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domingo, 11 de agosto de 2013

Pautas com temática gay se tornam frequentes, mas segmentação diminui, apontam jornalistas

Indignação diante do projeto que autorizava a “cura gay”, casamento entre pessoas do mesmo sexo, jornais reproduzindo uma declaração do papa considerada progressista: reportagens que envolvem a comunidade gay já são parte habitual dos noticiários. Profissionais de veículos segmentados, no entanto, destacam que tal conteúdo está cada vez mais diluído em meio às outras notícias.

Crédito:San Diego Shooter/Creative Commons
Pautas sobre a comunidade LGBTT ganham espaço na mídia comum
O jornalista Vitor Angelo, responsável pelo Blogay, da Folha de S.Paulo, diz observar dois movimentos em relação ao tema. “Houve uma fragmentação do espaço”, avalia. “Por exemplo, o UOL tinha uma área chamada Gay e, agora, não tem mais. Fragmentou, mas ao mesmo tempo tem cada vez mais notícias.”

Um segundo movimento, de acordo com o jornalista, estaria no tom dado às matérias. “A militância era vista como uma coisa chata, pensar sobre esse assunto era para um grupo muito restrito. Eu sinto que [hoje] as publicações têm dado um tom mais político [para o conteúdo], que antes não era dispensado.”

James Cimino, apresentador do “Lado Bi”, da Rádio UOL, defende que o tema “se tornou mais presente devido aos debates”. Para ele, “não é que a imprensa procurou dar mais visibilidade para isso, foi a sociedade que deu essa demanda”.

“Na televisão, por exemplo, notícias que envolvem a comunidade LGBTT dividem espaço com as de economia, política, cidades e, na grande maioria das vezes, de maneira positiva”, diz Nelson Sheep, editor-chefe do Superpride, site voltado ao público gay. 

Para a jornalista Diana Carvalho, redatora do site A Capa, “a pauta gay se tornou ainda mais necessária e ‘atraente’ aos demais leitores, gays ou não, quando Marco Feliciano, conhecido por sua postura contra os LGBTs, se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos. Aí, a ‘bomba estourou’”.

“Mais recentemente, houve o absurdo projeto da ‘cura gay’ e agora a declaração do Papa. Foram meses de bastante destaque para a pauta gay”, acrescentou Diana.

Crédito:Agência Brasil
Polêmica com Marco Feliciano aumentou discussão dos temas
“Acho que os próprios veículos foram percebendo que, em primeiro lugar, sempre dava audiência”, aposta André Fischer, criador do MixBrasil. “Há um interesse sobre o assunto, seja das pessoas contra ou a favor. Acho que foi isso que determinou uma cobertura maior e um maior espaço.”

“A gente não sabe o que vai acontecer com esse segmento, enquanto segmento. Ainda é cedo para entendermos", conclui Fisher.

Feedback
De acordo com André, o retorno do público é frequente e se manifesta das mais diferentes formas. “No site, obviamente, estamos falando para a própria comunidade”, diz, explicando que os leitores costumam compartilhar experiências e sugestões na plataforma. “Na CBN [onde ele apresenta o ‘CBN MixBrasil’ ao lado de Petria Chaves], já é bastante misturado.” Segundo o jornalista, mesmo pessoas contrárias aos direitos gay ouvem o programa e escrevem para manifestar sua opinião.

“Notícias de casos de homofobia são as que geram mais debates”, ressalta Diana. “Os leitores se manifestam, se revoltam e até se divertem quando o assunto é a saída de armário de algum artista.”

James Cimino diz que no caso da programa a aceitação do público é sentida na audiência. “Já conseguimos ser a atração mais ouvida da Rádio UOL”, conta. “Tivemos um programa que teve 418 mil pageviews, sobre transexuais. Tivemos outro, sobre gays no esporte, com 108 mil pageviews. Uma entrevista com o deputado Jean Willis teve 88 mil.”

“As pessoas gostam muito, mesmo quem não é gay, porque o programa não é feito para gays. Ele é um programa sobre a comunidade LGBT como parte de uma sociedade e não como um gueto separado”, afirma.  

Longe de clichês
Para Nelson Sheep, os veículos que trabalham com o público gay precisam se reinventar. “Sabe aquela coisa de colocar uma bandeira do arco íris em tudo, só pra dizer que é gay também? Acho isso hipocrisia e um tremendo tiro no pé.”

Segundo ele, gays querem consumir informação sem rótulos, pois assim é a realidade. “Nós lutamos por direitos iguais e queremos ser tratados assim, em todos os aspectos das nossas vidas”, defende. “Nenhum gay vai ao mercado comprar um pacote de biscoito que tenha uma bandeirinha colorida. Com informação é a mesma coisa. O diferencial é a linguagem que se usa. Por isso temos uma tremenda quantidade de blogs na internet, que já sacaram isso e estão fazendo bonito.”
do Portal Imprensa
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