Em Rio das Ostras, estupros são denunciados no Dia da Mulher

Em 2012 foram 52 estupros contra mulheres registrados em Rio das Ostras.
Em Macaé, manifestantes pediram construção de creches.
Manifestante usa camisa  "Chega de estupros em Rio das Ostras" (Foto: Mina Capone/ Arquivo Pessoal)
Manifestante usa camisa "Chega de estupros em Rio das
Ostras" (Foto: Mina Capone/ Arquivo Pessoal)

O Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem (8), foi marcado por manifestação de moradores e movimentos sociais em Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, com o objetivo de alertar sobre uma estatística preocupante: o grande número de estupros cometidos na cidade.
O alerta vem de pessoas e organizações que trabalham com mulheres que sofreram violência no município. Um grupo, denominado "Chega de Estupros em Rio das Ostras" ,  partiu da inciativa de professores da Universidade Federal Fluminense, e também foi criado para debater o tema e pensar em ações que ajudem no combate à violência.
“Criamos uma carta com 24 reivindicações que será entregue ao poder público. Criamos o grupo porque também somos moradores e ficamos impressionados com a violência de gênero na cidade, principalmente com os estupros”, explicou a professora de Serviço Social Paula Sirelli.


Nesta sexta-feira (8) o grupo se concentrou na Praça José Pereira Câmara, no Centro de Rio das Ostras, com cartazes, cartilhas sobre violência e materiais para chamar a atenção da população. Elas reivindicam, entre outras coisas, aumento do policiamento, construção de uma delegacia da mulher, iluminação pública, capina de terrenos baldios, capacitação de profissionais que atendem mulheres e campanha educativa nas escolas.
Movimentos pedem fim dos estupros (Foto: Mina Capone/ Arquivo Pessoal)
Movimentos pedem fim dos estupros
(Foto: Mina Capone/ Arquivo Pessoal)
Em 2012 foram 52 estupros contra mulheres registrados em Rio das Ostras. Já no estado do Rio de Janeiro, de acordo com informações do Instituto de Segurança Pública, 6.029 foram registrados, número superior ao de 2011, de 4.871.
“A gente só pode acompanhar os casos que nos são enviados, ou os que nos procuram. Só podemos fazer acompanhamento dos números registrados. Atendemos casos de violência em geral, mas ainda há um número baixo, pelo fato de as pessoas não terem condições de fazer registro, algumas têm medo”, relata a Coordenadora da Casa da Mulher de Rio das Ostras, Andrea Morata. Na cidade, a casa, que reúne cerca de 40 mulheres, é a única instituição que atende as vítimas de violência. “Encaminhamos ao hospital e fazemos um acompanhamento social e psicológico, vamos à delegacia e damos todo o suporte”, acrescenta.
Em Macaé, grupo pediu  construção de creches
Sindicato faz abaixo-assinado por construção de creches (Foto: Divulgação)
Sindicato faz abaixo-assinado por construção de creches
(Foto: Divulgação)
Na cidade de Macaé, no Norte Fluminense, o Dia Internacional das Mulheres também foi marcado por mobilização. Profissionais da Educação do município se reuniram na Praça Veríssimo de Melo, no Centro. Elas pedem a construção de 70 creches e berçários na cidade.
“Na cidade 11 mil crianças estão fora das creches, fazendo com que algumas mães fiquem reféns das creches privadas e dificultando que as mulheres trabalhadoras tenham independência financeira”, disse Sabrina Luz, Coordenadora do Sindicato dos Profissionais de Educação em Macaé. O sindicato disse estar construindo um abaixo-assinado que será entregue em Audiência Pública, no dia 27 de março, com a Secretaria de Educação.
“Aproveitamos para denunciar a questão da violência doméstica, dos estupros que vêm crescendo na nossa cidade, no estado do Rio de Janeiro e no país. É fundamental que o novo prefeito faça investimentos em delegacia de mulheres, creche e transporte público noturno”, acrescentou Sabrina.

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