A greve de quem não trabalha


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Por Ana Helena Tavares(*)
Um mascarado cria um evento no Facebook. Um monte de gente compartilha. Pronto, temos uma greve geral.
A greve dos que podem passar horas no Facebook, porque não pegam no batente. A greve dos que nunca se importaram com greve.
Não devia se chamar greve. Cairia melhor anti-greve. A greve dos que têm bolsa sem precisar dela e ainda desdenham de quem precisa.
A greve de quem, por não saber o que é trabalho, busca um atalho para atrapalhar quem trabalha. A greve de quem não malha.
Nunca malhou. Nunca gritou, desesperado, por melhores salários. E busca a desestabilização de uma nação sem memória.

Esquecida da história de luta partidária, luta sindical, manchada de sangue. Querem o mangue.
O mangue onde qualquer bandeira, vermelha principalmente, é renegada como demônio.
Não há esquerda. Não há direita. Dizem os neogrevistas.
Enquanto isso, pede-se a cura dos gays, jamais a da intolerância. Menos ainda da ganância. De quem quer greve, mas não se atreve.
Nunca se atreveu. A pedir mudanças e a sustentar o pedido. A confrontar a mídia, porque é ali o perigo.
Acho que peço muito. Mas greve sem trabalhador eu não conheço. Greve sem mobilização, greve de quem não tem patrão. Piada, meu irmão.
*Ana Helena Tavares, jornalista, editora do QTMD?
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