Quadrilha do mensalão tem nova chance

Novo julgamento do mensalão vai atrasar o cumprimento das penas
Além de atrasar o cumprimento de penas, com a aceitação dos novos recursos, alguns condenados podem conseguir mudança no regime de prisão - saindo do fechado para semiaberto, por exemplo.
Ao fim da sessão do Supremo, advogados de condenados no mensalão que terão direito a um novo julgamento comentaram o resultado.
Logo depois da decisão, os advogados falaram sobre a nova chance de defesa dos réus.
Carlos Alberto Toron descreveu a reação do deputado petista João Paulo Cunha.

“O deputado João Paulo Cunha ficou extremamente feliz, contente. Porque vai poder ser rediscutido pelo menos em parte a sua condenação”, declarou o advogado.
O advogado do ex-ministro José Dirceu disse que o Supremo reafirmou o direito dos condenados de questionar as penas.
“Eu acho que a decisão, é importante dizer, não é apenas de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Essa decisão é da maioria do plenário do Supremo Tribunal Federal, ou seja, da corte maior do nosso país”, disse José Luís Oliveira Lima.
A maioria dos ministros entendeu que têm direito a recorrer da condenação os réus que receberam pelo menos quatro votos a favor da absolvição. Isso aconteceu no caso de 12 condenados pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A regra está prevista no regimento do Supremo Tribunal Federal.
Os condenados que têm direito ao recurso por formação de quadrilha são: José Dirceu,Delúbio SoaresMarcos Valério, José Genoíno, Ramon Rollerbach, Cristiano PazKátia Rabello e José Roberto Salgado. Por lavagem de dinheiro: João Cláudio Genú, João Paulo Cunha e Breno Fishberg.
Uma condenada, Simone Vasconcelos, poderá recorrer para tentar recalcular sua pena, já que teve 4 votos a favor por uma pena menor em lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O novo julgamento vai atrasar o cumprimento das penas e ainda há o risco de prescrição de alguns crimes. Além disso, com aceitação dos novos recursos, alguns condenados podem conseguir mudança no regime de prisão - saindo do fechado para semiaberto, por exemplo.   O Supremo  ainda precisa definir um calendário para a análise dos embargos infringentes. Mas, antes, algumas etapas formais devem ser seguidas.
Agora os advogados de defesa terão que esperar a publicação do resumo das decisões do julgamento dos primeiros recursos, fase que terminou na semana passada, o que pode levar até 60 dias, para a partir daí apresentarem os recursos do novo julgamento. 

Um sorteio definiu o novo relator. Pela a regra do Supremo, o relator do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, e o  ministro revisor, Ricardo Lewandovisky, não podiam ser escolhidos.
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