Herói de título em Cabo Frio, Tiguinho está nos EUA há seis anos e é ídolo no sexto esporte mais popular do país, segundo pesquisas


Fama, prêmios e títulos: brasileiro faz sucesso no showbol americano

Por Tébaro Schmidt*
Kansas, EUA
Há seis anos nos Estados Unidos, Luis Guilherme Navega Dias é um ídolo. Não no basquete, não no beisebol, muito menos no futebol americano, esportes com extremo índice de popularidade no país. Aos 28 anos, Tiguinho - como é conhecido o atleta que saiu de Cabo Frio, Região dos Lagos do Rio -, faz sucesso em uma modalidade pouco conhecida, apesar do crescimento recente: o showbol americano. Melhor novato da Liga nacional, craque da semana, craque do mês, jogador que mais pontuou em uma única temporada, maior contratação, dono do recorde de maior número de assistências e quatro vezes vice-campeão nacional... Tiguinho é uma das principais estrelas da Major Indoor Soccer League (MISL).
Tiguinho, jogador de show bol americano (Foto: Divulgação)Tiguinho faz a tradicional entrada para um dos jogos da Liga americana de showbol (Foto: MISL/Divulgação)
- Ser reconhecido e ter seu trabalho valorizado fora do país de origem tem um gostinho especial -, conta Tiguinho, que chegou aos Estados Unidos em 2007, logo depois de se destacar na primeira conquista a nível estadual do Cabo Frio Futsal. As propostas, segundo ele, foram muitas, mas uma despertou seu interesse: atuar profissionalmente pelo New Jersey Ironmen na MISL. Lá, de cara, deparou-se com ninguém menos que Tony Meola, o goleiro que defendeu a Seleção Americana na Copa do Mundo de 94 nos Estados Unidos. As conquistas vieram de forma instantânea, assim como tudo que o cercava em sua nova casa.
Tiguinho, jogador de show bol americano (Foto: Arquivo Pessoal)
Torcedores levam máscara com o rosto de Tiguinho
aos jogos da MISL (Foto: Arquivo Pessoal)
- Minha adaptação no New Jersey Ironmen foi muito rápida e importantíssima para que eu pudesse ter sucesso. Não é fácil chegar e conseguir jogar logo de cara, pois tem a questão da língua e do frio. Mas consegui superar tudo isso e ir bem - contou Tiguinho, que, logo na primeira temporada, levou a equipe à final da Liga. O time do brasileiro ficou com o vice-campeonato, o que não o impediu, no entanto, de receber o prêmio de melhor novato da competição por ter marcado 15 gols e feito oito assistências em 20 jogos.
A confiança dos jogadores e torcida vieram junto com a camisa 10 da equipe. O rendimento do atleta na Liga, por consequência, se mantinha em escala progressiva, assim como o entrosamento com os companheiros de time. Tiguinho ia se sentindo cada vez mais à vontade em terras estrangeiras. Quem ganhou com isso foi NJ Ironmen, que chegou novamente à final da MISL, mas acabou ficando com o segundo lugar mais uma vez.
Aqui, os fãs tem muito respeito por nós, acompanham todos nossos passos, colecionam nossos produtos, vão a todos os jogos, deixando as arenas lotadas"
Tiguinho
Dois vice-campeonatos consecutivos. Nada que ofuscasse a estrela do brasileiro, eleito, em sua segunda temporada nos EUA, craque da semana por três vezes e craque do mês por duas. O suficiente para conquistar uma legião de fãs.
- Aqui, os fãs tem muito respeito por nós, acompanham todos nossos passos, colecionam nossos produtos, vão a todos os jogos, deixando as arenas lotadas - diz o jogador.
Recordes, prêmios individuais e a ausência de um título
Tiguinho, jogador de show bol americano (Foto: MISL / Divulgação)
Tiguinho está há seis anos nos EUA e coleciona
prêmios individuais (Foto: MISL / Divulgação)
Em 2012, Tiguinho acertou sua ida para o Wichita Wings, do estado de Kansas, no que foi a transferência mais cara da temporada: $100 mil. Um número que não pode ser comparado às negociações do futebol, por exemplo, que movimentam milhões a cada mudança. Mas, sem dúvida, um destaque no esporte que ainda busca seu espaço no país. E esse número, claro, tem um motivo: o atleta estava supervalorizado no mercado.
- Durante esses primeiros anos, ganhei por muitas vezes o craque da semana e o craque do mês. Por isso, acabei me tornando um jogador importante na MISL. Teve uma temporada em que bati um recorde de atleta que mais pontuou em um jogo só, dando cinco assistências e marcando três gols, resultando em 11 pontos - lembrou Tiguinho, que, ainda em 2012, recebeu o prêmio de jogador com mais assistências na fase regular. Foram incríveis 28 em apenas 24 jogos, quebrando o recorde da MISL.
