Gigante de 2,17m do Brasil, Renan sofre com cama e para comprar calça


Gigante de 2,17m do Brasil, Renan sofre com cama e para comprar calça

Jogador mais alto da história da seleção conta fatos curiosos do cotidiano como dificuldade para comprar carro e achar tênis 48 em sua cidade natal 
Impossível comparecer a um treinamento ou a um jogo da seleção brasileira de vôlei masculino e não ter sua atenção tomada por um verdadeiro gigante que passa no meio dos outros nomes do elenco, que tem média de 1,99m de altura. Com cara de menino e um pouco tímido, o jovem oposto Renan Buiatti, de 24 anos, impressiona com seus 2,17m. Ele é o maior jogador da história da equipe do Brasil. Para o vôlei, o atributo é positivo, já que ele alcança 3,30m atacando e 3,14m no bloqueio (a rede oficial no masculino mede 2,43m). Mas, no cotidiano, o mineiro de Uberlândia sofre com coisas simples, como viajar de avião, comprar um carro e até mesmo encontrar uma calça jeans, já que suas pernas, segundo ele, medem cerca de 1,30m.


- Todo mundo da minha família é alto. É complicado. Andar de avião é difícil, tenho que chegar antes e pegar uma poltrona perto da saída de emergência. Tem que ser lá porque não tem ninguém na frente. Elas são concorridas, ainda mais quando vai o time inteiro, porque os outros também são altos. Viajar de carro também. Tem que ser um carro grande, sedan. Calça jeans é difícil, eu tenho que procurar bastante. Camisa é mais fácil, pega um tamanho maior, manda apertar. No comprimento é difícil, não dá para aumentar – contou o atleta, que começou a carreira no Praia Clube, passou pelo São Bernardo e foi contratado recentemente pelo Sesi-SP, onde jogará com companheiros de seleção como Lucão, Lucarelli e Sidão.
renan volei (Foto: Thiago Lavinas)Renan chega a 3,30m em ataque e 3,14 em jogadas de bloqueio (Foto: Thiago Lavinas)
Em Cabo Frio, Renan diz que está sendo difícil até para dormir. A cama do hotel, definitivamente, não foi feita para alguém de 2,17m. E para conseguir um tênis tamanho 48? O atleta relata que, em Uberlândia, é missão impossível. Pelo menos a namorada do jogador mede 1,80m de altura.
A cama do hotel aqui está sendo bem complicado. Acho que a pior coisa é cama. De tarde, nós dormimos. A noite ficamos oito horas seguidas nela. É onde a gente passa mais tempo quase, depois do treino. Cama é o que me incomoda mais. Tenho namorada, ela tem 1,80m, é alta. Mas ela não bate nem no meu ombro (risos). Eu calço 48, achar em São Paulo até que é tranquilo. Em Uberlândia simplesmente não existe. No cinema e no teatro não tem problema, eu sentado sou baixinho (risos). Minha perna é que é grande, tem, sei lá, 1,30m – brincou o jogador de 92kg que, na escola, afirma que era chamado de “vareta” por ser muito alto e bem magro.
A seleção brasileira que disputa o Sul-Americano tem, além de Renan, cinco atletas com mais de dois metros de altura. Sidão mede 2,03m; Mauricio Souza, 2,09m; Dante, 2,01m. Lucão, 2,10m; e Leandro Vissotto, com 2,12m. Renan é o atleta mais alto na disputa do torneio em Cabo Frio.
Montagem Renan vôlei saque (Foto: Editoria de Arte)No saque, Renan joga a bola perto do teto do ginásio e voa para dar pancada (Foto: Editoria de Arte)
Perto da estatura dos outros habitantes do país, nem se fala. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a altura média dos homens no Brasil é de 1,73m, enquanto a das mulheres fica em 1,61m.
Até mesmo a torcida nas arquibancadas do ginásio Alfredo Barreto, em Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde nesta semana acontece o Sul-Americano, já guardou o nome de Renan por conta de sua altura, mesmo com o garoto tendo atuado apenas no primeiro jogo, contra o Paraguai, vencido pelo Brasil por 3 sets a 0, na terça-feira. A próxima oportunidade de assistir ao gigante brasileiro em ação será na grande decisão da competição, contra a Argentina, neste sábado, às 21h45m (de Brasília), com transmissão do SporTV.
O torneio disputado em Cabo Frio leva o campeão e o vice ao Mundial na Polônia, em 2014. Como apenas Brasil e Argentina – cada um com três vitórias – ainda disputam o primeiro e segundo lugar, os dois estão garantidos. Há uma terceira vaga para o vencedor de um Pré-Mundial. Das 29 edições do Sul-Americano, a seleção venceu 28. Apenas na de 1964, quando o Brasil não participou, o caneco foi levantado pela Argentina. Além disso, quem ficar com taça irá para a Copa dos Campeões, no fim do ano, no Japão.
0