Manifestantes vão mudar nome da Rua Irineu Marinho para Rua Leonel Brizola



A sede do diário conservador carioca O Globo situa-se na Rua Irineu Marinho, no Centro do Rio

A sede do diário conservador carioca O Globo situa-se na Rua Irineu Marinho, no Centro do Rio
Representantes da sociedade civil na ação organizada pela Frente Ampla pela Liberdade de Expressão (FALE-Rio), Cidadania Sim! e o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé-RJ, em assembleia popular, divulgaram em ato público, realizado na porta do Minist ério Público Federal do RJ, na quarta-feira, o documento protocolado com o pedido de esclarecimento sobre a investigação da Rede Globo por sonegação fiscal e evasão de divisas, entre outros crimes. Diante das últimas denúncias contra o grupo de comunicação, foi aprovada no encontro uma manifestação, para os próximos dias, em frente à sede do diário conservador carioca O Globo, situado à Rua Irineu Marinho, no Centro do Rio, na qual o nome do logradouro será, simbolicamente, alterado para “Rua Leonel Brizola”. 


Segundo o coletivo do Barão de Itararé-RJ, o ato público de troca das placas na Rua Irineu Marinho por outras com o nome do ex-governador Brizola marca a trajetória de desrespeito à democracia das Organizações Globo, que nas eleições de 1982 estiveram à frente do escândalo da Proconsult. Este tornou-se emblemático, pois foi a primeira vez que a emissora teve que confessar, publicamente, sua participação em uma série de incursões do grupo, cujo fundador do jornal O Globo nomeia o logradouro público, em ações como a derrubada do governo de Jango Goulart, em 1964, o apoio à ditadura militar e, por fim, estas acusações de sonegar perto de R$ 1 bilhão em impostos.
Os manifestantes também questionaram, durante o ato público, o silêncio da mídia conservadora acerca das denúncias que atingem, frontalmente, a empresa-líder do império de comunicação que domina a distribuição de recursos públicos e privados de publicidade no país, à exceção da Rede Record de TV, que produz atualmente um especial sobre o assunto, para a sua programação. Atores importantes da mídia, como a Agência Brasil, da estatal Empresa Brasileira de Comunicação, também guardam silêncio sobre o escândalo.
“Temos feito a nossa parte, sem equipe, trabalhando no conteúdo, nas redes sociais, na diagramação, resolvendo problemas de provedor. Nessas horas a gente vê a degradação moral provocada pelo monopólio. Todos têm medo da Globo, visto que ela, por deter quase um monopólio (e figurar na cabeça de um oligopólio), responde pela maior parte dos empregos bem pagos na área de jornalismo, e pode prejudicar a carreira de um político. A Globo tornou-se uma espécie de Cosa Nostra midiática”, afirmou o jornalista Miguel do Rosário, editor do blog O Cafezinho, autor do furo jornalístico que denunciou o desvio milionário de impostos pela Rede Globo.
Ainda segundo Rosário, “o medo, todavia, tem alguma razão de ser. Esses documentos, vazados agora, já motivaram alguns assassinatos. Não assassinatos de reputação. Assassinatos de verdade. O auditor que detêm a íntegra deles, por isso mesmo, permanece em lugar secreto, e espalhou cópias do relatório em vários lugares, para, se no caso de sofrer um atentado, o mesmo não se perca”.
O desaparecimento do processo foi confirmado por um auditor fiscal, que participou das investigações contra a Globo. Após tentar obter vantagem financeira com os processos, um auditor encarregado de fazer a operação limpeza, teria sofrido, meses depois, um atentado e passado a viver escondido.
Para abafar o sumiço do processo a cúpula da Receita, de acordo com a mesma fonte, “teria montado às pressas outros dois processos clonados, com numeração diferente dos processos iniciais que receberam da receita a numeração 18.470011261/2006-14″. Uma alta fonte da Receita garantiu ao jornalista que as cópias sumiram após o auditor fiscal Alberto Zile ter solicitado, além do civil, a abertura de um processo criminal contra os irmãos Marinho. A manobra tinha como principal objetivo a prescrição dos crimes, o que ocorre em cinco anos. Além do mais, o processo civil teria sido construído com inúmeras falhas, visando a nulidade processual.
Domínio do fato
A teoria do “domínio do fato”, defendida com unhas e dentes pela Globo para prender José Dirceu, “pode se voltar contra a família Marinho”, acrescenta Miguel do Rosário.
“Agora que há provas que documentos que incriminavam foram roubados por uma servidora, a mesma teoria, tirada da cartola pelo procurador-geral da República para suprir a falta de provas na Ação Penal 470, pode ser aplicada aqui. Cui prodest? A quem interessava o sumiço dos documentos?”, questionou.
do Correio do Brasil
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