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domingo, 8 de setembro de 2013

Dia da Independência é marcado por protestos no país

Mulher fica ferida durante os protestos no Rio de Janeiro (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)

Rio de Janeiro teve detidos e confronto entre policiais e manifestantes. Tropa de choque usou gás lacrimogêneo para conter protesto
O 7 de Setembro foi marcado por manifestações em todo o país. Devido ao risco de confrontos entre polícia e manifestantes, algumas cidades cancelaram os eventos cívicos, e outras reforçaram o policiamento. Como medida de segurança, a Justiça de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal autorizaram a polícia a exigir que os manifestantes que estiverem usando máscaras se identifiquem.
Os manifestantes que participaram do protesto conhecido como Grito dos Excluídos se concentraram em torno do monumento a Zumbi dos Palmares, na Praça 11, no centro do Rio. Integrantes de partidos políticos, centrais sindicais e entidades estudantis fizeram ato público e discursaram com a ajuda de um carro de som, protestando contra as políticas públicas das áreas de saúde e educação e contra a repressão policial nas manifestações.
A Secretaria Estadual de Segurança informou que, até as 17h deste sábado, 27 pessoas foram conduzidas para delegacias. Delas, uma foi presa por "porte de arma" e 15 foram autuadas e liberadas.



As manifestações na capital paulista foram pacíficas durante a manhã e sem ocorrências registradas pela Polícia Militar de São Paulo. Havia dois pontos de concentração de protestos. O primeiro, na Praça da Sé, reuniu cerca de 500 pessoas. Na Avenida Paulista, eram 350 manifestantes que, segundo a CET, ocuparam duas faixas no sentido Consolação, junto à Praça Oswaldo Cruz. Os números foram divulgados pela PM, que informou ainda que os dois protestos fazem parte do Grito dos Excluídos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, mil pessoas chegaram a se concentrar na manifestação em Brasília. Os manifestantes partiram da área do Museu Nacional pouco antes do fim do desfile oficial em comemoração ao Dia da Independência, durante a manhã. Os manifestantes chegaram a ter a passagem impedida pela Polícia Militar do DF por alguns minutos. A marcha foi então liberada.


