Dilma desaba nas pesquisas e ‘remédio’ agora é dialogar, diz ministro

Por Redação - de Brasília e São Paulo

Dilma falou à nação, em cadeia de rádio e TV
Dilma demorou muito até falar à nação, em cadeia de rádio e TV, na opinião de especialistas
Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo disse que o resultado de pesquisa do instituto Datafolha, divulgada neste sábado, que traz uma queda de 27% na popularidade do governo da presidenta Dilma Rousseff após a onda de protestos no país, foi recebido com “tranquilidade” pela presidenta. Bernardo, que despachou com Dilma nesta manhã, acredita que o “remédio” agora é dialogar com a sociedade e seguir trabalhando para dar respostas às reivindicações apresentadas pela população. Um dos principais pontos levantados por analistas ouvidos pelo Correio do Brasil, nesta manhã, é a grave deficiência apresentada na área de Comunicação Social. Um dos exemplos citados por todos eles foi a demora na resposta às manifestações de rua. Dilma levou cerca de 72 horas após o início dos eventos até falar à nação, em um pronunciamento de rádio e TV. A secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também repassa cerca de 80% de todos os recursos publicitários para os veículos de comunicação ligados aos segmentos mais conservadores da sociedade, justamente aqueles que visam a desestabilização do governo.


Segundo o Datafolha, o governo alcançou 30% de aprovação – na soma de ótimo e bom – o patamar mais baixo de avaliação desde o início do mandato. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em 10 de junho, o governo Dilma Rousseff chegava a 57%, já em queda livre dos anteriores 68% de aprovação dos brasileiros, no primeiro trimestre. Os números divulgados indicam queda de 27% em três semanas, período que coincide com o ápice dos protestos.
– A presidenta está muito tranquila. Ela reconhece que tem uma mudança e acha que a receita, o remédio para isso é trabalharmos bastante. Já estamos trabalhando para entender mais pontos relativos às mobilizações populares e dar resposta, dar solução quando tiver, ou dizer que não tem solução, quando não tem. É uma avaliação de tranquilidade, mas de continuar trabalhando – disse Bernardo, após deixar o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
Questionado se o governo tem esperança de reverter a tendência apontada pela pequisa, Bernardo disse apenas que somente a vontade popular poderá alterar os resultados, e o governo irá trabalhar para isso.
– Quem vai reverter ou não a pesquisa é o povo, a pequisa reflete um momento e precisamos reconhecer quando há problemas, e precismos trabalhar mais duramente, dialogando com a sociedade, e isso pode ajudar a reverter a pesquisa. É uma avaliação de tranquilidade, mas de continuar trabalhando – disse o ministro, acusado de colaborar com a direita, contra os interesses da maioria dos eleitores de Dilma.
Na avaliação do ministro, as manifestações que tomaram conta das ruas, nos últimos dias, tendem a afetar a aprovação de todos os governos, não apenas do federal.
– Até porque, todos sabem que as manifestações não foram feitas contra o governo federal, foram feitas por uma pauta de reivindicações contra alguns pontos que os manifestantes consideram importante – disse.
Bernardo também afirmou que o governo pretende conversar com mais representantes de movimentos sociais na próxima semana. A finalidade é continuar a debater as reivindicações defendidas nos protestos que ocorrem em todo o país. Ele esteve neste sábado com a presidenta no Palácio da Alvorada.
– Achamos que o governo colocou uma agenda para o país e essa agenda vai ser desdobrada para a próxima semana, tanto a parte econômica, a questão da agenda de transporte urbano público, que é importante, e a agenda política do plebiscito. Na verdade, está sendo organizada uma agenda para a presidenta conversar com mais entidades e atores políticos esta semana – concluiu.
do Correio do Brasil
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