Fim do e-mail? Ferramentas de distribuição de releases crescem no Brasil

por Nathália Carvalho

Embora o uso dos divulgadores de notícias seja tímido no país, a expectativa, segundo os executivos, é que haja transformação no modelo de maneira que assessores, jornalistas e empresas de comunicação ganhem em organização, tempo e resultado
Num mundo em que a notícia é cada vez mais perecível e a comunicação cada vez mais rápida, otimizar tempo e facilitar o contato entre assessoria e redação são as palavras de ordem do futuro. É isso que mostra a pesquisa “Fala, Jornalista!”, feita pelo Comunique-se em parceria com a Deloitte no ano passado. Quando o assunto é comunicação entre esses profissionais, o estudo revela que mudanças na divulgação de releases precisam acontecer. “Os resultados confirmam percepções históricas sobre o tema: jornalistas consideram o envio de informações e releases importante, porém, muito mal praticado pelas assessorias”. Segundo o levantamento, ocorre que, muitas vezes, o material é direcionado a um mailing inadequado, fazendo com que muitos recebam sugestões que não são relacionadas aos temas de sua editoria.


A boa notícia é que esse problema ganhou soluções. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi lançado o PRWeb, que recebe conteúdo e distribui para diversos sites de notícias e buscadores, como Google, Yahoo e Bing. As informações são entregues a assinantes e fica exposta no PRWeb, que, de acordo com o site, recebe 3 milhões de visitantes por mês. “É definitivamente o serviço de distribuição online mais rentável e que permite otimizar a distribuição de notícia”, diz a empresa HR Marketer, que usa o serviço. Além dele, foi criado o PRNewswire. O site considera que a visibilidade é o primeiro passo para o sucesso e, assim, oferece soluções como “entregar notícias diretamente para jornalistas credenciados e formadores de opinião” de maneira segura e segmentada. Outro ponto trabalhado pela empresa é o engajamento e foco nas mídias digitais.

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Relação e contato entre assessores e jornalistas ganham novas soluções (Imagem: Divulgação)
Inspiradas pela ideia, no Brasil, alguns distribuidores de releases já foram lançados. “Percebi que não fazia sentido milhares de assessorias mandarem milhares de e-mails para jornalistas todos os dias e que havia uma ineficiência e que poderíamos melhorar isso”, explica o executivo do Divulgador de Notícias (DINO), Sirius Roberto. A ideia, de acordo com ele, é que as assessorias, em vez de mandarem todos os releases para todos os jornalistas, direcionem para a ferramenta. Assim, jornalistas vão direto no site, assinam os assuntos de interesse e passam a receber apenas um e-mail por dia, somente com os assuntos de interesse e devidamente resumido. Com a solução, é possível criar releases multimídia e distribuir para veículos parceiros, iniciativa pioneira no país. “Outro diferencial é a indexação automática nos mecanismos de busca, como o Google. Além disso, é o único a redistribuir o release para uma verdadeira rede de veículos parceiros, garantindo visibilidade instantânea”, conta.
Também executivo do Dino, Jorge Eduardo cita que atualmente não há preocupação com o destino da notícia, algo que a ferramenta resolve. “Nossos concorrentes no Brasil não se preocupam para onde a notícia vai, muitas vezes ela está em sites que não tem nada haver com a notícia, ou mesmo são encaminhadas para jornalistas que não querem receber tal informação. Nós nos preocupamos com isso, tanto nossos parceiros e jornalistas podem escolher atualmente entre 163 editorias que querem receber informação”, diz. Atualmente, o Divulgador de Notícias representa o maior projeto deste segmento no país. Lá, todo o conteúdo publicado é automaticamente replicado em mais de 30 sites parceiros e agências, o que permite o jornalista receber por e-mail ou encontrar de maneira rápida as informações em outros portais.
Outro produto que também pode auxiliar o trabalho é o BrandPress, vinculado à Ralco Assessoria, que defini-se como “intermediador entre jornalistas e empresas”. Similar, o site permite que profissionais de imprensa escolham conteúdo e hora que deseja recebê-lo. “Em vez de receber vários e-mails, receba apenas um com todos os releases reunidos”, diz o site, que também ressalta fazer curadoria de notícias “mais relevantes”, colocando-as em primeiro lugar. A vinculação à uma assessoria pode fazer, entretanto, com que outras agências tenham receio em usar o produto.
Criado pelo Grupo Inteligência Múltipla de Comunicação, o I’m Press também chegou ao mercado com proposta parecida. O site se define como “o menor caminho entre a pauta e a notícia”. A ferramenta permite criar e-mails personalizados, que são enviados para uma lista com 54 mil contatos únicos. Na plataforma, jornalistas podem se cadastrar para receber apenas as editoriais de interesse. Para o assessor, é possível acessar relatório com as estatísticas com a leitura dos releases. Diferentemente do DINO, o I'm Press não possui uma rede de parceiros para impulsionar a divulgação e reprodução do material na mídia.
Com trabalho de divulgação feito essencialmente por e-mail, a assessora do Grupo O Povo, Joelma Leal conta que o serviço otimiza a distribuição de informações. “O release é produzido e direcionado de acordo com o conteúdo aos jornalistas e editoriais que tenham relação com o tema. Procuro ter o cuidado de não enviar ‘tudo pra todo mundo’, a fim de evitar que os e-mails sejam encarados como spam”, explica. A profissional diz que os resultados são positivos e garante que cuida pessoalmente da lista de destinatários de acordo com o conteúdo a ser enviado. Entretanto, o uso de divulgadores de releases está em pauta. “Ainda não usamos o serviço. Talvez fosse interessante, desde que o jornalista que receba o material não seja visto apenas como ‘mais um’”, comenta.
Na 2Pró Comunicação, o trabalho com a ferramenta que distribui os releases já começou. Assessor contratado pela empresa, Felippe Ferro relata que os profissionais da agência costumam usar o DINO. “É um espaço onde ampliamos a visibilidade do conteúdo. Outra questão é que o público em geral e comunicadores que não estão na nossa base podem consumir e ler aquele texto, mesmo que não seja um jornalista interessado em replicar a pauta”, explica. O profissional acredita que o produto online facilita e agrega como complemento interessante para o trabalho de divulgação de releases.
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