Policiais bloqueiam a passagem de manifestantes numa rua que leva ao Congresso em Brasília  (Foto: AP Photo/Felipe Dana)No Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini não compareceu ao desfile cívico para evitar um confronto direto com os manifestantes. O secretário de Segurança Pública, Aldair da Rocha, representou o governo do Estado.
Trinta pessoas que participavam de manifestações em Fortaleza foram encaminhadas a uma delegacia da Polícia Civil porque estavam usando máscaras, capuzes e lenços que impediam a visão do rosto. Os detidos também estavam com pedras, bolas de gude, estilingues e pregos, que foram retidos na delegacia para encaminhamento à Justiça. Nenhum portava documento de identificação.
Em Belo Horizonte, também ocorreu manifestação. Durante a manhã, o movimento Grito dos Excluídos, ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), percorreu as ruas da cidade. Também na capital mineira, os estudantes de colégios militares foram dispensados de participar do desfile cívico devido à possibilidade de confrontos durante as manifestações.
Em Maceió, uma confusão marcou o desfile. Durante a apresentação, manifestantes invadiram a avenida, o que atrapalhou o trajeto.
Em Goiânia, cerca de 300 pessoas estiveram reunidas no centro da cidade, em um protesto pacífico. Os policiais abordaram um jovem que estava com o rosto coberto e, por questões de segurança, recolheram a máscara.
Rio de Janeiro
Poucos manifestantes usavam máscaras ou tinham os rostos cobertos. Alguns deles escalaram o monumento e colaram cartazes com frases contra o governador Sérgio Cabral e com a pergunta “Cadê o Amarildo?” (referindo-se ao pedreiro desaparecido desde o dia 14 de julho deste ano na Rocinha). Além disso, queimaram as bandeiras do município e do estado do Rio, a Bandeira Nacional e hastearam uma bandeira preta.
A maior parte do grupo decidiu encerrar o protesto, que começou mais cedo, logo após o final do desfile militar de 7 de Setembro, em que foram registradas cenas de violência e repressão em frente ao Comando Militar do Leste. Nos momentos mais tensos, a polícia usou a força e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Pessoas foram detidas.
Manifestantes tentaram chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, em Laranjeiras, na zona sul da cidade. Depois dos protestos pela manhã durante o desfile de 7 de setembro, parte do grupo se reuniu em frente à Câmara Municipal, na Cinelândia, e então seguiu a pé por 2,5 quilômetros até o Largo do Machado, em Laranjeiras.
A Polícia Militar fez um bloqueio na rua do Palácio, a Pinheiro Machado, para impedir a passagem dos manifestantes. Militares do Batalhão de Choque jogaram bombas de gás lacrimogêneo contra o grupo e houve correria nas ruas das Laranjeiras e Pinheiro Machado.
De acordo com a secretaria, entre os autuados está um homem "com três passagens pela polícia". As pessoas foram autuadas pelos crimes de "lesão corporal, desacato, resistência e posse de material explosivo". "Com os detidos, foram apreendidos um estilingue, um spray de gás lacrimogêneo, pedras, canivetes, bolas de gude, bombas artesanais e toucas", afirmou a secretaria. 
São Paulo
Tradicionalmente participam do movimento igrejas, pastorais, movimentos sociais e populares e centrais sindicais. Neste ano, o 19º Grito dos Excluídos tem como tema a juventude, com o intuito de chamar a atenção para os problemas encarados principalmente por jovens de periferia. Em São Paulo, o ato começou às 8h na Catedral da Sé.
Nesta tarde, após tentativa de invasão do prédio da Câmara Municipal de São Paulo por manifestantes, a Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Cerca de dois mil manifestantes protestavam no local. Um manifestante arremessou um objeto com um estilingue em um dos vidros da fachada do prédio da Procuradoria Geral do Município, na Rua Maria Paula, que estava totalmente bloqueada.
Brasília
O bloqueio, de acordo com o coronel Edilson, ocorreu para que houvesse tempo suficiente para evacuar as autoridades que assistiam ao desfile. Já a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, que estimou o total de participantes, justificou a ação alegando que os manifestantes não deixavam que suas mochilas fosse revistadas.
Vários movimentos compuseram a manifestação. Eles pediam o fim da corrupção, a prisão de condenados no processo do mensalão, mais investimentos para a Saúde e Educação e o fim do voto secreto no parlamento, entre outros temas. Também fazia parte da manifestação um grupo ligado à central sindical CTB, que levantou bandeiras, como a redução da jornada de trabalho.
No fim da tarde, a Polícia Militar do Distrito Federal utilizou pela primeira vez no dia jatos d'água e lançou também bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral para dispersar manifestantes que tentavam caminhar em direção ao Congresso Nacional. A ação ocorreu no Eixo Monumental, na altura do Museu da República, ou seja, antes ainda dos ministérios.
Um total de 39 pessoas foram detidas por desordem, desacato ou depredação do patrimônio. Um dos jovens é Jefferson Nicácio, de 19 anos, que estava no shopping Conjunto Nacional, na região central de Brasília, quando um grupo tentou invadir o local. Os pais do rapaz alegam que ele não faz parte da manifestação e foi confundido e levado para a delegacia. 
Outro caso é o de Tatiana Pinheiro, de 22 anos, que estava junto com um grupo de manifestantes quando foi presa. A mãe dela, Sandra Belota, alega que a filha não estava praticando atos de vandalismo e foi presa ao correr para se proteger de confrontos com a polícia. Sandra já conversou com Tatiana e disse que tudo corre bem neste momento dentro da delegacia. 

Natal
Fortaleza
De acordo com o comandante da operação de segurança na capital cearense, Túlio Studart, os encaminhamentos à delegacia foram feitos em cumprimento a uma medida cautelar, expedida pelo Ministério Público, que autoriza policiais militares e civis a abordarem manifestantes que estejam com o rosto coberto. A medida também permite a detenção das pessoas sem identificação para que isso seja feito.
Segundo Studart, todos manifestantes já foram identificados e liberados. Um efetivo de 900 PMs esteve distribuído nos possíveis locais de manifestações, como no Dragão do Mar, na Assembleia Legislativa, no Palácio de Iracema e na Praça da Abolição. "Estamos aqui para dar segurança a todos, principalmente aos manifestantes e às pessoas que irão sair às ruas pacificamente. Elas estão exercendo o seu direito à cidadania", disse o comandante.
Belo Horizonte
Maceió
Goiânia
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