Churrasqueira elétrica pode ser perigosa


Churrasqueira Cotherm Elite Grill, a única aprovada sem restrições
Foto: Divulgação
Churrasqueira Cotherm Elite Grill, a única aprovada sem restrições

Quatro dos seis modelos testados oferecem risco de queimadura ao se retirar a grelha do suporte


Conseguir assar um churrasco suculento na cozinha ou na varanda do apartamento é o sonho de muita gente que compra churrasqueira elétrica. No entanto, de seis modelos disponíveis no mercado nacional, apenas dois foram aprovados pela Proteste — Associação de Consumidores. Os demais apresentam risco de queimadura para o usuário.



LUIZA XAVIER
Em dezembro passado, quando faltava um mês para a certificação obrigatória desses aparelhos, estabelecida pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), foram levados ao laboratório da Proteste os seguintes modelos: Cotherm Elite Grill, NKS Mais Você TSK 6619, Fischer Grill, Heynox Pampa Inox Grill, Layr Diet, Mondial Weekend I. Apenas os dois primeiros fabricantes já cumpriam todas as exigências de segurança. Mesmo assim, o modelo da NKS não passou no teste da ligação do aterramento, podendo causar choque. Com isso, diz a Proteste, as opções de compra do consumidor ficam muito restritas.
— Ficamos surpresos com o fato de alguns desses aparelhos ainda serem inseguros para o consumidor. E eles são muito populares. As pessoas colocam em sacadas, dentro de casa, e não sabem o perigo que correm — afirma Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste.
Segundo a associação, os testes realizados seguiram as normas brasileiras, avaliando potência e corrente absorvidas, ligação de alimentação e cordões flexíveis externos, ligação de aterramento e aquecimento e desligamento da resistência quando fora do suporte.
O problema que eliminou as churrasqueiras das marcas Fischer, Mondial, Layr e Heynox foi o fato de estes aparelhos continuarem esquentando mesmo quando a grelha do suporte é retirada. Segundo a Proteste, a resistência que gera o calor deveria ficar ligada apenas quando o aparelho estivesse montado, pronto para uso. “Nesse caso, o ideal é que a resistência permaneça fixa à bandeja que apoia a grelha, e não apoiada à própria grelha, como aconteceu com as marcas eliminadas”, informa a entidade, que alerta: se a grelha for retirada do suporte com a resistência ainda ligada, quem estiver utilizando a churrasqueira poderá sofrer queimaduras graves, caso toque na grelha sem perceber que ela ainda está quente.
A Proteste já havia testado churrasqueiras elétricas em outras duas ocasiões. Em 2007, sete marcas foram eliminadas por falhas de segurança elétrica. Três anos depois, em outra avaliação, os resultados foram melhores, com apenas um aparelho apresentando risco para o consumidor.
Certificação para segurança
O risco de queimadura, porém, não foi a única falha encontrada durante os testes de laboratório. A churrasqueira da Heynox “tem problemas com o cabo de alimentação: sua cobertura protetora é frágil e a forma como é preso no corpo do aparelho não é apropriada, podendo causar danos caso ocorra um puxão repentino do cabo”, destaca a associação.
Além disso, tanto os equipamentos da Heynox, quanto os das marcas Mondial e NKS não apresentam aterramento, “um item de segurança que minimiza o risco de choque proveniente de mau funcionamento ou de curto-circuito, principalmente em aparelhos metálicos”, destaca a Proteste. A falta de um correto aterramento, de acordo com a associação, “limitou bastante” a avaliação da churrasqueira NKS, mas não a ponto de eliminá-la do teste.
— Chamou nossa atenção também o fato de algumas marcas que já apresentam a certificação não cumprirem alguns dos requisitos necessários para obter o selo de segurança. Um produto colocado no mercado precisa ser seguro para o consumidor. Essas empresas estão desobedecendo as normas — afirma Maria Inês Dolci, da Proteste, acrescentando que esse tipo de avaliação de produtos “ajuda a melhorar o mercado”.
O resultado dos testes foi encaminhado pela associação ao Inmetro com o pedido para que intensifique a fiscalização. O instituto, por sua vez, diz considerar importante receber contribuições que possam ajudar no aperfeiçoamento dos regulamentos e programas de avaliação da conformidade de produtos. No caso específico, destaca o órgão, a Portaria 371 determina um novo programa para diversos eletroeletrônicos, com foco na segurança.
“Nas avaliações de manutenção efetuadas anualmente pelo Inmetro em produtos já certificados, incluindo todos os fabricantes e importadores, o instituto elimina sistematicamente do mercado todos os produtos que apresentam problemas ou não conformidades com o regulamento”, informa a nota encaminhada pelo órgão.
A versão das empresas
Em nota, os fabricantes de modelos reprovados pela Proteste comentaram o resultado da avaliação. A Mondial diz que atende a todas as normas brasileiras e que seus produtos são certificados pelo Inmetro. “A Proteste, em seus ensaios, usa referências de normas não obrigatórias no Brasil”, afirma a empresa.
A empresa Irmãos Fischer contesta o resultado dos testes, informando que o produto em questão está dentro das normas técnicas, devidamente certificado e que é submetido a “rígidos controles de qualidade”. A empresa diz ainda que desconhece a norma técnica que a Proteste cita como tendo sido desrespeitada.
A Layr destaca que a churrasqueira que fabrica é certificada pelo Inmetro e que a norma técnica citada pela Proteste está sendo analisada pelo departamento de engenharia da empresa. “Após isso, tomaremos as medidas mais adequadas visando à maior segurança para nossos consumidores.”
Já a NKS informou que o produto avaliado foi certificado seguindo todas as normas aplicadas a esta categoria de produtos, “de acordo com a Portaria 371 do Inmetro, onde o produto foi aprovado em todos os quesitos”. A fabricante acrescenta que, para melhorar o desempenho do produto, o modelo avaliado pela Proteste será substituído por outro “já seguindo as novas normas do Inmetro com vigência a partir de 2014”.
A fabricante Heynox não encaminhou o comentário sobre o teste, conforme solicitado pelo GLOBO.


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