CAJÁ E ZÉ NIVALDO JR DEPÕEM NA COMISSÃO DA VERDADE


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Depoimento de Cajá e José Nivaldo Jr. à Comissão da verdade DOM HELDER CÂMARA: um passo em defesa da memória, da verdade e da Justiça!

Edival Nunes Cajá é Sociólogo formado pela Universidade Federal de Pernambuco, nascido em 1950 no município de Bonito de Santa Fé (alto sertão da Paraíba), há trinta e cinco anos, no dia 12 de março de 1978,foi sequestrado numa operação conjunta do DOI-CODI com a Polícia Federal e sofreu terríveis torturas, protagonizando uma crise envolvendo, de um lado, o movimento estudantil e a Igreja Católica progressista e do outro a ditadura militar que governava o país desde o golpe de 1964.


Entre 1975 e 1981 Cajá foi membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, coordenada pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara. Integrou a Coordenação do Trabalho de Juventude na CNBB-NE II e trabalhou nos Bancos Industrial de Campina Grande e Mercantil do Brasil.
Ativista do movimento estudantil desde 1967, foi seminarista no Seminário Diocesano de Cajazeiras(PB)e como presidente do Grêmio Estudantil Tiradentes do Colégio Estadual da referida cidade, onde esteve a frente de passeatas e atos públicos pelo fim da ditadura militar.
De 1972-1974 reorganizou o Grêmio Livre Jonas José do centenário Ginásio Pernambucano e de 1975 a 1978 atuou no movimento universitário na reorganização dos Diretórios Acadêmicos, DCEs-UFPE, UFRPE,UPE, e da União dos Estudantes de Pernambuco(UEP). Em 1976 participou do I Encontro Nacional de Estudantes na Universidade Federal Fluminense para reorganizar a UNE.

Sequestrado e submetido a bárbaras torturas no dia 12 de maio de 1978, sem dar uma só informação aos seus torturadores, só foi salvo pela repercussão da greve geral dos estudantes da UFPE,a primeira desde 1969, que se espalhou até à Universidade Federal do Paraná; e, pelas firmes denúncias de Dom Helder Câmara na imprensa nacional e nos órgãos de Direitos Humanos internacionais, além  de contundentes pronunciamentos de expressivas lideranças políticas do “grupo autêntico” do MDB no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Passados exatamente 35 anos destes acontecimentos, Cajá vai depor na Comissão Estadual da Verdade Dom Helder Câmara no próximo dia 16, onde revelará nomes de torturadores e colaboradores do famigerado regime fascista levando informações que ajudarão a elucidar alguns dos crimes hediondos praticados por colaboradores e agentes do Estado.

A Comissão da Verdade Dom Helder Câmara é resultado da luta da sociedade civil organizada em defesa da memória, da verdade e da justiça!

A conquista da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão da Verdade Dom Helder Câmara de Pernambuco constituem um marco importante na história recente da luta do nosso povo. Assim, não podemos permitir que o direito dos familiares e companheiros dos mortos e desaparecidos políticos de ver, com transparência, os procedimentos da investigação da verdade, para resgatar a memória e, sobretudo, a prevalência da justiça seja frustado.Isto,hoje, significa levantar todas as provas para chegarmos a punição exemplar daqueles que instalaram o terrorismo de Estado, com a prática do sequestro, da tortura,do assassinato e do desaparecimento político, a localização dos restos mortais dos companheiros desaparecidos e podermos ter o milenar direito que têm todos os povos do mundo de enterrar seus mortos.

Por que eles merecem justiça? porque eles combateram heroicamente em defesa dos trabalhadores e se comportaram nas câmeras de torturas como autênticos opositores daquele regime militar fascista, lutavam, acima de tudo, por um Brasil livre da fome, da exploração do sistema capitalista imperialista e por uma nova sociedade sem opressores e sem oprimidos  e sem exploradores e nem explorados.
 
Acabar com a impunidade em relação aos heróis do povo Brasileiro ajudará,com certeza,a acabar com a prática desumana da tortura hoje das delegacias nos detentos pobre e negros da periferias das grandes de cidades do Brasil. 

QUEM?
Cajá e José Nivaldo Júnior (historiador, publicitário, também sequestrado, torturado e acusado de organizar o PCR em 1973).
Onde?
No auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (ADUFEPE), no Campus da UFPE.
Quando?
Às 9h do dia 16/05/13, quinta-feira.

Pelo direito à memória, à verdade e à justiça!
Punição para aos torturadores e mandantes da ditadura militar fascista!
LUTAR, SEMPRE! DESISTIR,NUNCA!

CENTRO CULTURAL MANOEL LISBOA
COMITÊ MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DE PERNAMBUCO

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