No Rio, manifestantes convocam novo ato público no Leblon contra Sergio Cabral

Manifestante carrega um cartaz de protesto contra o governador Sérgio Cabral, em frente ao Palácio Guanabara
Manifestantes que estiveram em frente ao Palácio Guanabara, na quinta-feira, lançaram pelas redes sociais, neste fim de semana, uma nova convocação para que o protesto se concentre em frente a casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon. Segundo o texto, distribuído no grupo 
Gigante Acordou, “a PMRJ, ordenada pelo governador Sergio Cabral Filho, extrapolou totalmente os limites do estado democrático de direitos. Virou rotina barbarizar manifestantes, para o governador é natural esse tipo de procedimento canalha e irresponsável, contra a população mais politizada que apenas reivindica dias melhores! Já está sendo organizado outro Ato na porta do Cabral no Leblon, será dia 17, precisamos extirpar esse câncer da administração pública”.

Convite distribuído, pelas redes sociais, para a concentração em frente a casa de Cabral
Convite distribuído, pelas redes sociais, para a concentração em frente a casa de Cabral
Enquanto manifestantes e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ relataram denúncias de excessos policiais na manifestação de quinta-feira, o governador Sérgio Cabral e a Polícia Militar bateram na tecla da violência de grupos radicais. Cabral argumentou que não houve
respeito ao jogo democrático.

– Os atos de vandalismo que vimos não devem ser tidos como uma coisa normal. Não é assim que se faz oposição, não é atacando palácios, é debatendo – disse.
A 2ª Promotoria de Justiça e a Auditoria de Justiça Militar do Ministério Público, que investigam a atuação policial nas manifestações, pediram que vítimas de violência se apresentem ao MP para que o órgão possa reunir provas e denunciar os PMs que cometeram excessos.
– Estamos com dificuldade na apuração porque muitos manifestantes que aparecem em vídeos supostamente sofrendo violência não nos procuram para relator o caso, para podermos denunciar o policial por lesão corporal – disse o promotor Paulo Roberto Melo Cunha Júnior.



A OAB também está preparando um documento com dados de presos em todas as manifestações e sobre a ação da Polícia Militar durante os protestos no Rio. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Marcelo Chalréo, disse que a polícia “perdeu a noção”. Ele pediu ao
comandante da Polícia Militar do estado, coronel Erir da Costa Filho, para afastar os policiais mais truculentos das ações de rua.

Questionado sobre o comportamento da polícia, Cabral voltou a declarar que “qualquer excesso deve ser repudiado”, mas evitou responder sobre as medidas que o estado adotará para identificar policiais que agiram de forma considerada inadequada.
O advogado André Barros, que esteve na 5ª DP (Centro) durante a manifestação, relatou em uma rede social que um menino de 7 anos, morador de rua, foi apreendido, sob acusação de ter atirado um coquetel molotov:
– O menino, quando perguntado sobre o fato, disse que nem sabia o que era coquetel molotov.
O promotor Paulo Roberto Melo Cunha Júnior disse que menores de 12 anos não podem ser enquadrados em prática de atos infracionais. O engenheiro naval Martin Gundelach, 24 anos, atingido por spray de pimenta no rosto por um PM, disse que não cometia nenhuma ilegalidade.
– Estava sentado no chão e, quando levantei a pedido de policiais, levei o spray na cara – relata.
Os três jovens que permaneciam detidos na 5ª DP (Centro), acusados de arremessarem pedras contra policiais militares, conseguiram liberdade provisória na tarde desta sexta-feira. Rodrigo Faria Barreto, de 20 anos, Armando Herz Faria, 19, e Francisco Alves, 24, responderão por
formação de quadrilha, desobediência, agressão e corrupção de menores.

Mais cedo, na delegacia, os jovens não haviam sido reconhecidos pelo policial que disse ter sido vítima da agressão. A solicitação do alvará de soltura foi feita e acompanhada de perto por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB e pelo Instituto de Defesa dos Direitos
Humanos.

Segundo Sílvia Heiz, mãe de Armando, um dos jovens detidos e liberados, o estudante de Veterinária disse não ter cometido infração e garantiu ter sido escolhido aleatoriamente em meio à multidão que fugia dos jatos de spray de pimenta. “Ele foi a várias manifestações, como simpatizante.
Nunca foi filiado a qualquer partido.”

Dois menores de 17 anos, apreendidos na quinta, responderão por atos infracionais análogos aos crimes de lesão corporal, desobediência e formação de quadrilha.
Manifestantes revoltados
Uma das principais razões para a revolta dos manifestantes, os gastos supérfluos do poder público, diante da miséria social urbana em que o pais vive, levaram Cabral a desistir de fazer o trajeto de sete quilômetros, entre o Heliponto da Lagoa e o Palácio Guanabara. Neste sábado, pela
manhã, Cabral mandou sua assessoria de imprensa dizer que não usará mais o helicóptero diariamente no trajeto de sua casa para o trabalho. A decisão foi tomada após aberto o processo para investigar o suposto uso irregular da aeronave. Cabral mora no Leblon, a cerca de dez
quilômetros do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, ambos na Zona Sul do Rio. Apesar da distância, o governador ia até a Lagoa, onde está localizado o hangar do Estado, e completava o percurso de helicóptero. A partir da próxima semana, o trajeto será feito com batedores.

“Embora não haja ilegalidade, o governador julgou ser procedente a mudança, que teve o aval do Gabinete Militar, por razões de segurança”, informou em nota a assessoria do governador. Ele continuará usando a aeronave para ir a Mangaratiba, onde tem casa de veraneio.
Na véspera das manifestações, Cabral ainda tentou justificar o uso da aeronave diariamente.
– Não estou fazendo nenhuma estripulia, nenhuma novidade – diz ele.
O helicóptero modelo Esquilo, prefixo PP-ECE, foi transferido ao Corpo de Bombeiros e será adaptado aos atendimentos da corporação com a instalação de equipamentos e de adesivos da corporação. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a aeronave será usada na Jornada Mundial da
Juventude. O helicóptero doado integra o patrimônio do Estado desde a década de 1980. É um dos mais antigos. A frota para atender autoridades será, assim, reduzida para seis aeronaves.
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