Acervo de Carlos Scliar será conhecido dia 22



O rico acervo do pintor e gravador Carlos Scliar, preservado pelo Instituto que leva seu nome, foi contemplado pelo Programa Petrobras Cultural e após quase dois anos de trabalho o resultado será apresentado no dia 22 de junho, sábado, às 18h, na Casa Ateliê, sede do Instituto Carlos Scliar, em Cabo Frio. O projeto Acervo Carlos Scliar Memória realizou a higienização, organização, catalogação e acondicionamento de cerca de 10.900 itens do espólio do artista, além de ter produzido um novo site, que disponibilizará o banco de dados do acervo.


O lançamento oficial do site www.carlosscliar.com será aberto ao público, que poderá conhecer e participar de visita guiada à exposição permanente da Casa Ateliê. Dentre os destaques das obras restauradas, estão por exemplo a obra de relevo em papel, de Frans Krajberg e o Autorretrato de Scliar. Há também 75 fotografias do Clube da Gravura, criado na década de 50 e uma das mais importantes obras do artista, de valor imensurável: os Cadernos de Guerra.
Humanista, multifacetado, engajado politicamente, Carlos Scliar – nascido em 1920, em Santa Maria, e morto em 2001, no Rio de Janeiro – teve o Instituto Carlos Scliar criado no ano de sua morte, em novembro de 2001, com o objetivo de preservar sua memória. O ICS tem como fundadores e conselheiros representantes de diferentes linguagens artísticas, como: Anna Letycia, Glauco Rodrigues, Cildo Meirelles, Romério Rômulo, Tiita, Thereza Miranda, Rusi Scliar, Carlos Lima e Luiz Alphonsus de Guimaraens.
É missão do Instituto Carlos Scliar abrigar, preservar, expor e disponibilizar para consulta todo o acervo bibliográfico, pictórico e documental do artista.  São desenhos, pinturas, rascunhos, correspondências, fotografias e recortes de jornal que datam desde a década de 1930.
Fazem parte deste conjunto histórico-cultural 150 telas, 100 matrizes de linóleo e xilogravura, 3.000 fotografias, 1.000 gravuras, 200 discos de vinil, 1.000 catálogos de seus trabalhos e 700 de diversos, 4.000 recortes de notícias de imprensa desde a década de 30, 500 desenhos e coleção de 50 fitas VHS, além de uma significativa biblioteca, especializada em artes plásticas, de aproximadamente 7.000 títulos.
Na reserva técnica, parte da produção em pintura do artista convive ao lado de obras de amigos como Aldo Bonadei, Anna Letícia, Cildo Meireles, Di Cavalcanti, Djanira, Siron Franco e Thereza Miranda, Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti, entre outros.
O Instituto é constituído pela Casa-Ateliê, um verdadeiro museu vivo, propulsor da Cultura junto à população local, e pela Oficina-Escola, de cunho profissionalizante, onde é ministrado o Treinamento em Conservação de Obras em Papel, responsável pela formação de mão-de-obra especializada no suporte às artes plásticas.
Scliar acreditava na formação de técnicos, não de artistas. Através das oficinas, acredita-se poder transformar a Casa Scliar em referência na Conservação de Bens Culturais na Região dos Lagos e demais municípios.
Ao zelar pela guarda deste patrimônio, manter o público em contato com a arte e vida do artista através de visitas guiadas e oficinas de arte, o Instituto Carlos Scliar finda por abranger diversos segmentos da sociedade: escolas, pesquisadores e artistas. Recentemente inaugurou a Sala Nelson Pereira dos Santos, que oferece gratuitamente sessões de filmes nacionais para estudantes da região.
Artista gráfico
Reconhecido ainda pelo legado às artes gráficas, Carlos Scliar contribuiu com ilustrações e capas de livro para autores como Antonio Callado, Clarice Lispector e Jorge Amado, dentre outros.  O artista produziu ainda cartazes para peças como O Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, e filmes como Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos.
Parte da produção do artista é marcada pelo emprego de palavras e frases imperativas. A palavra "Pense" aparece diversas vezes nos quadros do artista, que explica: "Queriam pensar por nós, subestimando a capacidade e a inteligência do nosso povo”.
Orla Scliar
O trecho às margens do Canal do Itajuru, em Cabo Frio, em frente à casa onde Scliar morou por 40 anos, recebeu da prefeitura municipal o nome de Orla Scliar. A casa, que o próprio Scliar restaurou, se transformou no Instituto Cultural Carlos Scliar, e exibe boa parte de sua obra e de outros pintores brasileiros, além de preservar o mobiliário da casa e o ateliê, com suas tintas, telas e pincéis.
A orla tem urbanização personalizada, com as cores da paleta do pintor em vasos esféricos, com vegetação nativa, tudo confeccionado especialmente para o local. Diante da casa, foi erigida uma estátua em tamanho natural do pintor, obra dos escultores Cristina Ventura e Jonas Corrêa.
Na inauguração da orla, em novembro de 2006, amigos de Scliar, os poetas Ferreira Gullar e Romério Rômulo e o ator e produtor cultural Haroldo Costa, homenagearam o pintor com leituras de textos e poesias.
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