Opinião | Dia da Mulher: Chega de hipocrisia e de cinismo


SOS Dirlei
Sempre fui meio avesso a datas comemorativas. Quando ainda criança, mesmo vivendo dentro do mato e completamente excluído da civilização, já tinha opinião formada a esse respeito.
É o caso, por exemplo, do Natal. Na minha adolescência não foram poucas as vezes que participei de peças teatrais em minha igreja, a Igreja Batista do Araçá. E não foram poucas também as vezes que me manifestei afirmando que o Natal não devesse ser comemorado apenas e tão somente no dia 25 de dezembro.  Já ouvi uma canção, me parece que do Padre Zezinho, que diz assim:


Tudo seria bem melhor

Se o Natal não fosse um dia

E se as mães fossem Maria

E se os pais fossem José

E se os filhos parecessem

Com Jesus de Nazaré

O fato é que assim como no Natal o que menos importa é o aniversariante Jesus, muitas outras datas foram criadas exclusivamente para troca de presentes ou para “comes e bebes”.

E com o dia da mulher não é diferente.

O depoimento abaixo é de uma mulher que prestou queixa contra o marido numa delegacia do Rio de Janeiro.

Eu tenho roxos em todo o meu rosto, em minha cabeça e o nariz quebrado. Prestei uma queixa, ele será processado, mas nada vai impedir realmente que ele siga com a vida dele. Ele provavelmente só terá que pagar uma multa ou fazer serviço comunitário”.

Esta mulher tem razão. A cultura machista ainda é um grande obstáculo para a Justiça em relação à violência contra a mulher.

As estatísticas são assustadoras: no Brasil, a cada hora dez mulheres foram vitimas da violência em 2012. Significa dizer que enquanto escrevo mais dez mulheres estarão sendo violentamente agredidas.

Mas não quero me ater apenas à agressão física. A violência psicológica e a violência sexual são formas tão ou até mais agressivas que a primeira, e por duas razões: por serem imperceptíveis socialmente e porque normalmente são toleradas pela família, pelas autoridades policiais, assim como pela própria sociedade.

A violência psicológica e sexual não causa hematomas, não causa manchas roxas no corpo e muito menos quebra ossos. Mas causa uma dor ainda maior e infinitamente mais profunda, que é a dor da perda da autoestima, da perda da paz, da perda do sono e da perda da felicidade. Se o estupro físico é a prática forçada de sexo, roubar os sonhos de uma mulher é também uma forma nada sutil de estuprá-la, com consequências psicológicas e emocionais na maioria das vezes também irreversíveis.

Muitos monstros que a sociedade convencionou chamar de homens posam de bons moços na rua, mas na vida privada, em casa constrangem suas mulheres a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou até o uso da força. Esses homens são iguais àqueles “túmulos caiados” citados por Jesus ao se referir aos escribas e fariseus, que por fora podem até ser bonitos e parecerem formosos, mas interiormente estão cheios de podridão.

Vem daí meu mais veemente questionamento em relação ao estabelecimento de certas datas comemorativas.

Nada contra um buquê de rosas ou um jantar no aniversário ou no dia da mulher, desde que, nos outros 364 dias do ano, a mulher tenha o direito à dignidade, o direito de falar abertamente sobre como se sente, o direito de não ser ridicularizada, o direito de não ser desrespeitada, criticada e gratuitamente humilhada, o direito de não ser isolada da família, dos amigos e da sociedade.

Do contrário tudo não passará de hipocrisia, de falsidade e de mau-caratismo.

A essência da mulher criada por Deus é a pureza, a ingenuidade e a inocência. E violentar essa essência é atentar contra a vontade do próprio Deus, o Criador.

Raça de víboras, serpentes, chega de hipocrisia e de cinismo! Quem ama não briga, não bate e não agride. Quem ama não humilha e não rouba sonhos. Quem ama protege. Quem ama cuida.
http://www.sosdirlei.com.br/2013/03/dia-da-mulher-chega-de-hipocrisia.html

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