Sinal de telefonia celular começa a ser requisito para compra ou aluguel de imóvel


Dentro de casa. Mas fora da área de cobertura


Sinal é exigência de gente que já passou por maus bocados por conta da impossibilidade de falar ao celular dentro da própria casa
Foto: Terceiro / Foto: Bloomberg
Sinal é exigência de gente que já passou por maus bocados por conta da impossibilidade de falar ao celular dentro da própria casa Terceiro / Foto: Bloomberg
Ao procurar imóvel para comprar ou alugar, o que você verifica: se a vista é indevassável, se o sol é da manhã, se o chuveiro funciona? E se há sinal de telefonia móvel, lembra de checar? Pois a maioria dos potenciais proprietários e inquilinos que chegam às imobiliárias não lembra. Só para um público (ainda) restrito, este é um pré-requisito tão ou mais importante que os demais. É gente que já passou por maus bocados por conta da impossibilidade de falar ao telefone celular dentro da própria casa. Situação que tende a piorar no Rio e nas outras cinco cidades-sede da Copa das Confederações, onde até o dia 30, a tecnologia 4G terá que ter chegado.


Rosângela Mangin, corretora da Apsa, já coleciona algumas histórias sobre o assunto. Um cliente seu que mora em Copacabana, por exemplo, está buscando um outro imóvel no mesmo bairro e essa foi a primeira exigência: quer um lugar com bom sinal de celular, pois o de onde ele mora é péssimo.
— Também tenho um cliente que está querendo vender seu imóvel, no Centro, por causa do sinal de celular: ele precisa usar para fins de trabalho, mas só consegue falar do terraço.
No apartamento da diretora de arte Carolina dos Anjos, no Humaitá, uma cena comum em dia de festa é ver um monte de celular na janela. Só uma operadora, a TIM, funciona no imóvel.
— É um prédio pequeno no meio de vários grandes. Quando me mudei, usava a Claro e passei anos falando na janela ou na pontinha do sofá. Se me movesse, a ligação caía. Acabei, então, colocando um aparelho fixo, pois ninguém conseguia falar comigo. Há um ano, mudei para a TIM, única que pega quase na casa toda: a exceção é o corredor em frente ao banheiro. E cancelei o fixo, para não ficar com duas contas — explica Carolina, frisando que as amigas a acusam de ser daquelas pessoas que não atendem telefonemas porque não querem falar. — Fiquei com má fama, mas não atendia porque o telefone não tocava!
Já o microempresário João Chevrand, morador de Santa Teresa, resolveu seu problema trocando a Claro pela Vivo. Mas pedir comida para pagar via cartão de débito em casa ainda é tarefa complicada:
— Eu moro num apartamento no subsolo, e a ausência de sinal ali é comum a quase todas as operadoras. A situação já me fez até passar constrangimento: eu e minha mulher, certa vez, pedimos pizza e solicitei que o entregador levasse a máquina para pagar no débito. Pois tivemos que ficar andando pelo corredor, procurando sinal, já que as máquinas móveis funcionam com chip de telefonia celular. E os vizinhos passando... Felizmente, conseguimos passar o cartão: no dia, eu estava sem dinheiro em casa.
Enquanto isso, no Alto Leblon, a Claro foi a eleita pelo engenheiro José Barreiros Júnior, que já não precisa mais ir à rua para telefonar:
— Quando surgiu a TIM, eu, minha mulher e minhas filhas decidimos virar clientes da operadora. Só, então, descobrimos que tínhamos de ir para a rua para falar. Ou ajoelhar na quina do meu quarto. Acabamos mudando pra Claro, que pega bem no nosso apartamento.
As empresas, por sua vez, informam que a rede de telefonia celular está sujeita a obstruções no sinal — as chamadas áreas de sombra indoor — decorrentes, em geral, do relevo da região ou da alta densidade das construções. Também explicam que, em subsolos e construções metálicas, ou em imóveis que tenham muitas colunas, a propagação das ondas de rádio é mais difícil. Três delas disponibilizam em seus sites um mapa de cobertura, testados pelo Morar Bem.
No da TIM, que está no link “Portas abertas”, o cliente pode checar as áreas de sombra onde o serviço de telefonia móvel em geral não funciona adequadamente na cidade. Confere também quantas antenas da operadora há próximas ao endereço e quantas estão sendo instaladas. Também há um espaço para alerta de falhas.
No caso da Vivo, a resposta à consulta do Morar Bem é: “Frequência: 2.100 MHz” (sem explicar se isso significa um sinal bom ou ruim). Segundo a nota da operadora, a imagem do mapa serve apenas como referência: “Refere-se a áreas externas, estando os ambientes internos sujeitos às características de cada edificação (...)”. A Oi também informa que disponibiliza em seu site uma ferramenta de consulta de cobertura por CEP, e o Morar Bem fez a pesquisa: o site só diz que “o endereço possui cobertura 2G e 3G”. E, em nota, a Claro diz que para identificar e corrigir obstrações de sinal “(...) monitora constantemente a qualidade de sua rede.”.
4G pode, de início, aumentar sombras
E se está ruim, pode piorar, ao menos por um período. Eduardo Silva, gerente de Acesso da TIM, explica que, quando a rede for 4G, a tendência é que a cobertura de todas as teles seja mais outdoor, pelo menos até o fim de 2014 — quando mais antenas já terão sido instaladas.
— A falha no sinal se dá, também, com a evolução da rede: quando ela ainda não era 3G ou GSM, e sim TDMA, a frequência era mais baixa e a penetração nas casas era maior. Quanto mais alta for a frequência das ondas de rádio, maior é a dificuldade de transposição do sinal aos obstáculos. Assim, são necessárias mais antenas.
DISPOSITO EM desenVolvIMENTO
As empresas tentam correr atrás do “prejuízo”. A Oi informou que, “na busca por novas tecnologias que possibilitem melhorar a qualidade dos serviços prestados, está desenvolvendo modelos de negócio inovadores para iniciar a comercialização de soluções baseadas em femtocell, dispositivo que possibilita o reforço de sinal da cobertura móvel. O equipamento permitirá melhorar a qualidade do sinal em ambientes fechados em um raio de até 50 metros, usando a ligação de banda larga fixa que o cliente tiver em sua casa.”

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