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domingo, 23 de junho de 2013

Protestos pelo País possuem um fato em comum: a rejeição ao modo tradicional de fazer política

Partidos excluídos da luta: O "não" à política tradicionalA onda de protestos que tomou conta do País já se transformou num dos fatos sociais mais complexos da nossa história. Entre suas características marcantes, destaca-se a forte rejeição ao modo tradicional de fazer política
Se havia dúvidas de que se vivia um momento histórico no Brasil, a multidão que foi às ruas durante todos os dias da última semana mostra, de várias formas, que sim. Só na última quinta-feira, 20, mais de um milhão de pessoas saiu em protesto por 25 capitais no País. Em muitas cidades de Interior ocorreu o mesmo. Méritos e deméritos, cidadania e vandalismo, causas nobres e modismos. Tudo isso à parte e em meio a todas as discussões possíveis, um fato está posto: a política tradicional está acuada e desnorteada.



Na última segunda-feira, 17, um grupo de manifestantes subiu na cúpula do prédio do Congresso Nacional, em uma das imagens mais icônicas do movimento. Três dias depois, houve um conjunto de fatos emblemáticos em decorrência dos protestos. A presidente Dilma Rousseff (PT) cancelou a viagem que faria nos próximos dias ao Japão.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, deixou o prédio da Corte uma hora e meia antes do início da manifestação (tinha uma consulta médica, segundo sua assessoria). Ao sair, deu ordem para que o expediente fosse encerrado uma hora mais cedo que o habitual. Manifestantes chegaram a quebrar vidros, invadir e pôr fogo no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, onde entraram em confronto com policiais militares e fuzileiros navais. Cenas do tipo foram vistas por em vários lugares.

No mesmo dia, militantes de partidos como PT e PSTU, além de membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foram expulsos em algumas manifestações. Bandeiras foram rasgadas e queimadas. Episódios do tipo têm ocorrido desde o início dos protestos, inclusive em Fortaleza. É a consequência mais visível do caráter apartidário dos movimentos (como se viu, em alguns momentos isso se confunde com ‘antipartidarismo’).

“Nunca procurei me envolver nessa coisa de partido. Protesto de acordo com as minhas necessidades e as da população em geral”, diz o jovem Daian Alves, que participou dos protestos em Juazeiro do Norte contra o prefeito Raimundo Macedo (PMDB). O caso, aliás, ganhou ares caricatos e foi notícia internacional quando, na última terça-feira, 18, o prefeito permaneceu por horas dentro de uma agência bancária, após ser cercado por manifestantes.

Primeiras consequências
No intervalo de alguns dias entre o início dos protestos até o presente momento, ficaram claras também as mudanças nos discursos governistas. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) dizia no início que não havia possibilidade de redução no preço da passagem de ônibus – motivo que desencadeou os protestos. Dias depois, pressionado pela intensificação do movimento, anunciou a redução, que ocorreu também em várias cidades.

“Os governos não souberam como reagir, tentaram criminalizar os protestos e viram que não adiantava porque a população passou a apoiar, então tiveram que mudar os discursos e atitudes, até por razões políticas”, resume o cientista político Jackson Aquino, da Universidade Federal do Ceará (UFC). O povo foi para as ruas. Partidos e políticos, atônitos, ainda não sabem para onde ir.

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