Após receber várias ameaças, repórter policial é assassinado com dois tiros

Jéssica Oliveira*
No começo da madrugada de sexta-feira (8/3), o repórter policial, radialista e bacharel em Direito, Rodrigo Neto, foi assassinado em Ipatinga (MG), informou o portal do jornal Vale do Aço, publicação em que ele trabalhava. Constantemente ameaçado, ele tinha certeza que as intimidações eram motivadas por sua atividade profissional.
Crédito:Reprodução

Jornalista estava sendo ameaçado em razão de seu trabalho


Natural de Caratinga, o repórter apresentava há anos o programa "Plantão Policial", na Vanguarda AM, a rádio de maior audiência na região, e havia retornado para o jornalismo impresso, no caderno de polícia do Vale do Aço, há cerca de uma semana. Também bacharel em Direito, ele se preparava para prestar concursos públicos. Seu objetivo era ser delegado.

Crime
O jornalista e um colega estavam no "Baiano do Churrasquinho", no bairro Canaã, local que ele costumava frequentar. Quando Neto abria a porta de seu automóvel, dois homens em uma motocicleta, usando luvas e capacetes fechados, se aproximaram, dispararam e fugiram.

O portal do Vale do Aço afirma que o radialista levou dois tiros de arma calibre 38 - um na testa e um no peito. Mas de acordo com o portal R7, o delegado responsável pelo caso, Ricardo Cesari, afirmou que Neto foi atingido por cinco tiros.

O delegado disse também que ainda é cedo para definir uma linha de investigação. E ressaltou que o Departamento de Homicídios está empenhado em levantar informações sobre o caso.

Neto chegou a ser socorrido com vida e foi levado para o Hospital Municipal de Ipatinga, no bairro Cidade Nobre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O jornalista era casado e deixa um filho.

Característica que incomodava
"O Rodrigo sempre se pautou por ser um jornalista muito incisivo", afirma um colega da imprensa local, que preferiu não se identificar. "Sempre foi um repórter investigativo muito contundente", acrescenta.

Segundo ele, Neto tinha uma característica que o diferenciava. "Ele acompanhava o desenrolar dos fatos. Geralmente, o repórter faz o factual e esquece. Ele não. O Rodrigo tinha uma agenda muito boa, fazia uma ótima apuração. Esse diferencial incomodava muita gente", afirma.
Neto recebia ameaças há muito tempo e teria relatado várias vezes. Telefonemas e pessoas o vigiando em locais públicos foram levados ao conhecimento do Ministério Público e do Judiciário. "Fica a sensação de insegurança", comenta. "Não mataram só um cidadão, mas um profissional da imprensa. Deram um tiro na liberdade de expressão", denuncia.

A imprensa local pede que seu assassinato seja investigado e esclarecido com rapidez, empenho e dedicação. Neto será velado às 15h na capela do Cemitério Senhora da Paz. O sepultamento acontece no próximo sábado (9/3), às 10h, no mesmo local.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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