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sábado, 22 de junho de 2013

Cabo Frio e Inea aprovam projeto de revitalização da Praia das Conchas

Plano é retirar 18 quiosques e proibir a circulação de carros e barcos no Peró
PAULO ROBERTO ARAÚJO 

O trecho da orla de Cabo Frio que vai ser revitalizado: estacionamento ficará a dois quilômetros
Foto: Ernesto Galiotto
O trecho da orla de Cabo Frio que vai ser revitalizado: estacionamento ficará a dois quilômetros Ernesto Galiotto
RIO — Uma das principais joias ambientais da Região dos Lagos será devolvida à natureza e vai ficar livre dos carros. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a prefeitura de Cabo Frio aprovaram o projeto de recuperação ambiental da Praia das Conchas, no Peró. Antes do verão, 18 quiosques serão retirados da orla, devolvendo-a para a formação das antigas dunas e para a vegetação de restinga, típica do local. Os carros também ficarão longe da praia, que está na Área de Proteção Ambiental do Pau-Brasil e no Parque Estadual da Costa do Sol (PECS). Um grande estacionamento será aberto numa área degradada próximo a Avenida dos Pescadores e os banhistas chegarão à praia, distante dois quilômetros, em ônibus tipo jardineira. O Inea também vai instalar bóias no mar para impedir a navegação na área protegida.


O projeto de recuperação da Praia das Conchas foi aprovado nesta quinta-feira, uma semana depois que guarda-parques do Inea descobriram um novo sambaqui no Morro do Vigia, entre as Praias das Conchas e do Peró. A descoberta aconteceu logo após o combate a um incêndio criminoso no local. Sambaquis são sítios arqueológicos onde se encontram vestígios de interesse científico que podem ajudar a contar a história da humanidade. A palavra sambaqui vem do tupi: tamba (marisco, concha) e ki (amontoado):
-- O sambaqui fica num costão do Morro do Vigia e foi descoberto acidentalmente. Estamos preparando o relatório para entregar ao Museu Nacional, que possui pesquisadores para estudar a descoberta. Assim que o estudo for concluído, vamos incluir uma nova trilha no Plano de Manejo do parque para que as pessoas possam ver de perto este novo atrativo da região – disse o chefe do Parque Estadual da Costa do Sol, Sérgio Ricardo Rocha Soares.
No acesso à Praia das Conchas, junto ao estacionamento, será construído um pórtico para o controle de acesso e um posto de informações turísticas, além de uma sub-sede do PECS para funcionar como alojamento dos guarda-parques e para guarda dois equipamentos de combate a incêndios florestais.
— Fechamos um acordo de cogestão com o Inea para revitalizar a Praia das Conchas. É a realização de um sonho antigo que vai se tornar realidade com a criação do parque e a parceria com o Inea — disse o prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa, que designou uma equipe de urbanistas para preparar o projeto executivo do pórtico e do estacionamento.
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse que, de todos os parques estaduais, o da Costa do Sol é o que tem maior potencial de ecoturismo:
— As belezas atraem muitas pessoas. Por isso é preciso trabalhar muito na prevenção e nos cuidados para que a frequencia seja harmoniosa com o meio ambiente e não destrutiva. A intenção é combinar o ecoturismo que gera empregos verdes e a preservação da praia, das dunas e da biodiversidade — explicou o secretário.
A menos de cinco quilômetros do Centro de Cabo Frio e no caminho de Búzios, a Praia das Conchas, primeiro trecho da Praia do Peró, é muito procurada por turistas por causa das águas cristalinas, livres da poluição. O costão de pedras também é um refúgio de animais marinhos que foram catalogados, depois de nove anos de mergulhos, por biólogos que estudam a biodiversidade do local. Entre eles está Vinícius Padula, um carioca que faz doutorado na Univesidade de Munique, na Alemanha, e que mergulha nas Conchas desde os oito anos de idade:
— As praias do Peró e Conchas precisam ser transformadas em reserva extrativista por causa da riqueza ambiental da costa. É preciso também conscientizar os banhistas a não deixaram lixo na areia da praia. Os detritos, principalmente plásticos, dizimam a fauna marinha, assim como a pesca de arrasto — defendeu o biólogo, que também está estudando, com outros pesquisadores, as ilhas de Cabo Frio, bem próximas da costa.



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