Poder, imprensa e morte: jornalista escreve livro do caso Pimenta Neves

O crime cometido pelo ex-diretor de redação do Estadão, Antônio Marcos Pimenta Neves, ganha mais um livro nesta sexta-feira, 5. Escrito por Vicente Vilardaga, À Queima-Roupa – o caso Pimenta Neves revela a relação do jornalista com a ex-namorada Sandra Gomide. 

Marlene Bergamo Folhapress
Pimenta foi condenado a 15 anos de prisão 
(Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress)
Em 2000, o então executivo do Estadão assassinou a companheira com dois tiros à queima roupa. O homicídio foi o último ato de uma trama que teve início quando Pimenta Neves assumiu a diretoria da Gazeta Mercantil, mesmo jornal em que Sandra trabalhava. 

Vilardaga entrevistou o criminoso durante cinco horas, além disso, colheu depoimentos de mais de 60 fontes. O autor da obra foi o único jornalista a entrevistar Pimenta Neves depois do crime e faz um resgate histórico do caso.


O livro de 304 páginas leva o leitor a refletir sobre a mente humana, a partir do momento em que um jornalista, para garantir o furo da notícia, liga para a redação onde trabalha e confessa que acabou de assassinar alguém.

Obra resgata relato de mulher violentada
A obra O Caso Pimenta Neves - Uma Reportagem foi lançada em março deste ano. Escrito por Luiz Octavio de Lima, o livro mostra o depoimento da designer Marguerita Bronstein, que diz ter sido violentada pelo jornalista em 1973. “Fui forçada a fazer sexo, sem ter como reagir”, relata no livro. O assédio teria gerado um filho, que foi abortado, segundo a designer. O trabalho ainda mostra a trajetória de Pimenta e do pai de Sandra, João Gomide.

Pedido para cumprir pena em semiaberto
Após cumprir quase um sexto da pena a que foi condenado, o jornalista Pimenta Neves pediu à justiça que mude o regime para semiaberto. Detido desde 2011 no presídio de Tremembé, no interior de São Paulo, o jornalista completou um sexto da pena em maio deste ano e, assim, conseguiu o direito de solicitar a progressão.
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