Jornada Mundial da Juventude: Entre bençãos e protestos


Jornada Mundial da Juventude lançou um aplicativo com informações sobre o evento e a cidade do Rio
Jornada Mundial da Juventude lançou um aplicativo
com informações sobre o evento e a cidade do Rio

Papa chega amanhã com megaesquema de segurança, no segundo teste de grandes eventos no Rio
Após manifestações, PF dobra o número de policiais que farão a proteção pessoal do Pontífice e infiltra agentes em encontros públicos
Eleito em março, o Papa Francisco inicia amanhã sua primeira viagem internacional pelo Rio, onde se encontrará com jovens de todo o mundo em meio a um megaesquema de segurança por causa da onda de protestos.
A PF dobrou o número de homens na proteção pessoal do Pontífice, e a visita mobilizará mais de 28 mil agentes de segurança. Conhecido pela simplicidade, Francisco deve marcar sua jornada pela proximidade com o povo.

Papa chega amanhã ao Rio, para encontro de jovens católicos, e forças de segurança mobilizam mais de 28 mil homens
Após protestos, PF dobra número de agentes para visita
Serão 1.500 policiais que farão a segurança pessoal do Papa. Uso de carro aberto preocupa autoridades


Antonio Werneck
De prontidão. Base do Exército montada próxima ao Campus Fidei, em Guaratiba. Número de militares acionados para proteger um só homem é o maior que a cidade já viu. Na Rio-92, foram 35 mil militares para 192 chefes de Estado
As manifestações e protestos violentos dos últimos dias na cidade levaram a Polícia Federal a dobrar o número de policiais que irão cuidar da segurança pessoal do Papa Francisco no Rio. No planejamento inicial, divulgado há dois anos, eram 750 policiais. Agora, serão 1.500 homens. O aumento ocorreu principalmente na vigilância aproximada: serão 240 policiais diariamente, 40 deles destacados para agirem como sombra do Papa. Os 200 restantes estarão espalhados num raio de até 500 metros, muitos em trajes civis e infiltrados entre os fiéis. O grupo está autorizado a revistar e até deter qualquer pessoa considerada suspeita.
O esquema de segurança dos policiais federais que terão a missão de acompanhar passo a passo os deslocamentos do Papa Francisco no Rio foi fechado na última sexta-feira. E levou em consideração também todas as mudanças na agenda do pontífice, que ficará mais exposto, desfilando pelo Centro do Rio em um papamóvel aberto, sem blindagem. Também foram levados em conta no planejamento os protestos marcados para acontecer durante a Jornada Mundial da Juventude. Seriam quatro.
A atenção da Polícia Federal terá como foco especial a manifestação marcada para amanhã, dia em que o Papa desembarca na cidade. Pelos informes obtidos pelos setores de inteligência dos encarregados pela segurança, um grupo está convocando um protesto na porta do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, onde o Papa será recebido pela presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e outras autoridades. Está prevista a presença de oito governadores.
- Trouxemos ao Rio os melhores e mais bem treinados policiais federais especializados em segurança de dignitário. O grupo irá acompanhar todos os deslocamentos do Papa Francisco. Estaremos no Centro, em Copacabana, em Guaratiba, além da vigilância fixa, como no Sumaré - informou o delegado Anderson Bechara, coordenador regional adjunto da Polícia Federal para os grandes eventos.
Juntamente com os policiais federais escalados para atuarem em terra, agindo na segurança pessoal do Papa, dois helicópteros da Polícia Federal já estão no Rio para transportar tropas do Comando de Operações Táticas (COT), unidade de operações especiais e de contraterrorismo da Polícia Federal no país. Nas aeronaves, estarão oito dos melhores atiradores de elite da PF, com autorização de só agirem em condições extremas. Um grupo de pronto emprego do COT já está de prontidão.
- Desde que os protestos começaram, destacamos agentes especiais para atuarem infiltrados entre os manifestantes. Eles trabalham sem documentos e armas. Pelo menos dois já saíram feridos. Um até recebeu um tiro de bala de borracha na perna porque estava misturado aos manifestantes. Temos informações de inteligência suficientes para identificar baderneiros, agitadores e até traficantes infiltrados entre os fiéis - afirmou um policial federal pedindo anonimato.
A ação da Polícia Federal é apenas parte de um esquema de segurança que começa a funcionar esta semana para proteger o Papa Francisco e garantir a tranquilidade dos milhares de fiéis que irão participar da Jornada Mundial da Juventude. Na ponta do lápis, será o maior que a cidade do Rio já viu para proteger um só homem. Sem contar a PF e outras instituições envolvidas (como Força Nacional, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal), serão pelo menos 28 mil militares mobilizados pelas Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e a Polícia Militar do Rio.
Em 1992, no maior esquema de segurança que a cidade já presenciou, foram 35 mil homens das Forças Armadas para proteger 192 chefes de Estado e de governo que vieram à cidade durante a Rio-92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.
Durante a JMJ, as chamadas "ações de defesa" serão controladas pelo Centro de Coordenação de Defesa de Área (CCDA), que funcionará no Comando Militar do Leste (CML), no Centro do Rio. Caberá às Forças Armadas o comando de operações de defesa e segurança onde a presidente Dilma Rousseff estiver, incluindo o Palácio Guanabara. Também ficará sob a responsabilidade dos militares a segurança de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, no Campus Fidei, local onde ocorrerá a vigília e a Missa de Envio - eventos centrais da JMJ.
A presença das Forças Armadas nas ruas do Rio já poderá ser notada hoje, quando os militares assumem a segurança de 14 estruturas estratégicas e pontos de interesse relacionados à distribuição de água, à produção, geração e distribuição de energia elétrica, e às estruturas de transporte e de telecomunicações. Existe a previsão de o Exército empregar dez helicópteros e 380 viaturas durante toda a operação.
Embarcações da Marinha também poderão ser vistas na orla do Rio. A Marinha informou que o comando do 1º Distrito Naval irá empregar cerca de 2.200 militares, seis navios, 20 embarcações de apoio, 115 viaturas operativas, oito blindados e três aeronaves. A Marinha realizará ainda ações de inspeção naval e patrulha na orla do Rio e nas baías de Guanabara e Sepetiba, bem como na costa de Angra dos Reis, na área das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2.
A 9ª Brigada de Infantaria Motorizada ficará com a missão de ocupar as estruturas estratégicas e a segurança do altar, no Campus Fidei. Já a Brigada de Infantaria Paraquedista será a responsável pela segurança de Guaratiba e seu entorno, exceto a área do altar, no Campus Fidei, onde o Papa estará presente. A Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército de Niterói será deslocada ao Rio ocupando a região hoteleira na Zona Sul do Rio, locais dos demais eventos da JMJ.
Ações de prevenção ao terrorismo
A 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha) de Juiz de Fora terá parte do seu efetivo deslocado para a segurança do local da vigília dos peregrinos, substituindo a segurança privada, e ainda do altar, no Campus Fidei. O Centro de Coordenação Tático Integrado (CCTI), subordinado ao CCDA, ficará responsável por coordenar ainda as ações de prevenção, repressão e combate ao terrorismo, assim como a defesa química, biológica, radiológica e nuclear.
No planejamento divulgado pelo Exército, caberá à Aeronáutica o controle do espaço aéreo durante a Jornada Mundial da Juventude. Dois batalhões de infantaria aeronáutica especial realizarão a segurança dos aeroportos Tom Jobim (Galeão) e Santos Dumont. O Exército e a Marinha do Brasil, separadamente, montarão na área de Guaratiba hospitais de campanha direcionados para atender os militares que atuam naquela região.

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