Apesar das inúmeras premiações e destaques, o jogador se diz incompleto. Isso porque a ausência do título mais importante o incomoda: o de campeão da MISL. Em seis anos, ele chegou a quatro finais da Liga nacional, mas foi vice-campeão em todas elas.
- Me sinto imcompleto aqui. Consegui ter o prazer de conquistar os prêmios individuais que sempre almejei na minha carreira, que foram muito importantes. Mas um título de campeão da MISL infelizmente ainda nao veio e ainda é um sonho a alcançar. Tenho certeza que virá em breve - afirmou.
Antes dos EUA: Tiguinho foi herói de título em Cabo Frio, RJ
Tiguinho, ex-jogador do Cabo Frio futsal (Foto: Reprodução Intertv)
Tiguinho, na época em que defendia as cores do
Cabo Frio Futsal (Foto: Reprodução Intertv)
O sucesso de Tiguinho no exterior foi precedido pela protagonização em uma conquista que ficou na história do futsal de Cabo Frio, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. No dia 3 de junho de 2007, o Ginásio do Olaria recebeu a final do Campeonato Carioca de Futsal entre Cabo Frio e Teresópolis. A equipe de Tiguinho havia perdido o primeiro jogo e, como havia feito pior campanha na fase de classificação, precisava de uma vitória para levar a decisão à prorrogação. E ela veio: 3 a 1 no tempo normal.
O empate na prorrogação continuava dando o título ao Teresópolis, isto é, somente a vitória interessava ao Cabo Frio. Foi quando a estrela de Tiguinho brilhou. Faltando menos de dois minutos para o fim, o jogador recebeu passe dentro da área e marcou. Seria o gol do título, não fosse o empate do adversário 15 segundos depois. Oliveira empatou. O cronômetro apontava 17 segundos para o fim quando o herói recebeu de Digo e bateu para o gol. O goleiro conseguiu defender na primeira, mas, no rebote, Tiguinho estufou as redes, dando o título ao Cabo Frio pela primeira vez na história.
- Não tem como ser melhor. Só tenho que agradecer a Deus, à minha família, ao apoio e ao  do técnico e comissão, que apostaram em mim. Estou muito, muito feliz mesmo. Fazer dois gols na decisão, dar o título pra cidade do meu coração é demais. Demais mesmo! - desabafou o atleta, logo após a partida.
Tiguinho, ex-jogador de futsal de Cabo Frio (Foto: Assessoria Cabo Frio Futsal / Divulgação)Tiguinho, mais jovem, comemora gol que deu o título ao time (Foto: Assessoria Cabo Frio Futsal / Divulgação)
O crescimento do showbol nos EUA
A Major Indoor Soccer League tem 35 anos de fundação, e o showbol, segundo pesquisas recentes, é a sexta preferência dos americanos nos esportes, atrás do futebol americano, basquete, baseball, hóquei e futebol. O faturamento dos clubes gira em torno dos $ 20 milhões por temporada. A popularidade é tanta que a média de público nas partidas é de 80% da capacidade dos ginásios. Segundo Tiguinho, os dirigentes das equipes e das competições estão investindo pesado na modalidade nos últimos anos.
Tiguinho, jogador de show bol americano (Foto: MISL / Divulgação)
Segundo pesquisas, showbol é o sexto esporte mais
popular nos EUA (Foto: MISL / Divulgação)
- Eles têm a intenção de tornar o esporte cada vez mais popular. A torcida comparece, apoia, consome produtos, faz com que a modalidade sobressaia. Os números são expressivos, e acredito que, com a  internacionalização da marca, como querem fazer, a tendência é ganhar mais adeptos e abertura - disse Tiguinho, referindo-se ao número de brasileiros na Liga, que, hoje, chega a 18.
As regras do esporte nos EUA são basicamente as mesmas que no Brasil, exceto pelo formato da quadra, que possui as bordas arredondadas. Típico dos americanos, cada partida é um espetáculo, que conta com a entrada dos jogadores por um túnel de fumaça, líderes de torcida e mascotes agitando a torcida. Além disso, há também a distribuição de brindes, como camisas, bolas, bonés, máscaras com o rosto dos jogadores, pôsteres, revistas e por aí vai.
- Muitas pessoas ainda não conhecem o que acontece por aqui. Mas isso aqui é a cara do Brasil, que gosta de bom futebol e de festa. O showbol vem crescendo assustadoramente por ser bom tecnicamente, emocionante e ser tratado como um grande evento - finalizou Tiguinho.

*Colaboração de Léo Borges

Ginásio showbol americano EUA (Foto: MISL/Divulgação)Quadra que recebe as partidas de showbol têm a borda arredondada (Foto: MISL/Divulgação)

Comentários