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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dilma erra na comunicação e perde pontos junto ao eleitorado


Dilma tirou direitos do cidadão ao mudar texto do Código de Processo Civil
Dilma precisará optar entre duas linhas de estratégia na Comunicação Social
O governo da presidenta Dilma Rousseff marcha, a passos largos, para uma encruzilhada na qual ela precisará decidir se permanece com a atual estratégia de comunicação, na qual tenta compor, sem sucesso, um modus vivendicom os jornais, revistas e canais de TV que integram a linha da oposição, ou parte para uma estratégia diversa da atual para não perder aliados importantes na busca por um segundo mandato. Sob a artilharia pesada da imprensa conservadora e sem a resistência de blogs de esquerda e dos poucos jornais e revistas independentes que ainda restam na internet brasileira, mas que concentram um número cada vez maior de leitores, Dilma estaria diante de um beco sem saída para a sua imagem e prestígio diante do eleitor.


Estreita-se, cada vez mais, o cerco promovido pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Palácio do Planalto aos “blogueiros sujos” (como os aliados de esquerda da presidenta foram classificados por um candidato derrotado da direita nas últimas eleições presidenciais) e à meia-dúzia de jornais e revistas independentes que ainda resistem à pressão dos custos operacionais e ao bloqueio imposto por agentes do mercado publicitário brasileiro e pela Secom da Presidência da República. A onda de demissões nas redações dos meios conservadores de comunicação também facilitou a eliminação de possíveis aliados de esquerda que ainda permaneciam nestes veículos que, agora, preparam-se para a maior ofensiva já vista contra as forças progressistas no governo.
Uma onda de boatos sobre o descontrole da economia, que aproveitou a alta no preço do tomate para ganhar força e trazer à tona o fantasma da inflação, terminou com a queda na popularidade até aquele momento sempre em alta, desde o início do mandato da presidenta Dilma. Consolidava-se, nos números aferidos junto à opinião pública, a estratégia de centrar fogo no ponto onde o atual governo é mais frágil: a Comunicação Social.
Vice-presidente nacional do PT, Alberto Cantalice é reconhecido na legenda pela inflexível disciplina partidária, mas em sua conta no Twitter, nas últimas horas, criticou duramente a “falta de diálogo” da presidenta Dilma com a população, os movimentos sociais e as forças de esquerda presentes no jornalismo e na ‘blogosfera’. Cantalice aponta um retrocesso na política de Comunicação Social do atual governo, em comparação com a do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A Presidência fica muito na defensiva, não é proativa”, disse em uma mensagem na rede social.
Também no Twitter, Cantalice aponta como uma das principais razões para a queda de popularidade da presidenta a “péssima comunicação do governo”. A Secom “sofre de falta de foco”.
“Em matéria de Comunicação e Comunicações, estamos muito mal!”, acrescentou.
Cantalice é mais uma voz que se une ao coro de dirigentes petistas que já percebeu a falha grave na política de comunicação do governo. Dilma transfere dos cofres públicos somas na casa dos bilhões de reais para sustentar o sistema de distribuição de publicidade para os meios de comunicação ligados à parcela conservadora da sociedade que, embora tenha sido derrotada nas urnas, ainda se mantém no poder.
Mais visível
Para o marqueteiro João Santana, que cuida da imagem pessoal da presidenta Dilma e coordenará a campanha dela à reeleição, é preciso falar mais diretamente ao público. Segundo nota divulgada em um jornal conservador paulistano, nesta terça-feira, Santana quer resgatar uma receita antiga para recuperar os pontos de popularidade que a presidenta Dilma Rousseff perdeu em maio. “Ele quer a petista de volta a TV para anunciar novas medidas populares”, escreveu a jornalista Vera Magalhães.
“Após queda no Datafolha, marqueteiro quer Dilma na TV para detalhar linha de crédito”, informa a colunista na nota intitulada: Minha tela, minha vida. “Após queda de oito pontos no Datafolha, o marqueteiro João Santana e setores do governo querem levar Dilma Rousseff à TV em breve para detalhar a nova linha de crédito para móveis e produtos da linha branca do Minha Casa, Minha Vida”. A presidenta fará o lançamento do subsídio nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto. “A petista atingiu seu pico de popularidade em março, embalada pelo anúncio da redução da conta de luz e da desoneração de produtos da cesta básica, ambos em rede nacional”, completou a colunista.
