Terapia alternativa em grupo em SP tem só um pré-requisito: todo mundo nu

O arquiteto e "psicodramatista" Eduardo Vix vê a falta de roupas como terapia. E ganha a vida com isso.

Há seis anos, ele recebe interessados em um sobrado em Santana, o espaço Naturare, dedicado à "libertação do corpo" por meio da nudez coletiva de homens ou casais.
A Folha de são paulo foi entender como funciona a terapia (duas horas, R$ 45). Na sala de espera, cinco homens --como um dançarino de 62 anos, um professor de engenharia de 30 e um casado com filhos-- mais o repórter.
O "natural touch", como ele chama o tratamento, começa no chão. Em duplas, alunos que nunca se viram antes se massageiam com elementos como bambus e esponjas.

Guerra dos pelados

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Marcos Finotti/Folhapress
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Rose discorda do naturismo em parques paulistanos: "Imagina se um religioso chega com o filho para passear no parque e encontra um monte de gente pelada"
O espaço é iluminado por velas e cheira a lavanda e camomila. Um CD simula sons de rios e de vento.


A dinâmica de grupo termina com os participantes dando colo uns aos outros. "Existem 12 tipos diferentes de 'colo'", diz Vix. "Há muita solidão entre os homens. O contato e a nudez ajudam a quebrar estigmas, como a ideia de que homens reunidos sem roupa são necessariamente gays."
Após a prática, a turma sentou em círculo e dividiu as sensações. O engenheiro, tímido no começo, era o mais eufórico: "Chorei muito na hora porque me lembrei de meu irmão mais velho, que foi assassinado. E me senti forte quando foi a minha vez de dar colo ao colega."
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