto a partir das 14h.
O presidente da Câmara de Vereadores, Marcello Corrêa

— Podem todos voltar para suas casas porque a direção do aeroporto confirmou que está solidária com nosso movimento em protesto pela perda dos royalties — disse Corrêa, diante de mais de mil pessoas, segundo os cálculos da Polícia Militar.
Protesto no Aeroporto

Dois dos cinco carros da PM deslocados para o local ficaram patrulhando o entorno. Os manifestantes usavam fita preta nos braços, em sinal de luto pelos prejuízos que a retirada dos recursos acarretará.

Ao lado dos prefeitos, o presidente do Grupo Libra Aeroportos, Pedro Orsini, confirmou que todas as decolagens no Aeroporto Internacional de Cabo Frio estão paralisadas, e apenas as aterrissagens das aeronaves que já estão no ar e com previsão de aterrisar ainda hoje serão recebidas.
— Também somos servidores públicos e nesse momento estamos ao lado os prefeitos e da população. Temos em média 40 pousos e decolagens e cerca de mil pessoas circulando no aeroporto. Agora, tudo está parado — disse Orsini.


O ambientalista Ernesto Gallioto tinha planos de voar em seu avião monomotor, para aproveitar o céu azul e de poucos ventos, mas não conseguiu nem abastecer a aeronave.
— Já conversei com a direção e meu piloto não foi autorizado a abastecer. Terei que esperar até amanhã se o dia estiver bonito. Mas sou parceiro com esse movimento de paralisação — disse o ambientalista.

No pátio do aeroporto, 12 helicópteros que fazem a rota Cabo Frio e plataformas de petróleo estavam paralisados. A maioria dos pilotos e funcionários retornou para casa. O aeroporto está fechado por tempo indeterminado.
— Estamos aguardando a negociação e é importante porque a manifestação é pacífica e isso chegue à Brasília — disse Orsini.


Protestos em vários municípios
Já o prefeito de Búzios, André Granado, disse que será preciso repensar todo o trabalho do sexto destino turístico do país com a queda do veto.
Granado disse que o orçamento de Búzios para 2013 é de R$ 204 milhões dos quais 40% provêm do petróleo.
— O orçamento fica comprometido e teremos que rever até para manter os serviços essenciais. Acredito muito na Justiça brasileira que não vai permitir essa covardia contra nosso estado e nossa região — disse o prefeito de Búzios.
A prefeita de Iguaba Grande, Graziela Magalhães (PP), lamentou a decisão do Congresso.
— Programamos todo nosso trabalho e orçamento em cima desses valores. Somos um município pequeno e agora ficamos prejudicados sem os royalties. Mas ainda acreditamos na presidente Dilma para evitar o pior — disse Graziela.
Invasão a heliponto tentou impedir trabalho de funcionários da Petrobras
Campos, maior município produtor de petróleo do país, acordou protestando contra a perda dos royalties. Na véspera da votação, na quarta-feira, já haviam interditado por duas horas a BR-101 que liga o Sul ao Nordeste do país. Nesta quinta-feira, os manifestantes praticamente fecharam o espaço aéreo, pelo menos para os helicópteros que levam e trazem trabalhadores da Petrobras e terceirizadas das plataformas de petróleo.
Trinta e sete vôos que partiriam do heliporto da Petrobras em Farol de São Tomé e do aeroporto Bartolomeu Lysandro ambos localizados em Campos teriam sido suspensos porque manifestantes ocuparam as entradas. Mais de mil petroleiros deixaram de embarcar.
No Bartolomeu Lysandro os manifestantes chegaram a ocupar o saguão e até mesmo a pista. A Policia Militar foi acionada. A Policia Federal também mobilizou equipes para o local e até vôos regulares da linha Campos-Rio foram suspensos na parte da manhã. Neste aeroporto os manifestantes chegaram em uma caravana tendo à frente um trio-elétrico.
O Heliporto de Farol também foi ocupado e chegou a haver confusão, com vidraças quebradas. Cerca de 200 manifestantes fizeram uma barreira humana impedindo embarque e desembarque.
A Petrobras se limitou a confirmar que “parte dos voos” foram cancelados, mas não informou quantos, nem quantos petroleiros ou unidades foram afetados pelo protesto.
“Todas as medidas para minimizar os transtornos causados pela ocorrência estão sendo tomadas pela companhia”, afirmou a empresa, por meio de sua assessoria.
Hospital tem 60% da verba dependente de repasses
A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, esteve nos aeroportos e pediu para que a manifestações fossem pacificas. Segundo Rosinha, a presidente Dilma teria se comprometido editar uma medida provisória válida por 60 dias e prorrogada por mais 60 dias para que os royalties não fossem suspensos imediatamente, mas que por enquanto nada havia sido feito.
— A região vai parar, não é só Campos, toda região e até o Espírito Santo. Só para se ter uma ideia do prejuízo para Campos sem os royalties, vou citar alguns exemplos: as bolsas universitárias, todas serão suspensas. Todas as obras que estão em curso na cidade vão ter que parar. A coleta de lixo vai ficar comprometida e passagem social que hoje custa R$ 1 vai acabar. Será um caos e não posso impedir que os campistas não se manifestem — disse a prefeita.
O diretor do Hospital Plantadores de Cana, Frederico Paes, disse que 60% dos recursos que mantêm a unidade funcionando estão nos royalties do petróleo, que são repassados pela Prefeitura Municipal de Campos, e apenas cerca de 10% a 15% vêm do Ministério da Saúde.
— Muita coisa em Campos vai ser comprometida. Não se muda a regra do jogo assim. Não temos condições que segurar essa situação. Falaram tanto que a região não tinha impacto com a exploração de petróleo? Pois bem, não fazem conseguir suportar o impacto da perda — disse Paes.
No início da tarde, representantes da OAB entraram em entendimento com manifestantes e policiais quando ficou decidido que as manifestações se estenderiam até as 16h.
Em São João da Barra, outro município fluminense produtor de petróleo, a prefeitura convocou a população para protestar fechando a BR-356 na altura da localidade de Caetá.
Todos os prefeitos afirmaram que terão que fazer corte nas folhas de pagamento, suspender obras e interromper pagamento aos fornecedores.


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