No mesmo jornal, o articulista Jânio de Freitas constata que a inflação no Brasil é “uma entidade política acima de tudo”, usada como principal mote na campanha que levou à queda na popularidade da presidenta Dilma Rousseff.
“Há duas inflações: uma real, indesejável mas suportável, e outra que é originária de intenções políticas”, afirmou Freitas. E ele continua: “Os entrevistados e os que escreveram sobre a queda de oito pontos na avaliação positiva de Dilma Rousseff, constatada pelo Datafolha, expõem uma visão peculiar em dois sentidos. Primeiro, e mais importante, no que se pode ter como a unânime (sem os petistas) visão de um significado de extrema força, na perda. Segundo, pela maneira também unânime como a inflação é vista nas avaliações, um fato com consequência política, mas sem antecedente político”.
Jânio de Freitas, colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo chega, ainda, a “uma constatação curiosa: entre o Datafolha de março e o de agora, intervalo em que se registra a perda dos oito pontos, a opinião de regular e ruim/péssima sobre Dilma aumentou apenas um ponto, de 41% para 42% – na margem de erro, portanto”.
Outra perspectiva
Para o coordenador do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, com sede em São Paulo, Altamiro Borges, também é evidente o rumo equivocado por parte do Planalto, em sua política de comunicação. Borges constata que os jornais, revistas e canais de TV que integram o arco da direita têm lado definido. “A Folha (de S. Paulo) não esconde que tem lado nas disputas eleitorais”, afirma, em artigo publicado nesta terça-feira, em seu blog.
Leia, a seguir, o artigo de Altamiro Borges:
No domingo, ela estampou a manchete alarmista: “Aprovação de Dilma tem a 1ª queda, de 8 pontos, e vai a 57%”. Com base na pesquisa do seu instituto, o Datafolha, ela tentou animar a oposição tucana, que anda meio cambaleante. Já nesta segunda-feira, o jornal soltou rojões: “Alckmin venceria até Lula na corrida ao governo de SP”. O ex-presidente nem é candidato, mas a Folhavendeu a ideia de que o governador tucano é quase imbatível. Curiosa matemática!
Em ambos os cenários, a pesquisa Datafolha apenas evidencia que as disputas serão acirradas. Nada está definido e muita água vai rolar debaixo da ponte. Em decorrência das dificuldades na economia, sempre amplificadas pela mídia, o governo Dilma perdeu oito pontos na avaliação de ótimo e bom – de 65% para 57%. Mesmo assim, a presidenta aparece com 51% das intenções de voto, o bastante para vencer a eleição presidencial já no primeiro turno. Aécio Neves, que foi beneficiado pelo Datafalha – a pesquisa foi feita na semana do programa de tevê do PSDB – surge em terceiro lugar, com 14% dos votos, abaixo de Marina Silva, com 16%.
Já na disputa para o estratégico governo paulista, Geraldo Alckmin oscila de 50% a 52% das intenções de votos. A oposição ao tucanato em São Paulo ainda nem sequer definiu seu candidato. Dependendo do nome e das alianças, ela pode forçar o segundo turno no Estado. A aprovação do governo Alckmin é menor do que o de Dilma – 52%. E há muitos problemas na atual gestão, hegemonizada há quase duas décadas pelo PSDB. A própria pesquisa Datafolha apontou as dificuldades na capital paulista, onde a popularidade de Alckmin despenca. A questão da segurança pública é o calcanhar de Aquiles do grão-tucano.
Deixando de lado a euforia das manchetes da Folha, que não esconde seu DNA tucano, fica evidente que ambas as disputas serão acirradas. Dilma precisa acertar a mão na economia,evitando as armadilhas dos rentistas e privatistas que tentam enquadrar o seu governo. O cenário atual também exige maior habilidade política, para retomar o diálogo com os movimentos sociais e consolidar sólidas alianças eleitorais. Já a oposição em São Paulo precisará definir uma linha política mais aguerrida se quiser acabar com a longa hegemonia dos tucanos no Estado.
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