Dois cafés e a conta com Betty Faria

A atriz fala de envelhecimento, manifestações nas ruas e novelas
Dois cafés e a conta com Betty Faria Foto: Daniela Dacorso / Agência O Globo
Dois cafés e a conta com Betty FariaDANIELA DACORSO / AGÊNCIA O GLOBO
Betty Faria não chega, ela entra em cena — seja qual for o lugar. Ao aparecer com um duas peças na Praia do Leblon, não foi diferente. E como o trecho de areia é ponto certo para os paparazzi, o clique foi feito, a foto, publicada na internet, e o link, compartilhado milhares de vezes. Se houve qualquer intenção de questionar o fato de uma mulher de 72 anos ter aparecido em tais trajes em público, o tiro saiu pela culatra. Houve, sim, um punhado de gente criticando.
Mas para cada nariz torcido, surgia uma horda de simpatizantes, numa espécie de movimento à la Leila Diniz às avessas. Na hora, ela ficou braba. “Às vezes fico aborrecida com tanta agressividade nas redes sociais”, disse a atriz, que atualiza pessoalmente sua conta no Twitter.
Passou. Betty está relax, suave. Uma das poucas coisas que a tiram do sério é ganhar alguns quilinhos: “Fico infelicíssima. Minha formação é de bailarina, ficou louca quando ganho peso.” E o descaso com o Leblon, seu bairro? “O que são as bicicletas na calçada? Outro dia, estava saindo da banca de jornal e uma quase me acertou. É um absurdo, uma falta de respeito”.


REVISTA O GLOBO: Segundos depois de a sua foto de biquíni na Praia do Leblon ter sido publicada, os comentários começaram a se multiplicar na internet. Alguns positivos, outros, nem tanto. Como você se sentiu?
betty faria: Na hora em que vi o bombardeio fiquei com uma rrraiva, mas segurei meu gênio até ter uma resposta à altura. Sempre fui contestadora, rebelde. Por que iria ficar comportadinha? Mas eu ligo para o que falam de mim, sim. Fico chateada, sim.
E você explodiu?
Explodi, e as mulheres adoraram. Queriam que eu fosse à praia de burca? Teve até uma que me escreveu dizendo que foi libertador para ela, que ela passou a se aceitar mais.
Sua beleza ultrapassa gerações. Como é para uma mulher bonita e pública envelhecer?
Dizer que a idade é boa é um fingimento, uma mentira. Quem não estiver preparado, principalmente se for uma mulher famosa, sucumbe. A idade traz limitações físicas, não é fácil.
Teve um momento que você sentiu que algo tinha mudado?
Você vai sentido. Uma pessoa consciente, que cuide da cabeça, que esteja com os pés no chão, vai vendo que as coisas vão mudando. O budismo tem uma frase que é muito boa: “Dos quatro sofrimentos da vida você não escapa: nascimento, velhice, doença e morte.” Desses, ninguém escapa. Agora, tem que ver como você leva isso.
O que você faz para enganar essas limitações?
Não engano nada, negocio. Negocio para sobreviver, porque sou uma pessoa que gosta da vida. Como vivi intensamente todas as minhas fases, fui me preparando para o terceiro tempo da vida.
Você tem acompanhado essa onda de protestos?
Tem sido maravilhosa essa luta por um país melhor, mais digno.
Se você tivesse que protestar, seria contra o quê?
Moro no Leblon. Uma coisa que me deixa indignada são as bicicletas nas calçadas. Muitas, em velocidade bem alta, fazendo com que crianças e idosos corram risco de vida. Já pensei em filmar, já entrei no Twitter do prefeito Eduardo Paes pedindo providências a respeito, mas acho que ele esqueceu.
O que você achou da aprovação da “Bolsa Estupro”?
A questão não é espiritual ou religiosa, cada um tem a sua crença. Mas cabe à mulher decidir. Não tem ex-mãe, ex-filho. Esse moralismo religioso é assustador.
Você é assumidamente noveleira. Me diz uma novela inesquecível. “Tieta” não vale, tá?
Vou te contar uma coisa como espectadora, mas você não vai ficar zangada comigo? Gostei de “Salve Jorge”. Gostei do que a Glória (Perez) escrevia e adorei a Nanda Costa.


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